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Miguel Sousa Tavares termina a carreira: “Nunca mais faço uma entrevista na vida”

Miguel Sousa Tavares, António Costa
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Miguel Sousa Tavares vai deixar de ser jornalista e dedicar-se mais à escrita.

Após 45 anos de ligação ao jornalismo, Miguel Sousa Tavares vai entregar a carteira profissional e abandonar a atividade em definitivo. O jornalista tem sido criticado, nos últimos dias, na sequência da entrevista que fez ao primeiro-ministro António Costa, no ‘Jornal das 8’, da TVI, mas isso em nada tem a ver com a decisão. A revelação foi dada à revista Visão ainda antes da polémica.

Daqui a três semanas entrego a minha carteira profissional de jornalista e deixo de fazer jornalismo. Vou continuar a ter a minha coluna de opinião no Expresso – isso, para mim, não é jornalismo – mas acabaram as reportagens, as entrevistas, isso tudo. Ponto final“, lê-se na edição desta semana. “Nunca mais faço uma entrevista na vida. A ninguém“.

Foram 45 anos a fazer jornalismo, acho que já chega. Tenho de ir saindo do palco. Não sei se a escrita será o meu modo de vida, mas vai ser, seguramente, o meu modo de sobrevivência. É isso que me vai ajudar a não perder o juízo… Vai ser a minha bengala. Nunca vou deixar de escrever“, continuou.

Sobre o fim da atividade como jornalista, Miguel Sousa Tavares disse que está desiludido com a forma atual de se fazer jornalismo.

Desilusão por não poder fazer coisas que antes se faziam e hoje esbarram sempre na mesma resposta: não há meios. É dramático. Eu dirigi a Grande Reportagem, onde havia quatro jornalistas, eu e um fotógrafo, não tínhamos muitos meios mas conseguíamos fazer coisas. O ‘não há meios’ atual é terrível“, referiu.

Quantos enviados especiais temos no Afeganistão? Zero. Há 20 anos não seria assim, se calhar estariam lá dois ou três. É uma tristeza, ninguém vai a lado nenhum. Mesmo os grandes meios têm um correspondente em Bruxelas, outro em Washington, às vezes um em Madrid, e acabou…“, lamentou.

Leia também: Alberta Marques Fernandes incrédula: “Em que país vive o Miguel Sousa Tavares?”

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1 Comentário

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  • A Comissão da Carteira Profissonal de Jornalismo diz que é obrigatório para o uso da mesma que a actividade de jornalismo do titular seja remunerado e a sua principal actividade. Para quem é advogado e tantas coisas mais… Neste país a Comissão (com regras do início do século XX) tem um regulamento especial para amigos e afilhados. Um licenciado em jornalismo que esteja no desemprego ou não faça do jornalismo a sua actividade principal não pode ter carteira de jornalista.

    Por outro lado todos os licenciados em todas as áreas podem ser jornalistas. Os jornalistas licenciados em Ciências da Comunicação não podem ser mais nada. Para que serve então o curso de jornalismo?

    Obrigado.

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