De Olho nos Segredos

A Entrevista – Pedro, o quarto classificado da «Casa dos Segredos 5»

Em mais de 100 mil candidaturas, Pedro teve a sorte de entrar na casa mais vigiada do país. Com vida estável enquanto administrativo bancário, o jovem alentejano entrou na Casa dos Segredos 5 no dia 21 de setembro. Sobreviveu os 101 dias, tendo conquistado o quarto lugar. Mesmo sem nunca ter recebido imunidades, Pedro não se considera o melhor jogador. «O melhor não digo porque houve ali pessoas que jogaram muito bem», responde ao site A Televisão

Qual é a sensação de chegares à final da Casa dos Segredos 5, sabendo que esta edição recebeu mais de 100 mil inscrições?

Uma vez disse no confessionário que nunca me tinha sentido uma pessoa especial, muito acarinhada pelos outros. Quando entrei eu fiquei “no meio de tanta gente eu consegui-me destacar mas porquê?” Alguma coisa hei-de ter para me fazer distinguir no meio de tanta gente, eu só não sei é o quê.

Mas tendo uma vida já estável, o que te fez entrar no reality show?

Eu tinha uma vida feita, emprego fixo, tinha acabado de renovar contrato antes de entrar na Casa. Fui para a Casa, se calhar, por estar um bocado cansado da rotina, da monotonia, do trabalho. Os dias eram todos iguais uns aos outros e eu sentia-me um bocado preso ali. Sentia a necessidade de levar uma lufada de ar fresco e saber o que era esta agitação toda.

No futuro, quando quiseres envergar numa profissão parecida ou não, não temes haver um estigma por teres entrado na Casa dos Segredos

O estigma somos nós que fazemos, nós temos a oportunidade de nos continuarmos a vincular ou não à Casa dos Segredos. O João Mota conseguiu desvincular-se da Casa dos Segredos, se bem que ainda se lembre de alguma coisa, mas tornou-se uma pessoa super independente.

Esperavas o quarto lugar?

Eu não esperava nem o quarto, nem o primeiro nem o terceiro, eu nem sequer esperava chegar à final. Quando houve a falsa expulsão, minha e da Cristiana, eu estava preparado para sair. Como estava toda a gente nomeada e não estava só a Elisabete e o Daniel, eu fiz mala pronto para ir embora.

E como é chegar a uma final sem nunca ter sido nomeado?

É bom! Eu nunca recebi nenhuma imunidade ao longo do jogo, todas as terças estava disponível para nomeação, no entanto, os meus colegas optaram por nunca me nomear. Porquê? Não sei.

O facto de teres chegado à final sem imunidades, ao contrário dos outros finalistas, faz de ti o melhor jogador?

O melhor não digo porque houve ali pessoas que jogaram muito bem. O Bruno foi um excelente jogador, a Elisabete e a Agnes também. A Flávia foi até um certo ponto uma pessoa muito apagada mas depois conseguiu dar a volta por cima e revelou-se uma boa estratega também. A Cristiana idem. Isso das imunidades é o que as pessoas se põem a jeito e o que o jogo vai pedindo.

Mas, de certa forma, é uma forma de manipular o jogo…

A quem foi entregue as imunidades, eram importantes na Casa e ao desenvolvimento do jogo. Acaba por não ser manipular o jogo, mas sim fazer valer o jogo.

Esperavas ser um dos preferidos cá fora?

Não, nada, zero. Eu comentava com a Cristiana que no dia que fosse a nomeações sairia automaticamente. As pessoas deviam pensar que eu era uma cobra venenosa e que andava ali a fazer a vida negra aos outros. Sempre tive essa opinião.

Mesmo contra as sondagens, ficaste em quarto. Possível manipulação? 

Não. Eu acho que não houve. Até porque há um júri que faz a contagem dos votos e não acredito que haja manipulação.

Qual é a tua opinião acerca do jogo feito pela Elisabete?

O melhor! Ela foi uma excelente jogadora do início ao fim, ela passou a adaptar-se a todas as circunstâncias que o jogo pedia. Ela esteve ali como peixe na água.

Mas, uma «excelente jogadora» no bom ou mau sentido? 

No bom sentido. Nós vamos para ali para chegarmos até ao fim, ela soube responder a todas as exigências que o jogo pedia, só posso dizer que foi uma excelente jogadora.

Muitos apontam que ela teve um «jogo sujo»…

O que é que é jogo sujo e o que é jogo limpo? As pessoas para irem para ali têm de ser ambiciosas e acho que a Elisabete foi ambiciosa o suficiente para alcançar aquilo que toda a gente queria. Se uns se deixaram desleixar e outros não, isso agora, “Presunção e água benta, cada um toma a que quer”.

Certo é que ela intrometeu-se na relação entre Bruno e Flávia. 

Eles sempre se deram bem e foram amigos lá dentro, faziam desporto e, na altura, a Elisabete estava um bocadinho mais com o Ricardo, por isso, as pessoas nunca associaram que ela acabasse por ficar com o Bruno. Eles foram suficientemente discretos para esconder ali as coisas e como ali as emoções se vivem a mil, há uma altura que já não se consegue disfarçar mais. Se entre duas pessoas as coisas já não estão bem, todas as pessoas têm direito a refazer a vida.

Revelados os resultados, poucos ex-concorrentes foram ter com Elisabete. Foi um final apagado?

A maioria dos concorrentes que lá estava, a Elisabete não tinha grande relação com eles. Eu não vou estar a falar pelos outros mas, se calhar, por isso optaram por não a felicitar. Eu em choque e na conversa com a Cristiana, estava com a fezada que a Agnes ia ganhar. Não que a Elisabete não tivesse mérito porque foi uma boa jogadora mas, eu assumi lá em Casa que entre Bruno e Agnes: um deles seria vencedor.

