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Marisa Cruz revela a última memória que tem do pai

Reprodução Instagram

Marisa Cruz foi a convidada deste sábado de Fátima Lopes, no programa ‘Conta-me Como És’, da TVI. A apresentadora da TVI recordou o passado com muitas dificuldades e revelou ainda que nunca desejou ser modelo.

“Fui para uma agência de manequins com 15/16 anos. Usava óculos grandes, não me sentia bonita. Era muito alta e muito magra. Quando me propuseram a concorrer à Miss Portugal achei aquilo ridículo, mesmo, porque achava que nem sequer ia ser selecionada. A moda é realmente um sítio bonito, onde nos põem bonitas, conhecemos sítios maravilhosos … Viajei e, se calhar, de outra maneira não tinha tido essa oportunidade. Mas fui sempre uma espectadora, aquilo não era a minha essência”, começou por dizer.

Uma vida familiar complicada, que acabou por nunca lhe dar a oportunidade de pensar naquilo que queria ser. “Vim muito nova de Angola. O meu único irmão de mãe e pai nasceu cá. Fomos separados muito novos, eu fiquei com a minha mãe, e a partir daí a minha vida foi um reboliço. Nunca tive aquelas memórias do Natal, a minha vida sempre foi aqui e ali. Ficávamos num sítio e depois íamos para o outro. Em casa de amigos, pensões …”, recorda.

“Depois, já mais velha, tive que ajudar a minha mãe, fui trabalhar com ela. Trabalhei em limpezas, num café, fiz um pouco de tudo e nunca consegui criar raízes em lado nenhum porque sempre me habituei a sobreviver sozinha”, continuou.  Sem ter a oportunidade de estudar como gostaria, confessa que se sentia “inferiorizada” quando estava com as amigas, visto que tinha que trabalhar.

Estudou apenas até ao 9ºano e, em diversas situações, teve que deixar o ano letivo a meio porque a mãe queria mudar para outro lugar. “Não tínhamos quase o que comer e tive que inventar com o que tinha”, acrescenta, recordando os tempos em que tinha que tomar conta de cinco irmãos, da parte da mãe.

Foi aos 17 anos que começou a viver sozinha, depois da progenitora se mudar para Londres e ela ter preferido ficar em Portugal. “Parece um bocado cruel o que vou dizer, mas foi como eu me senti: senti-me em paz. [Por ela ir embora]”, confessou. Começou por dividir um quarto com uma amiga, no Bairro Alto, em Lisboa. “Essa começou a ser a minha vida, o sítio onde me sentia em casa, com os meus amigos da agência, pessoas que ia conhecendo”, afirmou.

Quanto ao irmão da parte parte do pai, voltaram a reencontrar-se há cerca de seis anos. “Digo-lhe a brincar que ele teve mais sorte do que eu. Teve muita sorte de ficar onde ficou [com o pai]”, admitiu, revelando que o irmão na altura foi adotado.

Tinha 8/9 anos quando soube que o progenitor faleceu. “Da maneira que soube foi um bocado traumático, foi violenta e é um dos momentos da minha vida que me recordo, infelizmente, que foi no meio de uma discussão da minha mãe com o meu padrasto. Eles já sabiam que ele tinha morrido e ele [o padrasto] vira-se para mim e atira aquela bomba: ‘Estás a olhar mas nem sabes. O teu pai já morreu’. E eu desatei a chorar, a correr. São coisas que nenhuma criança deveria passar”, recordou.

“Ele estava preso, não sei muito bem porquê, e lembro-me de o ter visitado com a minha mãe. É a última memória que tenho dele, e de ele me oferecer um fio de ouro”, acrescentou. Hoje, com dois filhos, o João e o Diogo, não podia sentir-se mais realizada. “Quero que eles se orgulhem na mãe que têm. Quero dar-lhes o melhor de mim. Quero crescer com eles, acompanhá-los”, rematou.

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