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Anna Eremin sofre de depressão: “Não tive outro remédio e estou viva só por causa disso”

Anna-Eremin-Pedro-Lima
Fotografias: Instagram

Anna Eremin é atriz na TVI e tem 29 anos. Há dois que sofre de uma depressão e necessita de tomar medicação para batalhar contra a doença. Inicialmente, rejeitou o diagnóstico. Mas, atualmente, reconhece que só está viva graças à ajuda que lhe foi prestada. Hoje, quer partilhar a sua luta. E arrepende-se de não a ter contado a Pedro Lima.

Leia também: Pedro Lima terá pedido ajuda no Instagram e ninguém percebeu a mensagem

“Eu tenho sorte, sim. Mas eu não soube aceitar ajuda. Não soube. Não tive outro remédio e estou viva só por causa disso. Se calhar devia ter contado isto ao Pedro. Não calhou. Estou a contar-vos a vocês. Uma depressão são óculos escuros que não saem. É uma realidade paralela que não existe e está na nossa cabeça. Só. E é possível tirar esses óculos. É mesmo possível”, escreveu na rede social Instagram.

Leia aqui o texto completo:

Confesso que nunca pensei fazer isto. Faz-me muita confusão espetar a minha intimidade numa rede social. Contudo, a vida acontece, a morte acontece, e, se estas linhas tiverem o poder de mudar um destino, então foda-se! Bora!

Corria a Primavera de 2018, soalheira, feliz e Oh! The irony!, era o melhor ano da minha vida. A casa mais bonita de Lisboa, dividida com alguém que tem a bondade nos olhos e o Mundo no coração, era eu protagonista de um espetáculo no teatro dos meus sonhos, uma novela com a personagem (provavelmente) mais marcante que tive até hoje. Tudo motivos para acordar banhada em gratidão e sorrisos.

Quando o médico de família (sim! Eles também têm esse poder e essa sensibilidade!) me diagnosticou a palavra DEPRESSÃO, ri-me na cara dele. Burro, pensei. Cancro, tá-se bem, agora isto? Pensei. Não sou fraca! Pensei. Que merda que sou! Pensei. Ingrata, pensei. Tenho tudo, pensei. E rasguei a receita que dizia “Zoloft” com o ar mais arrogante do mundo. Ignorei, arrogante, as palavras dele (“vou marcar-lhe uma sessão de terapia. Pode ser tarde demais”). Arrogante, fui lá e cuspi na cara da terapeuta. Porque não sou frágil, pensei. Porque eu é que me conheço, pensei. Porque é ridículo, disse. Abri uma garrafa de vinho, bebi-a e fui dormir. Estou só um pouco cansada, pensei. E fui trabalhar, porque tenho a sorte dos poucos de fazer o que amo. Porque só se queixam os ingratos, os fracos, os burros.

Não dormi. Como dormir, se a adrenalina te corre nas veias? Como não vomitar, se trabalhas horas a mais? É tudo normal, pensei. E continuava a rir. A ansiedade é normal. Todos têm. O cansaço é normal. Não faço mais do que a minha obrigação e o meu amor. Depois, a voz falhou numa cena e noutra. É o calor, pensei. Depois a arrogância. Ninguém me compreende, pensei, como não compreendemos ninguém. Veio a maldade, as respostas tortas. Não era normal, diziam. Deves estar parva, diziam. Depois as gargalhadas forçadas, a boa disposição desmesurada, a palhaçada, o excesso de emoção. Como não? Estou cansada, dizia. Ninguém tem culpa, dizia. E nas noites sem dormir o calor tinha culpa. E nas viagens de carro, a música não tinha volume suficiente.

E as multidões começaram a meter medo. Como não? Muita gente no mesmo sítio nunca é uma boa ideia. E toda a gente olhava para mim de lado. Como não? Se sou uma merda. Se sou ingrata. Se não sou suficiente. E é um rodopio, uma nuvem negra. Nada do que parece é. O coração bate depressa de mais o sono nunca vem. E a vontade de parar, carregar no stop, em pausa, em rewind não se controla. E olhas ao espelho e não te conheces. E tens a certeza que estás sozinho porque é o que mereces…. CORTA!

