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Eládio Clímaco confessa-se triste pelo seu afastamento em televisão: “Fiquei desabado”

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É um dos nomes mais sonantes da televisão em Portugal. Afastado do pequeno ecrã e sem nunca esconder a tristeza que isso lhe causa, Eládio Clímaco foi o convidado, desta manhã, de Cristina Ferreira. 

Na emissão desta manhã d’ O Programa da Cristina, Cristina Ferreira e Cláudio Ramos abriram as portas de casa a um dos nomes mais sonantes da televisão portuguesa. Eládio Clímaco visitou a rainha das manhãs da SIC e sentou-se no seu sofá para uma conversa muito emotiva.

O diálogo iniciou-se, como não podia deixar de ser, com uma referência aos míticos Jogos sem Fronteiras. O senhor televisão confessou achar que um regresso do formato que conquistou os portugueses seria algo bem visto: “Acho que sim, que ainda há espaço. Eu vou na rua, no centro comercial e toda a gente me pergunta quando voltam. Não seria comigo, claro. Era muito cansativo”.

De seguida Eládio contou a Cristina Ferreira como foi a sua vida antes de ingressar no mundo da televisão destacando a vontade do seu pai de que se tornasse num engenheiro de renome. Ainda assim, Cristina não tem dúvidas de que o comunicador foi o que mais arriscou. Já Eládio não concordou: “Eu arrisquei mas com uma certa moderação. (…) O Manel (Manuel Luís Goucha) arriscou muito mais do que eu”.

Sem nunca esconder que a paixão pela comunicação lhe estava no sangue, Eládio revelou como foram, no entanto, os seus primeiros castings: “Era uma prova de leitura de telejornal e a capa de um disco de música clássica. Tinha de ser uma leitura impecável. E depois era fazer uma entrevista e quem nos calhava como entrevistados eram pessoas que estavam ali a responder ‘sim ou não’. Não há nada pior do que entrevistar uma pessoa que diga “sim” ou “não”. Tens de desenvolver. Isso era um dos testes problemáticos. E depois apresentar um espetáculo.”, contou o comunicador.

Apesar de difícil o casting não foi uma entrave para Eládio que, logo de seguida, terá sido obrigado a dar a notícia ao pai de que, em vez de engenharia, seguiria o mundo do espetáculo. “Ele disse ‘se é isso que tu queres, tudo bem'”, confidenciou o entrevistado de Cristina Ferreira.

A apresentadora decidiu, então, dar a conhecer ao país a história de amor proibido que Eládio terá vivido dos 13 aos 23 anos. “Os meus pais nunca aceitaram. Havia uma certa posse por parte deles. E eu não tive coragem de ir embora e fazer as malas. Hoje sinto-me muito bem. Eu passei de filho a pai. Eu fui os pais dos meus pais. Vivi com eles até à hora da morte. Estive até aos meus 65 anos a viver com eles, a cuidar deles. Eles cuidaram de mim e eu passei a cuidar deles.”, confessou o apresentador visivelmente emocionado.

“Chegaste a dizer que tinhas três amores na tua vida: a tua mãe, o teu pai e a televisão. E que, neste momento, te tinham tirado todos”, disparou Cristina apanhando o convidado de surpresa. “Eu disse isso?”, perguntou de lágrima no canto do olho. “É um bocadinho difícil. Sabes que os tempos mudaram, são outros. A Cristina não vai sentir isto que eu estou a sentir. Eu senti que me tiraram a televisão, não me tiraram a vontade de viver. Fiquei desabado porque a minha vida era entregue à televisão, de manhã à noite. Hoje faço aquilo que um reformado faz. Leio, vejo televisão, vou ao cinema, vou ao teatro…”.

Perante a tristeza no olhar de Eládio, Cristina Ferreira voltou a questioná-lo sobre o amor e sobre a importância que isso teria na sua vida: “Devia ter voltado a amar alguém. Mas fui eu que fechei o coração.”, disse o comunicador.

A conversa, no entanto, prometia uma enorme surpresa: a chegada de Isabel Angelino, ela que co-apresentou o último programa de Eládio Clímaco em televisão. Depois de uns abraços de conforto, a apresentadora não quis ficar calada e defendeu o colega e amigo destacando a sua importância eterna para o mundo da televisão no nosso país. Ainda assim, o apresentador não escondeu a tristeza: “Aqui chegas aos 70 e já não dá mais. Não damos valor aos velhos. É um país que não é para velhos.”.

Cristina Ferreira terminou a conversa garantindo ao convidado que acredita que o seu nome estará para sempre ligado ao que de melhor se faz em Portugal: “Há um país inteiro que te deve muitas horas de televisão”, disse abraçando o senhor televisão.

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