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Sporting campeão! Jorge Gabriel recorda o dia em que invadiu o relvado com o pai

Jorge Gabriel, Pai Albano Fialho, Sporting Cp
Instagram

O Sporting CP garantiu a conquista do campeonato, esta terça-feira, e Jorge Gabriel recordou os tempos em que ia ver os jogos dos “leões” com o pai.

Jorge Gabriel vibrou com a conquista do Sporting CP, 19 anos depois do último título. Na rede social Instagram, o apresentador acabou por recordar o pai, Albano Fialho, que perdeu a vida em janeiro de 2021, aos 96 anos, vítima da Covid-19. “Este ano comemora o título longe de mim. No céu, acredito eu“, escreveu num longo testemunho que colocou online.

Leia aqui o texto assinado por Jorge Gabriel:

Nunca me largues a mão. Era mais do que uma ordem. Era um clamor para que não me perdesse, tanto era o que me adorava. Tínhamos acabado de visitar o meu tio que definhava num hospital e seguimos a pé até ao velho Estádio José Alvalade, para o peão. O dinheiro de funcionário público não permitia loucuras. Era o tempo em que os miúdos – eu tinha 12 anos – podiam entrar na bola de borla.

Derrotamos o União de Leiria, fomos campeões, e os dois, eu e o meu pai, invadimos o relvado que acabaria por perder um pedaço que levei para casa. Corria o ano de 1980 e era a primeira vez que sentia a turba e ouvia tanto jubilo ao sr. Albano. Dois anos depois, ninguém segurava de novo os leões. Os imbatíveis do Big Mal foram ao Restelo e o empolgamento era tanto que de novo ouvi: «Nunca me largues a mão».

E lá fomos ver de novo o Sporting por ironia do destino exatamente com o mesmo resultado. 3 – 1. Foi um castigo conseguir entrar. Estava mais espigadote e os porteiros já não iam na cantiga de ter apenas dez anos. No final desse mesmo ano recebemos o Dinamo de Zagreb para a Taça dos Campeões. Fui sozinho. A minha primeira saída noturna autorizada pelo meu pai.

Exibição de luxo de António Oliveira, com três golos, que nesse mesmo dia perdeu o progenitor. Entrei para a bancada central por milagre, com 14 anos, agarrado a um desconhecido que garantiu ser meu avô. A loucura foi tanta que perdi o comboio de regresso e a hora combinada com o meu pai. Chave à porta. O meu pai abriu-a encarando-me e pedindo explicações.

Antes que dissesse uma palavra, afagou-me o cabelo e disse apenas: «Esquece isso. Que grande jogo». Este ano comemora o título longe de mim. No céu, acredito eu. E esta foi das melhores heranças que recebi. Para o senhor Albano, este é um clube de valores que tornam o Sporting diferente de todos os outros.” (Jorge Gabriel)

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