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TVI A Entrevista Big Brother

Entrevista a Susana Dias Ramos: “Estamos cada vez menos resilientes apesar de se verbalizar o contrário”

Susana Dias Ramos
Instagram

Susana Dias Ramos é especialista em Sexualidade Clínica e Terapia de Casal e atualmente é comentadora do ‘Big Brother’. A psicóloga esteve à conversa com A Televisão e não só fez um balanço da sua experiência no reality-show, como esclareceu as últimas polémicas. 

É especialista em Sexualidade Clínica e Terapia de Casal. Quando é que descobriu que o seu futuro profissional passava por aqui?

Muito cedo, uma vez que desde muito novinha tive curiosidade na dinâmica entre o casal. A forma como construíam uma nova vida a dois e a coragem necessária para ficar assim do lado de outra pessoa a deixar de ser “eu” e passar a ser “nós” para tudo e mais alguma coisa. Com o desenrolar da licenciatura apaixonei-me perdidamente pela área da Neuropsicologia e depois vim a verificar que as duas casavam perfeitamente.

Fiz a especialização em Neuropsicologia Clínica e uma Pós-Graduação em Saúde Sexual e Reprodutiva que foi a semente que gerou tudo o que decidi procurar a seguir. Veio a Terapia de Casal, depois a Terapia Sexual e a Sexualidade Clínica foi o acaso mais maravilhoso da minha vida! Inscrevi-me na Especialização errando o código e foi o melhor que me podia ter acontecido!

Como é que recebeu o convite para integrar o painel de comentadores do ‘Big Brother’? Aceitou de imediato ou ficou reticente no início?

Para o BB2020 aceitei de imediato. Pareceu-me algo especial, diferente de tudo o que eu já tinha feito e eu estava mesmo a precisar de algo assim! Para a Revolução fui mais ponderada, uma vez que passei para a noite e sou do Porto tive que ponderar a logística entre a família, a clínica e os Extras. Ao inicio fiquei reticente mas o empurrão que precisava veio do apoio familiar que tenho, o que faz com que eu consiga concretizar este projeto de forma tranquila.

Como é que está a ser a experiência?

Desgastante, tanto física como emocionalmente. Fisicamente, pois as viagens entre Porto e Lisboa e as poucas horas de sono fazem-se sentir. Emocionalmente porque é preciso algum encaixe para lidar diariamente com pessoas que, à falta de vida própria, decidem viver através dos outros atropelando tudo e todos que aparecem. Reparo que estamos cada vez mais agressivos verbalmente quando por trás de um computador ou de um telefone. A agressão é gratuita, o insulto é fácil…primeiro estranhei…agora ignoro!

Susana Dias Ramos
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O facto de terem saído três concorrentes do reality-show por motivos psicológicos, em tão pouco espaço de tempo, deu muito que falar. Como é que a Susana, como psicóloga, viu estas críticas?

Não entendo o porquê das criticas, é nada mais nada menos do que aquilo que se passa realmente na sociedade. Estamos cada vez menos resilientes apesar de se verbalizar o contrário. Os jovens vivem ao limite, como se o mundo fosse acabar de um dia para o outro o que faz com que tenham menos resistência às provocações. Num Mundo normal afastamo-nos de quem nos provoca essas sensações. Nesta casa, não têm como. É até à exaustão.

Quero só ressalvar que dois concorrentes saíram por motivos de saúde, o terceiro foi expulso por incumprimento de regras e seguiu com a família para o domicílio após ser avaliado e demonstrado que se encontrava bem.

O caso do André Filipe é um dos mais comentados na imprensa e nas redes sociais. Acha que a equipa de psicólogos do programa falhou em algum aspecto?

De modo algum! A equipa não é constituída apenas por psicólogos mas também por médicos e psiquiatras. O André fez um jogo muito perigoso desde a sua entrada. O destaque televisivo que queria e o desejo de ser notado, apesar de justo, pode às vezes turvar-nos o comportamento e acho que foi o que aconteceu aqui. Aquando da sua saída a família verificou o seu comportamento e chegou a pedir para que ele fosse expulso na gala, disse a mãe do Andre em entrevista, o que me leva a crer que tudo estaria bem.

O comportamento diário que parecia estranho aos demais foi também explicado pela mãe como sendo um “boneco” que ele criou para demonstrar as suas capacidades e mostrou-se orgulhosa do conseguido. Se eventualmente aconteceu algo grave após a saída do programa, deve-se provavelmente ao choque com o fracasso dos objetivos tão altos a que ele se propôs. Quando reservamos para nós este tipo de desejos, quando não conseguimos sentimo-nos verdadeiramente arruinados. Mas sou eu a especular apenas. Lembro que a equipa que o acompanhou está sujeita a sigilo profissional mas a Endemol fez um comunicado explicativo.

Agora é só uma valente confusão de entrevistas e teorias, da mãe, da namorada, de um tio e do próprio que com o acesso às redes tem feito alguns post e stories no Instagram que deixa a duvida na realidade do quadro de diagnóstico. Tudo bastante contraditório a meu ver…

 Susana Dias Ramos.

Já tem algum concorrente do ‘Big Brother – A Revolução’ favorito?

Ainda não, mas a ter guardarei no segredo dos deuses. Não acho que seja papel dos comentadores fazer campanha pelos concorrentes. Todos merecem o prémio pela ousadia e coragem de estarem a participar neste jogo tão arriscado!

Gostava de ter algum projeto em particular na televisão?

Um dia, sim. Que desmistificasse a sexualidade e as relações. Era muito bom. Não sei como reagiriam as pessoas a algo sem filtros nem tabus mas mantenho o sonho. Adoraria participar num projeto destes!

Leia também: Big Brother: Susana Dias Ramos sobre André Filipe: “Parvoíce ainda não é doença”

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