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Rui Luís Brás fala do “susto” e da “melhor decisão” da sua vida

Rui Luís Brás foi o mais recente entrevistado do programa ‘Alta Definição’ da SIC. Na conversa, transmitida este sábado, o ator aproveitou para partilhar o seu testemunho, abordando o princípio de AVC que sofreu em 2007.

Rui assumiu que essa a situação mais complicada da sua vida. Até esse momento, o ator admitiu que não “se preocupava com nada, com o sono, com a comida, com a quantidade de café que bebia, o tabaco…”.

Tudo isso aconteceu numa altura em que tinha começado a rodar um novo projeto e, por isso, as gravações decorriam durante a noite.  O ator relembrou que nesse dia tinha sido “despachado mais cedo”, conseguindo chegar a casa mais cedo do que era costume.

Sem sono, acabou por ficar no sofá a ver televisão até às quatro da manhã. “Senti como se me estivessem a bater [na cabeça] com uma revista ou uma folha enrolada e uma sensação de água morna. A minha mão começou sozinha a mexer e toda branca. Tive tempo para ir à casa de banho, pensava que era uma quebra de tensão, e estava com os lábios roxos, completamente branco. Deixei de ver e fui a cambalear para tentar ir buscar um pacote de açúcar e caí no chão. Ouvi um bater e pensei: será que morri?, descreveu enquanto relembrou o momento de aflição.

Quando acordou, passado umas horas,“eram nove horas”. No chão da cozinha, “gelado”, não tinha forças para chamar o INEM, deitando-se com esperança de que tudo voltasse ao normal.

Umas semanas depois, no trabalho, Rui apercebeu-se do que realmente lhe tinha acontecido, algo mais grave do que pensava. Enquanto passava texto, o ator percebeu que estava a relatar palavras completamente diferentes daquelas que eram suposto. Nesse momento, compreendeu que o que estava a fazer tinha sido provocado pelo mau estar sentido nas semanas anteriores.

Depois de realizar todos os exames necessários, Rui confirmou que tinha sofrido um início de um AVC.

Atualmente, a saúde é o centro da sua vida, sobretudo, quando adotou o seu filho, em 2016. No início queria uma criança entre os 4 e os 6 anos, mas acabou por adotar um menino de 12.

Desde sempre, sentiu que tinha nascido para ser pai, apesar de ter adiado esse passo durante algum tempo. “Ficas a pensar que tens que ter condições certas como qualquer pai”, justificou.

“A gente na vida escolhe amar pessoas, escolhe uma família de amigos, de companheiros de trabalho que não têm laço de sangue contigo. A minha questão é: para quê mais um no planeta só porque carrega o mesmo ADN que eu. Isso não me faz sentido nenhum. Sempre fui capaz de amar um, duas, três… e se pudesse, se tivesse dinheiro para isso, não era só um filho”, revelou o ator.

Antes de avançar com a adoção do filho, muitas questões atormentavam-no. “Questionava-me: será que sou capaz, será que aguento o barco? É muito fácil imaginarmos a coisa a correr bem, imaginando um trajeto muito equilibrado, mas quando vamos buscar uma criança, vamos buscar uma criança que tem problemas sérios na vida. Por alguma razão está a precisar que lhe apareça um pai ou uma mãe”, afirmou, reconhecendo que pai é quem cria e que nesta relação o mais importante é o amor.

“O meu filho é um bebé grande que necessitou de horas e horas de colo e eu costumo dizer: nem que o papá tenha 120 anos e tu sejas um senhor velhinho e se precisares de colo e abraço, o pai está aqui”, confessou.

Apesar das primeiras impressões não terem sido tão fáceis, as coisas têm corrido bem: “O primeiro ano não se deseja a ninguém. É muito complicado. Vi-o em sofrimento muitas vezes”. Rui confessou que, inicialmente o jovem, que tinha vindo de um meio violento física e psicologicamente, tinha receio “que tudo podia falhar e podia não o querer”.

“E o meu medo era o mesmo. E se ele não me ama como eu o amo a ele? Acho que ao fim de um bocadinho tinha noção de que esse medo já tinha ido à vida. O medo natural de pensar: será que vou amá-lo realmente? Isso passou. Ao fim de três ou quatro semanas ele era todo meu. Tudo o que queria era defendê-lo. Tudo o que quero ainda hoje é que ele seja felizProporcionar-lhe um caminho para ele ser livre, feliz, um senhor”. 

No dia em que o ator conheceu o menino pessoalmente foi no dia 4 de janeiro de 2016. Rui confessou que estava nervoso: e se isto não correr bem, e se ele olha para mim e foge, e se eu olho e não sinto…”. No final, tudo acabou por correr bem e a boa relação sentiu-se desde logo, no primeiro encontro.

O único bocadinho de mim que vai ficar é o que vai ficar dentro dele. São os valores que lhe vou passar, o amor que lhe estou a pôr, a tentar compensar o que não lhe foi dado”, frisou o ator, emocionado.

Disposto a estar sempre ao lado do filho, Rui assegurou que a fase da paternidade “não tem sido nada difícil”. Mas não deixa de frisar que há sempre “momentos difíceis”. “Impor castigos, regras, dizer não, lutar contra uma coisa que é: ele nunca teve isto e eu tenho que ceder. Não, não posso ceder. Pelo menos não posso fazer sempre. Quero dar-lhe tudo o que ele não teve, toda a atenção, todas as pequenas liberdades, deixá-lo criar, ser livre, experimentar coisas. […], garantiu.

Desde que o menino entrou na sua vida, Rui não vê o amor como uma prioridade uma vez que o amor do seu filho já o completa. “Não preciso de mais”. O ator quer apenas colmatar a dor do passado do filho de alguma maneira: “Sei que o faço feliz e isso não me assusta”.

Ainda que o jovem não tenha contacto com os seus pais biológicos, Rui sabe que se um dia isso acontecer, não o pode impedir pois é “um direito dele”. “Só tenho que pegar no carro e levá-lo lá. Não estar presente nem interferir, nem fazer juízos de valor. Aliás, eu tenho esse cuidado”, garantiu.

Familiarizado com a situação, Rui reconheceu que todas as crianças precisam “de amor, de cuidado”. E, por isso, deixou ainda um conselho a todos os que desejam adotar uma criança: “Primeiro dispam-se, não tenham um projeto de criança na cabeça, não idealizam um filho, nem tentem ser uns pais ideais. Tentem ser a melhor versão de vocês próprios honestamente”, finalizou.

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