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Jornalista da TVI espancado por colega de trabalho

Emanuel Monteiro, jornalista da TVI, esteve em destaque no Jornal das 8 de terça-feira, com a reportagem Senhor Traveca de sua autoria. O jornalista ao longo da semana agradeceu as mensagens recebidas dos telespectadores e destacou ainda alguns artigos que saíram na imprensa sobre o assunto. Mas este fim de semana, Emanuel partilhou nas redes sociais, um longo texto, onde assume ter sido vítima de violência doméstica ao longo de um ano. O agressor foi um colega de trabalhado, que ainda hoje costuma estar a 3 metros de si ao longo do dia.

«A notícia já tem alguns dias, mas só agora consegui ter real dimensão daquilo que aconteceu. O Miguel foi morto pelo ex-namorado. Morto, à facada, dentro de casa, pelo André. (…) A denúncia em episódios de violência, sobretudo recorrentes, é fundamental. Mesmo que as vítimas não o consigam fazer (é sempre tão difícil e aterrador), é responsabilidade dos amigos, dos familiares e dos colegas de trabalho alertar as autoridades, assim que saibam de alguma coisa.», começa por dizer.

A grande revelação foi dada de seguida. «Eu sei do que falo: fui vítima de violência doméstica durante mais de um ano, de forma consecutiva e, a cada episódio, mais grave. Começou com um estalo e acabou com um espancamento, dentro da minha própria casa.»

TVI com reportagem dedicada a travestis

Relatando com pormenor, tudo o que aconteceu e o medo de morrer ali. «Foi no dia do meu aniversário. Estava sem telemóvel, trancado, impedido de fugir ou de pedir ajuda. Estive à espera, durante todos os minutos daquelas três horas, que o agressor abrisse a gaveta da cozinha e de lá tirasse uma faca para acabar com o pouco que ainda restava de mim. Fiquei gelado de medo, morto de espírito enquanto era agredido sem dó, nem piedade. Não consegui, sequer, defender-me. Foi o pior que me aconteceu na vida, mas, felizmente, ao contrário do Miguel, fiquei cá para contar a história.»

Emanuel para além de denunciar que foi vítima de violência doméstica, revelou também que ainda hoje tem o agressor bem perto de si.

«Hoje, o agressor está muitas vezes, muitas horas, a 3 metros de mim. E tem tanto em comum com o desta história horrível. Às vezes, ainda tenho medo, muito medo. Nunca consegui denunciá-lo, por receio, por vergonha, mas sobretudo por compaixão e para não estragar a vida a uma pessoa, não faz parte de mim fazer mal aos outros (eu achava que iria fazer).»

«Um ano depois, e com a história do Miguel, tenho a certeza: do que mais me arrependo é de não ter apresentado queixa crime. Hoje faria tudo diferente. É que o André matou o Miguel. E o Miguel poderia ser o Emanuel. Depende de nós acabar com estas histórias. Amor só pode ser amor, nada mais. É por amor que vos peço: sejam fortes, denunciem qualquer episódio de violência doméstica ou no namoro! ❤️💪🏻🙏», concluiu.

Emanuel Monteiro esteve durante todo o mês de agosto de 2017 no Jornal das 8 com a rubrica Meu Querido Mês de Agosto.

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