Porquê a Agnes?

Ela tem uma personalidade fortíssima e, igualmente com o Bruno, eram dois pilares ali em Casa. Faziam mover a Casa em torno deles e já que a corrente seguiu e o jogo lhes era favorável só tinham era que ganhar, era mais que merecido.

Tocando no teu segredo, muitos acusaram a produção de «brincar com o fogo» ao colocar palhaços na Casa. Condenas essa atitude? 

Meter lá palhaços era de certa forma brincar com o fogo, mas eu já sabia que a partir do momento que o meu segredo fosse esse, mais cedo ou mais tarde iria entrar alguma pista. Acabei por meter os pés pelas mãos no dia que entrou aquele circo e vi que não estava preparado para aquilo e ia ser descoberto.

Muitos associam-te ao papel de «cozinheiro» da Casa dos Segredos. Eras uma peça importante no xadrez?

Até ao fim, mesmo na altura da entrega de presentes, quase todos os presentes que me foram atribuídos tinham a ver com cozinha. Eu tenho uma enorme paixão por cozinha e fazia as coisas por gosto, nem sequer ia obrigado para a cozinha. Tenho pena que tenha sido sempre associado à cozinha e não à minha prestação na Casa como jogador.

Entre tantas discussões, destacas-te não por discutir, mas por despertar gargalhadas. Era essa a tua estratégia de jogo?

Não. A minha estratégia de jogo não era conquistar as pessoas através da graça, mas sim através da minha maneira de ser. Eu sou uma pessoa bem-disposta, com grande sentido de humor mas também sou uma pessoa um bocado torcida, se tiver que dizer as coisas digo, às vezes não da melhor forma. Sentia-me um jogador completo.

Seguiu-se o Desafio Final 3 onde assistimos a um Pedro mais apagado. O que aconteceu?

Foi um acumular de cansaço. Eu vivi a Casa 5 intensamente e o tempo que estive cá fora foi praticamente nenhum para descanso. Pensei que estava preparado para responder ao Desafio, afinal não. Mas, se a Voz me voltar a convidar para ingressar na Casa com todo o gosto o farei. Agora mais descansado, tranquilo, já recuperado e para voltar a ser eu próprio.

Sentes que devias ter seguido a mesma estratégia do Bruno?

Sim. Se calhar se fosse hoje teria dito que preferia descansar um bocadinho e colocava a hipótese de entrar mais tarde se fosse possível.

A Érica e o Fernando disseram que o Bruno perdeu a credibilidade. Concordas?

Não, o Bruno nunca na vida perdeu a credibilidade. As pessoas sabem que o Bruno também foi um bom jogador na Casa 5, que viveu a Casa ao máximo e é natural que nós, os últimos cinco, estivéssemos cansados.

Mas temos o exemplo da Érica que entrou no Desafio Final 2 com poucos dias de descanso face à Casa 4. Inclusive ganhou!

É verdade. Mas a Érica entrou cansada da Casa 4. Eu entrei cansado, doente e foi uma mistura de ambas que não me deixou estar ao máximo.

Que diferenças encontras entre uma edição normal e um Desafio Final?

O Desafio Final é uma coisa mais aguerrida, se nós na Casa já damos o tudo por tudo, ali é o tudo por tudo, por tudo, por tudo. São jogos completamente diferentes, há uma seleção dos mais polémicos ou dos que se destacaram mais de todas as Casas. Lá é mesmo o salve-se quem puder, vale tudo menos arrancar olhos.

Como amigo da Cristiana, qual é a tua opinião sobre a polémica em torno dela, Marco e Carlos?

A Cristiana é uma pessoa inteligente e muito forte, tem uma grande personalidade e como lutadora que é consegue dar a volta à situação. Acima de tudo é uma pessoa discreta porque ela se calhar prefere sofrer um bocado em silêncio do que pôr as outras pessoas na berlinda.  Aqui o problema será da parte das outras pessoas, do Marco e do Carlos. Acho que se a conhecem qual é o problema de admitir?

Foi uma polémica desnecessária? 

O Marco e Carlos são pessoas super queridas dos portugueses por aquilo que eu já reparei e foram pessoas com quem me dei muito bem lá dentro. O Marco tem um coração enorme, o Carlos tem uma personalidade super engraçada, mas a Cristiana é aquela menina engraçada e toda a gente gosta, é impossível não gostar da Cristiana.

Neste momento, quem são as pessoas mais descartáveis no Desafio Final 3?

Ninguém é descartável no Desafio Final, mas se calhar o Cláudio porque é uma pessoa que para mim nunca foi um jogador de destaque. Ele fez a final às custas da Jéssica.

Achas que estão juntos só pelo jogo?

Eu acredito que a Jéssica goste do Cláudio, o Cláudio da Jéssica já nem tanto. Ele aproveitou-se um bocadinho dela. Ela é boa moça pelo que já vi, uma menina muito doce, fiquei com pena de não ter vivido com ela porque eu gostava da Jéssica na Casa 3 mas pode ser que ainda tenha oportunidade.

E projetos para o futuro?

A minha tasquinha. E agora esta oportunidade da revista Mariana de escrever uma crónica sobre a Casa. Fizeram-me o convite, fiquei super empolgado e estou cheio de força para começar.

Muitos concorrentes gostavam de seguir o mundo da televisão. Gostavas também?

Sim, porque não? Um programa não, mas uma rubrica num programa. Um tema que me fosse dado e eu pudesse comentar e dar a minha opinião, sempre fiz isso, fora ou dentro da televisão. Se me fizessem o convite era uma hipótese a considerar.

Assista agora a mais um Extra com Teresa Guilherme, uma iniciativa do site A Televisão em parceria com a TVI e Endemol: 

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