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A “legítima” reação da TVI e as ambições da SIC. Daniel Oliveira analisa chegada de Cristina

A notícia chocou muita gente e depois de alguma incerteza, chegava a confirmação. Depois do comunicado da TVI sobre a saída de Cristina Ferreira, a SIC anunciava a sua contratação. O objetivo era apenas um e nunca foi tão claro: fragilizar a líder num dos seus pontos mais fortes – as manhãs que ancoram o dia e contagiam o restante daytime. O mestre da jogada tem essa noção. «Há uma dinâmica global que um programa como este traz à estação. Uma dinâmica de antena, de agilidade e a vários outros níveis, que é muito importante», contou o responsável pelo entretenimento da Impresa aos jornalistas.

Sabendo da avalanche que se aproximava, a TVI meteu mãos à obra e não se deu por derrotada. Antecipou o início do programa, transmitiu-o na rádio, apostou em temas fortes mas nada travou o sucesso do «produto televisivo» que Goucha reconhece ter ajudado a gerar durante 14 anos. Em Carnaxide, Daniel Oliveira garante, seguro do que tem em mãos, que não esteve atento à concorrência e confessa encarar com naturalidade as investidas de Queluz na tentativa de barrar aposta de Carnaxide. «Com um programa desta envergadura, estive focado nestas coisas todas. É absolutamente legítimo que cada canal utilize as ferramentas e as armas que entenda necessárias para cada momento».

«Sentiu-se um astral muito bom»

Para o rosto de Alta Definição, o segredo do sucesso passa também pela aura que se vive nos bastidores e pelo espírito com que se encara cada projeto. Neste, não podia ser melhor. «Sinto que estamos todos em equipa, a fazer um ótimo trabalho. Sentimos isso pela forma como nos entregamos e vemos obra feita. O facto de termos conseguido apresentar um programa de daytime com esta envergadura… desde logo com este estúdio e com esta dinâmica, que é muito diferente, satisfaz-nos a nós. Eu sempre disse que íamos estar primeiro focados em nós mesmos e só nisso.»

O carisma, a popularidade e a legião de fãs que Cristina conquistou ao longo de 16 anos de TVI era uma das principais cobiças da SIC. O desafio era enorme mas a nova direção de Carnaxide parece ter conseguido alcançar a sua meta – tornar a SIC num canal mais próximo de quem o vê. A saloia da Malveira era a peça que faltava. «Nós pretendemos que a televisão seja essa televisão de proximidade com as pessoas e que, de facto, as nossas portas estejam abertas para as pessoas que têm mais impacto na sociedade e para quem tem mais a dizer.», declara Daniel, referindo-se também à presença de Luís Filipe Vieira na estreia de O Programa da Cristina. Para o responsável máximo da estação, a apresentadora não poderia ter estado melhor. «Esteve no registo certo. Esteve aquilo que nós esperávamos que fosse a Cristina».

Vive-se atualmente um dos momentos de maior euforia no daytime televisivo nacional. A competição pelos melhores resultados veio para ficar e o peso que os formatos deste horário ganham em antena cresce cada vez mais. «O daytime está a fazer aquilo que noutros países acontece há muito, nomeadamente nos EUA, em que estes programas não são tão estigmatizados. Estes programas chegam a muitas pessoas, para algumas delas são a principal companhia.»

Desde que assumiu os controlos da SIC que precedeu a várias alterações na sua grelha. Suprimiu programas, trocou-lhes o horário, contratou novos rostos, apostou em novos formatos. Os dados estão lançados. «Nós queremos oferecer um produto de qualidade em cada um dos horários em que estamos e ser competitivos em cada um deles. O investimento humano que nós colocamos aqui neste programa [da Cristina] corresponde a esse pressuposto de termos a melhor oferta possível.»

Ainda sem conhecer os resultados da tabela de audiências, à margem da primeira emissão do novo matutino, o diretor foi cauteloso. A imaginação pode recriar a receção da vitória. «A métrica de medição do sucesso de um programa de televisão não se mede apenas pelos números que vemos no dia a seguir. Há uma dinâmica global que um programa como este traz à estação.»

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O Márcio Ferreira, que escreveu essa notícia, esqueceu-se que “trás” está incorreto. Deve ler-se “traz à estação” e não “trás à estação”, como se vê nas linhas 4 e última desta notícia.

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