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«Más Ações» em Grande Reportagem SIC

Viviam-se tempos de euforia na bolsa portuguesa. Nos anos de 2000-2001 já quase nenhum português se lembrava do alerta de Cavaco Silva que, em 1987, então primeiro-ministro, fizera aos pequenos investidores da bolsa – “poderiam a estar a comprar gato por lebre”. É certo que o alerta do chefe de governo, ainda para mais doutorado em economia e licenciado em finanças, provocou um “crash” na bolsa, à conta da desconfiança que instalou nos incautos compradores de ações. Mas, nos anos 2000-2001, a frase de Cavaco já era passado e a euforia estava de novo entre nós. Vivíamos, pois, o tempo do capitalismo popular. E, nesses anos de ilusão, as ações de um banco, que crescia desmesuradamente, despertaram, muito mais do que outras da época, o interesse de milhares de portugueses.

O BCP era uma marca de confiança absoluta. Agigantara-se integrando, debaixo da asa tutelada por Jorge Jardim Gonçalves, o Banco Português do Atlântico, o Banco Pinto e Sotto Maior e o Banco Mello. O sucesso da liderança do engenheiro do OPUS DEI abraçou o país e, nas campanhas acionistas dos anos 2000-2001, a possibilidade de estender a base acionista do grupo BCP ao povo, tocou no coração do povo.

18 anos depois, a Grande Reportagem SIC recorda essa história através do testemunho de pequenos acionistas, alguns ex-funcionários do BCP, que compraram sem freio para os próprios, para as mulheres, maridos, filhos, pais, tios, sobrinhos, amigos. Em dois episódios a SIC conta a história de Abílio, Artur, Fernanda, Aníbal, Jaime.

O BCP, de Jardim Gonçalves, criou 21 offshores que se limitavam a comprar e a vender, em massa, ações do próprio banco. Quando, finalmente, o Banco de Portugal percebeu o papel destas offshores, obrigou o banco a desfazer-se delas, mas os prejuízos acumulados nunca foram refletidos no balanço do banco. Jorge Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal e António Rodrigues, a tríade de administradores do BCP, foi condenada, a dois anos de cadeia, por cosmética de balanço. Mas esse processo, como lhe provaremos, poderia ter tido um desfecho ainda mais pesado para o homem que fundou e alimentou o BCP e para os seus dois mais diretos colegas de carteira.

As duas grandes reportagens debruçam-se, igualmente, sobre as ligações entre o BCP e o OPUS DEI, tentando levantar o véu sobre segredos há muito guardados.

Más Ações é uma ‘Grande Reportagem’ em dois episódios de Pedro Coelho, com imagem de José Silva, edição de imagem de Ricardo Tenreiro, grafismo de Patrícia Reis, produção de Diana Matias e Mariana Teófilo Cruz, pós produção vídeo de José Dias e pós produção áudio de Octaviano Rodrigues.

Para ver dias 10 e 17 de outubro, no Jornal da Noite.

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