De Olho nos Segredos

A Entrevista – Cinthia, ex-concorrente da «Casa dos Segredos 5» [Com vídeo]

A oitava semana da Casa dos Segredos culminou com a saída de Cinthia. Em entrevista ao A Televisão, Cinthia revelou que o seu objetivo principal era «demonstrar às pessoas que há preconceitos formados [sobre as pessoas] e que não é bem aquilo que a gente pensa». As pessoas não são todas iguais, é essa a premissa da mulher de Luís Mendes. Quanto à gravidez, que foi um marco na história dos reality shows em Portugal, defende que não é nenhum entrave para participar num programa. 

Quais eram os teus objectivos quando entraste na Casa dos Segredos 5?

O meu objetivo era demonstrar às pessoas que, às vezes, há preconceitos formados sobre determinadas categorias de pessoas, ou emigrantes, que não é bem aquilo que a gente pensa. As pessoas não são todas iguais e, portanto, vagamente era isso. Mas não só o preconceito, o tabu das grávidas e das mulheres casadas. Mostrar que as pessoas podem ser elas mesmo em programas de televisão. Quando eu entrei na casa pensava que não ia durar muito tempo. Pensei que o meu segredo ia ser o primeiro a ser descoberto, mas não foi, foi o terceiro. Também pensava que ia ser das primeiras a ser expulsa, não fui. Resisti a cinco nomeações e cheguei mais longe do que eu estava à espera. Correu bem, acho que cumpri o meu objetivo. Não me meti em grandes discussões.

Porque é que achas que ias ser «das primeiras a ser expulsa»?

Então, porque talvez se eu fosse a primeira nomeada, como fui – entre pessoas que poderiam dar mais ao jogo e personalidades mais fortes (que brigassem mais) – eu seria sempre uma pessoa neutra. Dava as minhas opiniões, mas não daria muito mais do que isso. Seria eu mesma, não iria mudar para dar canal. Achava que poderia haver pessoas mais interessantes para o formato que é.

Mas não sentiste necessidade de dar canal?

Não, até porque eu não tinha bem a perceção do que é que era positivo fazer para agradar alguém. Talvez se existisse alguma coisa que não fosse confortável para mim ou que não ferisse os meus princípios, eu até poderia fazer. Mas lá dentro você não tem noção do que é que vai pegar, e na dúvida melhor ser quem você é.

O teu segredo foi «feito» à última da hora. Quando descobriste que estavas grávida porque é que não ponderaste desistir da tua participação? 

Não há problema nenhum uma grávida participar num reality show. A gravidez não é doença… Quem dera a muitas grávidas que estão a trabalhar até ao nono mês poder ir para a Casa dos Segredos. Sempre mantive [o meu objetivo], até porque me deram garantias de cuidados médicos. Sempre me senti muito bem tratada. Portanto, a minha vida lá dentro não ia mudar muito de aqui de fora. Moramos os dois sozinhos há quase sete anos, logo, só mudaria o cenário.

Durante anos, o teu marido [Luís Mendes] foi conhecido como o «ex da Gisela». Agora, achas que é conhecido como o marido da Cinthia?

Ai, ainda não sei, sinceramente. Mesmo que não for, pelo menos a mentalidade está atualizada. As pessoas não faziam por mal. Eu se calhar também vejo e «Olha, está ali a mulher do jogador de futebol», por exemplo. É inevitável. O nome às vezes não vem tão facilmente.

Sentias-te desconfortável com essa situação?

É assim, não me era indiferente, porque nenhuma mulher gosta de ouvir… É que eles nem falavam o «ex», diziam o «marido da Gisela». Mas eu conseguia levar na desportiva. É claro que tantas vezes, tantas vezes… uma pessoa fica desconfortável, mas não ficava chateada nem nada.

Casa dos Segredos 5 foi uma experiência positiva?

Eu sempre ouvi falar que quem vai para lá, aquilo só prejudica a vida e que é uma ilusão. Eu acho que isso tem a ver muito com os concorrentes em si. Mas eu nunca estive iludida e nem estou iludida. Eu sei que este aparato todo é passageiro. Se a pessoa souber disso, for ela mesmo na casa e não se meter em grandes polémicas, acho que é uma experiência como qualquer outra… Claro que é a nível nacional, mas não há nada a temer. Vou tentar tirar proveito, principalmente para o Eduardo. Já conseguimos algumas coisas para o bebé. Tenho muitos mais fãs do que aqueles que estava à espera, mas também sabia que isso poderia acontecer. E agora é aproveitar ao máximo. Quando passar, a vida volta ao que era.