Eu tive a sorte de me encontrarem num carro no meio do Alentejo. Tive a sorte de ter pessoas num círculo próximo que sabiam que este bicho mata. Quão assustador é. Mas que tem solução. Dura, fodida, não definitiva, mas tem. É possível. Não parece. Eu juro, eu sei, não parece, mas tem. Tomo Zoloft, há dois anos, todas as manhãs. Vou ao psicólogo, vou ao reiki e tenho pessoas muito bonitas na minha vida.

Eu tenho sorte, sim. Mas eu não soube aceitar ajuda. Não soube. Não tive outro remédio e estou viva só por causa disso. Se calhar devia ter contado isto ao Pedro. Não calhou. Estou a contar-vos a vocês. Uma depressão são óculos escuros que não saem. É uma realidade paralela que não existe e está na nossa cabeça. Só. E é possível tirar esses óculos. É mesmo possível.

Por favor… Já aprendemos a cuidar do nosso corpo, já sabemos correr pela manhã e fazer batidos verdes. Mas, por favor… Vamos cuidar de tudo o resto antes que seja tarde de mais. É só o que vos peço. Por favor“.

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Confesso que nunca pensei fazer isto. Faz-me muita confusão espetar a minha intimidade numa rede social. Contudo, a vida acontece, a morte acontece, e, se estas linhas tiverem o poder de mudar um destino então, foda-se! Bora! Corria a Primavera de 2018, solarenga, feliz e Oh! The irony!, era o melhor ano da minha vida. A casa mais bonita de Lisboa, dividida com alguém que tem a bondade nos olhos e o Mundo no coração, era eu protagonista de um espectáculo no teatro dos meus sonhos, uma novela com a personagem (provavelmente) mais marcante que tive até hoje. Tudo motivos para acordar banhada em gratidão e sorrisos. Quando o médico de família (sim! Eles também têm esse poder e essa sensibilidade!) me diagnosticou a palavra DEPRESSÃO, ri-me na cara dele, Burro, pensei. Cancro, tá-se bem, agora isto? Pensei. Não sou fraca! Pensei. Que merda que sou! Pensei. Ingrata, pensei. Tenho tudo, pensei. E rasguei a receita que dizia “Zoloft” com o ar mais arrogante do mundo. Ignorei, arrogante, as palavras dele (“vou marcar-lhe uma sessão de terapia. Pode ser tarde demais”). Arrogante, fui lá e cuspi na cara da terapeuta. Porque não sou fragil, pensei. Porque eu é que me conheço, pensei. Porque é ridículo, disse. Abri uma garrafa de vinho, bebi-a e fui dormir. Estou só um pouco cansada, pensei. E fui trabalhar, porque tenho a sorte dos poucos de fazer o que amo. Porque só se queixam os ingratos, os fracos, os burros. Não dormi. Como dormir, se a adrenalina te corre nas veias? Como não vomitar, se trabalhas horas a mais? É tudo normal, pensei. E continuava a rir. A ansiedade é normal. Todos têm. O cansaço é normal. Não faço mais que a minha obrigação e o meu amor. Depois a voz falhou numa cena e noutra. É o calor, pensei. Depois a arrogância. Ninguém me compreende, pensei, como não compreendemos ninguém. Veio a maldade, as respostas tortas. Não era normal, diziam. Deves estar parva, diziam. Depois as gargalhadas forçadas, a boa disposição desmesurada, a palhaçada, o excesso de emoção. Como não? Estou cansada, dizia. Ninguém tem culpa, dizia. E nas noites sem dormir o calor tinha culpa. E nas viagens de carro, a música não tinha volume suficiente. (Continua nos comentários ⬇️)

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