SIC

Cristina Ferreira confessa que não gostou logo do seu filho

A nova apresentadora da estação de Carnaxide recordou o dia em que filho, Tiago, nasceu, no dia 4 de junho de 2008. O menino, agora com dez anos, é fruto do casamento terminado com António Casinhas.

Ao contrário de muitas mães, Cristina recorda que “não o encaro como o dia mais feliz da minha vida. Isso nem sempre é fácil de perceber pelas pessoas. Não amei logo o meu filho quando o vi. Uma hora depois já tinha um amor imenso por ele. Duas horas depois já ninguém me o podia tirar. Três horas depois já era o amor da minha vida. Mas quando olhei para ele não tive esse sentimento. Gosto de partilhar isto porque há muitas mulheres que se sentem culpadas, que sentiram exatamente a mesma coisa, como o não gostar de estar grávida, por exemplo. Tens medo de dizer isso porque te vão dizer que és má mãe. Eu não gostei de estar grávida. Adorei ver as ecografias e de perceber que estava uma criança a crescer dentro de mim, mas não foi uma fase que eu tivesse adorado”.

Ainda sobre o dia em que o filho nasceu, a apresentadora revelou que o parto “foi muito rápido”. “Lembro-me de não chorar. De olhar para ele e pensar: Está bem, pronto, é ele. Depois, passado um bocadinho, ele está ao pé de mim”.

Tem, no entanto, uma memória especial desse dia que ficará para sempre guardada no coração que considera ser um dos “momentos mais felizes da sua vida”. Essa lembrança é a reação da médica quando descobriu que o bebé ia nascer.

“Não tive uma única dor. Rebentaram-me as águas e a médica disse para eu ir para o hospital porque ele ia nascer. Ela vai ao quarto só para me ver e quando está para sair diz-me assim: deixa cá ver em que fase do processo é que estamos. De repente faz [uma cara de surpresa] e começa a dançar aos pés da minha cama [e a dizer]: vai nascer, vai nascer. Achei aquilo de uma beleza que não tem explicação. Foi uma festa tão grande de alguém que supostamente é tão institucional e está ali para ajudar a nascer uma criança … Vamos a correr para a sala de parto e diz: ‘faz força’. Eu fiz e ela pediu outra vez e… está aqui. E eu: ‘mas isto é sempre assim?’ E ela: ‘raramente’”, lembrou.

Cristina deixou, durante a entrevista, uma mensagem para todas as mães, afirmando: “Eu existo para além do meu filho e o meu filho existe para além de mim. Essa é uma mensagem que eu gosto de passar porque há pessoas que se focam muito na vida dos filhos e que se esquecem da vida deles. E um filho só é feliz se os pais tiverem uma vida e forem felizes. É isso que gostava que as pessoas não se esquecessem nunca. O teu filho nunca te vai agradecer os sacrifícios que tu faças por ele. O teu filho vai-te agradecer toda a felicidade que lhe passaste. Muitas vezes temos essa tentação de mentir aos nossos filhos no sentido de, vais sair de casa e ele pergunta: ‘quando é que vens mãe’ E tu sabes que vais voltar tarde e às vezes dizes que a mãe já volta. Nunca fiz isso! Sempre mostrei a felicidade ao meu filho. ‘Vais a onde mãe?’ Vou trabalhar! Porque quero que ele um dia sinta isso e acho que vai sentir”, acrescentou.

Com uma agenda muito preenchida, Cristina arranja sempre tempo para estar com a família, principalmente com o filho. “Impus-me o chegar a casa todos os dias por volta das 6. É evidente que há dias que isso não acontece. E a partir do momento em que estou em casa, estou em casa, com ele”, assegurou.

“Passo muito tempo com ele e nas férias está sempre comigo. Só há coisas que eu não faço com ele para que ele as possa viver como qualquer outra criança. Muitas vezes vai ao cinema com os primos para não passar o corredor inteiro a ter que parar porque a mãe está a tirar fotografias. Tem a sorte de, com dez anos, já ter feito mais viagens na vida do que a mãe tinha feito aos 30, mas acho que lhe estou a dar mundo”, continuou.

Já sobre a educação do filho, a nova cara da SIC frisou que o menino “não tem tudo aquilo que quer”. “Digo muitas vezes ‘não’ ao Tiago para ele saber o que as coisas custam. E o estar numa escola pública, não ter telefone … Quando lhe pergunto o que estiveram a fazer no intervalo e ele me diz que os colegas estavam todos a jogar ao telemóvel, pergunto: ‘será que os pais pensam naquilo que fazem quando entregam um telemóvel nas mãos de uma criança de seis, sete anos, quando aquilo que os faz realmente crescer é a forma como interagem uns com os outros e não como interagem com uma máquina?’. Esta é a minha forma de pensar. Não lhe vou retirar coisas que ele pode ter porque a nossa vida é um bocadinho mais facilitada, mas ele tem que perceber de alguma forma porque esta não a realidade de todos”, justificou.

Cristina Ferreira vive apenas com o seu filho na Malveira.