Há quem diga que assistimos a duas Cinthia: Uma Cinthia com o Luís e uma outra sozinha…

Claro que qualquer pessoa que viva com o marido, sem ele é impossível ter o mesmo comportamento, não é? Com ele lá eu estava muito mais à vontade, eram outras situações. Quando ele saiu, a pessoa leva um choque inicial. Claro que você ali está carente, ainda por cima eu grávida – é natural que a pessoa demonstre algum sentimento de tristeza, mas nada que não vá passar ou que não é suportável. É claro que eu também tinha noção de que se não fosse para chegar à final, não valia a pena estar ali porque estaria a privar o Luís da evolução da gravidez, dessas coisas todas. E aquilo cansa, porque há rotinas, há horários para acordar… É cansativo, mas é suportável. Portanto, ali é uma questão de ponderar interesses.

Achas que o facto de o Luís ter já saído da casa pode ter influenciado a decisão dos portugueses?

Sim, porque se eu tinha esse pensamento de estar a privá-lo da gravidez, muitas pessoas devem ter pensado o mesmo. Se ele tivesse ficado no jogo, até poderíamos ter chegado os dois à final. Era uma possibilidade. Mas ele saindo, dividiu opiniões. As pessoas remam para sentidos diferentes e é aceitável esse pensamento também.

Tu acusaste alguns dos teus companheiros de jogo de manipular resultados. Caso não tivesse havido essa manipulação poderias ter ficado salva na noite de nomeações? 

Não, eu não. Talvez a Flávia, o que também poderia alterar o destino, porque se fosse o Ricardo, talvez saíria o Ricardo e não eu. Mas até podia ser o mesmo resultado, a questão é só mesmo a troca de informações. Eles mostraram para mim e para as pessoas todas da sala que realmente eles queriam muito aquilo e se fosse preciso proteger algum deles ou eles mesmo, eles iam partir para um jogo mais agressivo. Eles não pensam antes de fazer, queimaram-se desnecessariamente porque o resultado até poderia ser o mesmo. Só que eles no pânico de puder dar errado tiveram que fazer aquilo.

Na semana passada tivemos três nomeadas que pertencem ao anti-grupo liderado por Bruno. Esta semana é o Ódin, o Fernando e o Ricardo. Quem é que achas que vai sair?

Vai sair o Ódin porque dos três é a pessoa que mais comete erros na casa. É a pessoa que mais choca com os princípios dos portugueses. Portanto, ele ofende muito a Daniela (não que ele não seja também ofendido). Mas há ali toda uma falta de respeito, que é mútua, mas uma vez que ele é o homem da relação (digamos assim, da relação que não existe), ele teria que poupá-la mais. Não sei se é transmitido cá para fora, vocês têm muitos pis. Mas para nós, que estamos lá dentro e ouvimos de facto o que é transmitido a ela, são palavras muito fortes e claramente ninguém concorda com aquilo. Nem uma mãe ou um pai gostaria que a filha fosse tratada daquela maneira. E depois nas discussões com o Bruno ele se exalta muito e baixa o nível da discussão outra vez. É um pouco estúpido com a Agnes também, portanto, o pior erro dele é ofender as mulheres de forma muito baixa.

Esta edição está a ser marcada por muitas ofensas, palavrões e alguns comentários racistas/xenofóbicos/homofóbicos. «Eles esquecem-se que estão a ser filmados», é um argumento válido?

Não, eu acho que não é por aí. Eu acho que na verdade as pessoas têm muito o hábito de dizerem sem pensar. Eu já fiquei sabendo que o Hugo disse uma coisa sobre os negros, que sinceramente eu acho que ele nem pensa. Só que a pessoa na hora está ali a falar aquilo, e como está tão habituada a falar aqui fora «ai os pretos isto, os pretos aquilo», isso é muito ofensivo. Para já não se trata por pretos, trata-se por negros. Mas todos vocês aqui falam por pretos, mas não é por mal, epá… é uma gíria que pegou. E eu consigo perceber isso, só que na televisão tem que se ter um cuidado acrescido porque as pessoas sentem-se ofendidas. Acho que eles falam da boca para fora, falam sem pensar e depois o preço a pagar é alto.

Temos assistido a uma Voz mais branda. As penalizações não tem sido as melhores. 

Eu acho que devia haver uma penalização exemplar. Se logo no início tivesse existido uma nomeação direta, que não era tão grave, como eles são imaturos, talvez funcionaria melhor. Eles iriam pensar «epá, afinal a coisa é grave e afinal não vou fazer isso porque posso sair daqui para fora». Mas eles não foram por aí até porque se fosse um concorrente chave poderia sair pela polémica, aliás, como aconteceu com a Inês…

Em relação à granada, como é que é sair do jogo e ter este poder?

