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Ljubomir: “Drogas eu compro sozinho, ok? Tenho um ‘dealer’ que me dá ótimas drogas”

É um Ljubomir sem papas na língua aquele que fala, em entrevista exclusiva a um grupo de alunos do curso escrita e cultura gastronómica ‘Papas na Língua’ e publicada no blog de Ricardo Dias Felner, ‘O homem que comia tudo’.

O cozinheiro mais famoso da televisão portuguesa, graças a Pesadelo na Cozinha, dá conta de que foi à falência em 2008 com o seu primeiro restaurante 100 Maneiras em Cascais, que abriu com o chef José Avillez, e de quem se desligou meses antes de falir: as drogas, a sua negligência constante e o ‘roubo’ de funcionários foram o motor para o período conturbado na vida do antigo soldado fratricida na Guerra dos Balcãs.

O problema real que me aconteceu foi ter pegado nas minhas coisas e ter ido para a China. Apaixonei-m pela cultura gastronómica chinesa e fiquei a viver em Xangai. Larguei o meu restaurante aqui em Portugal e os empregados e as pessoas que trabalhavam comigo roubaram-me tudo.

Carregando a culpa pela sua falência, que chegou a atingir o meio milhão de euros, acrescenta que “o culpado de tudo fui eu, quem tinha de sair desta m*rd* era eu”.

O cozinheiro que marca os serões vencedores de domingo à noite da TVI aproveita para demonstrar indiferença perante o ataque de que é alvo por parte dos seus críticos e, sobretudo, da imprensa. “Já fui chamado publicamente nos jornais de drogado, um gajo com traumas de guerra que é p*tanheir*. Nem me aquece, nem me arrefece”.

Renascido das cinzas, Ljubomir conta que recorreu à ajuda de uma psicanalista, ainda que utilizando métodos pouco convencionais para o pagamento das consultas. “Fui a uma psicanalista. Não tinha dinheiro, só um cartão de saúde privada. Entreguei o cartão para ir à consulta e não pagava. Estava a trafulha para ter a consulta. Achava que tinha uns problemas mentais para resolver”.

Logo na primeira consulta com a profissional de saúde, Ljubomir mostrou o seu registo provocador dizendo que “Drogas eu compro sozinho, ok? Tenho um ‘dealer’ que me dá ótimas drogas, por isso não quero as tuas. Quero que me aconselhes”. Mas a psicanalista, na terceira consulta, tentou receitar-me dois medicamentos. A reação do cozinheiro a isso? “Levantei-me e cuspi-lhe na cara. Diretamente. Sem medos nenhuns. Tinha-lhe pedido para não me dar drogas. Aquilo fez-me muita confusão: falhou uma regra que eu tinha implementado, numa altura em que estava mal”.

Ljubomir atribui, ainda assim, à atitude da psicanalista, o seu renascimento. Foi essa ‘violação da regra’ que o salvou, conclui.

Percebi que ninguém me podia ajudar. Agradeço-lhe o erro dela, fez-me sair e pôr-me à frente de tudo.

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