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Pedro Mourinho admite ter sentido receio em Kiev: “Ouvi disparos do meu hotel…”

Pedro Mourinho
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Pedro Mourinho esteve 3 semanas a cobrir a guerra da Ucrânia e esta quarta-feira, dia 9 de março, esteve no ‘Goucha’ a falar sobre esta experiência enquanto jornalista.

Pedro Mourinho começou por garantir que os ucranianos não pensavam que a guerra ia começar, estavam certos que tudo iria passar e não chegava onde chegou.

“Eu e o Nuno saímos porque basicamente nos foi imposto por segurança da nossa direção. Mas queríamos ter continuado a trabalhar, ser os olhos do mundo, do país e contar aquilo que se passa”, começou por dizer.

O jornalista confessou que não foi fácil. “É difícil. Eu acho que quando voltei… óbvio que mexe contigo. Não considero que tenha ficado desequilibrado. Não se volta igual, mas volta-se melhor, mais sensível”, acrescentou Pedro Mourinho.

O jornalista disse que foi em cima da hora que soube que ia para a Ucrânia e explicou como funciona a comunicação social lá em cenário de guerra.

“Por acaso a televisão  é uma coisa engraçada, porque entretanto deixou de haver canais concorrentes, todos estão a dar a mesma emissão, uma emissão única, diferenciada com o logótipo de cada estação“, começou por contar.

“Imagina de repente (…) todos a trabalhar no mesmo canal em cenário de guerra, provavelmente imposto pela lei marcial. Depois transformaram  bunkers em estúdios, trabalham todos com os símbolos da Ucrânia e do exército ucraniano nas suas roupas”, acrescentou.

“É curioso a forma como a lei marcial transformou a própria televisão. O que via sobretudo era um canal de notícias 24 horas, era uma cobertura feita de uma forma ucraniana, mas ocidentalizada”, explicou, dizendo que ouvia o testemunho de várias pessoas importantes.

Pedro Mourinho recordou que ouviu disparos na segunda noite que estava no hotel e ficou com receio: “Ouvi disparos do meu hotel”. Foi sempre falando com a família enquanto lá estava, mas tentou sempre não os preocupar.

Há uma noite que eu tenho receio porque começo a ouvir disparos, guerra à porta do meu hotel, fiquei a saber depois que haveria uma unidade muito pequena de soldados russos que teria chegado sozinha ao centro de Kiev e os combates tiveram lugar na avenida principal”, recordou. “Foi uma hora de disparos e ao mesmo tempo com rebentamentos e com duas passagens de aviões (…) essa foi a noite mais complicada“, confessou.

O jornalista salientou que os ucranianos são tímidos, mas muito unidos. O convidado acabou por ser surpreendido em direto pelo repórter de imagem, Nuno Quá, que surgiu em estúdio. Os dois falaram da importância de estarem juntos e o repórter de imagem confessou que o mais difícil foi ver as famílias a tentarem fugir nas estradas.

Pedro Mourinho revelou que ficou triste por voltar a Portugal, porque queria informar os telespectadores. “Frustração, deceção de querer continuar. Ficou muito trabalho por fazer. Preferíamos estar lá a contar aquilo que víamos”, rematou.

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