Para mim a granada não foi nada de surpreendente porque de todos na casa eu não consigo ter um motivo forte para nomear ou querer que alguém não esteja no jogo. E a pessoa que eu tenho menos afinidade é o Fernando, e sempre foi, ele também me nomeava. Portanto, era mútuo, a «troca de favores». E só pelo simples facto de eu achar ele uma pessoa muito estranha, eu não via transparência da parte dele e isso era a única coisa que eu podia me agarrar para nomeá-lo. Ele é um livro fechado e não me transmite qualquer confiança.

A Vânia nomeou o Hugo e ele foi expulso. Vais sentir culpa se for o Fernando a escolha dos portugueses?

Não. Primeiro eu acho que não vai ser ele, mas mesmo se fosse, e se eu não nomeio é porque para mim é o que menos faz falta à casa, não teria qualquer problema com isso. Até porque se você nomeia uma pessoa é muito hipocrisia dizer «ah coitado, saiu porque eu nomeei». Isto é um jogo e não fui eu que o coloquei na rua, assim como não foi a Vânia que expulsou o Hugo. As pessoas têm que ser imparciais e ver as coisas como elas são.

Quando tu estavas dentro da casa, quem é que tu achavas que era o concorrente mais popular?

Quando o Hugo saiu, para mim foi um choque muito grande. Apesar de eu saber da rivalidade entre os fãs da Vânia e o Hugo e toda aquela confusão, eu sempre tive em mente que ele era o meu top 5. Dos que estão lá hoje, o Daniel e a Liliana são populares… Mas lá está, popularidade não é sinónimo de ser amado pelo país todo.

E agora estando cá fora, estavas à espera, por exemplo, da popularidade de Agnes e Bruno?

Eu ainda não tenho essa perceção, porque ainda não vi muita coisa. Eu por acaso tinha essa noção dentro da casa, até porque são as pessoas que eu mais me aproximei e é claro que eu só me iria aproximar de pessoas que eu acho que as pessoas aqui fora também gostavam. Ou seja, as pessoas mais agressivas no jogo eu não me identifico e tenho a perceção que as pessoas aqui fora também não gostam disso.

Todos na casa dizem que são frontais. Para ti, quem é realmente frontal na Casa dos Segredos 5? 

O Bruno é frontal, a Agnes é frontal, e quem mais…?

O Ódin?

O Ódin é frontal quando convém, mas não deixa de ser frontal. Ele quando fala o que pensa. E se for preciso ele se passar, ele fala na tua cara. Isso para mim é frontalidade. O Pedro também é frontal. Só que há pessoas que pecam na frontalidade, quando ultrapassam a frontalidade. Frontal para mim é sempre o Bruno e a Agnes.

Para ti, qual é o justo vencedor desta edição?

Eu acho que isso vai ser decidido mesmo na última semana pelos portugueses. Mas para mim, do percurso e da história e de que como as coisas enrolaram até agora, seria o Bruno ou a Agnes. As pessoas já tiveram tempo de conhecer o verdadeiro Bruno. É claro que se eu disser pura e simplesmente que ele esteve com três mulheres ao mesmo tempo, nem eu gostaria dele só por esta frase. Mas as pessoas são mais do que aquilo que fizeram no passado. Mesmo sendo os dois meus amigos, preferia dar ao Bruno porque se a Agnes chegasse à final eu já sabia que ela estaria 100% preenchida. Ela própria disse que não entrou pelo dinheiro, entrou para promover o disco e entrou para mostrar às mulheres, para elas serem fortes. Acho que o objetivo dela está a ser cumprido.

Vais ter a necessidade de salvaguardar a identidade do Eduardo?

Não vou fazer isso, mas também não condeno quem o faça. Tem os riscos normais, mas eu – quando aceitei entrar para a casa com um segredo desses – era completamente aceitável que as pessoas se apegassem ao Eduardo, mais do que a mim. E agora que já criei essa expectativa toda, não posso desapontar as pessoas.

Tu queres ser juíza. A tua participação na Casa dos Segredos 5 não será um entrave para a realização do teu sonho? 

É assim, para juíza não é de certeza, porque o processo é através de provas e há imparcialidade quanto a isso. Mas para advocacia, talvez sim. Todo o mundo sabe que os juízes devem ser imparciais. Se ele não quiser, eu respeito, ele é o patrão e tem todo o direito em escolher os candidatos. Mas eu agora para mim não iria também estar confortável numa empresa que taxa as pessoas por isso ou por aquilo. A Casa dos Segredos nem é um motivo forte para escolher os candidatos. Eu sei do meu valor, por isso quem estaria a perder seria a entidade patronal.

Assista agora ao 4º Extra com Teresa Guilherme, uma iniciativa do site A Televisão em parceria com a TVI e Endemol:

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