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A Entrevista

A Entrevista – Simone de Oliveira

Destaque Simone De Oliveira A Entrevista - Simone De Oliveira

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A menina da canção que conquistou Portugal em 1969. A atriz e cantora. Uma voz inconfundível, uma personalidade forte. Sempre rebelde e inconformista, continua a desafiar o «politicamente correto» e a retirar dos momentos menos bons da vida um ensinamento positivo.

No ano em que completa 55 anos de carreira, Simone de Oliveira lança um novo álbum, «Pedaços de Mim», e um novo livro, «Simone, Força de Viver». A questão que se impõe é: qual o segredo do sucesso? «Gostar de viver. Faço tudo para estar o melhor possível, faço tudo para não fazer mal aos outros», foi a resposta possível.

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– Boa tarde, Simone. Qual o projeto em televisão que guarda com mais saudade no seu coração?

– Eu gostei muito do Piano Bar, transmitido em 1988. Assim como gostei do Café Lisboa, que foi um programa na RTP Internacional durante um ano e meio, para o mundo. Gostei de fazer quase todas as telenovelas. Eu gosto de fazer telenovela, eu gosto de cantar, eu gosto de fazer teatro. Em televisão, as coisas que eu gostei muito de fazer, por exemplo, já disse essas duas – uma há poucos anos, outra já há muitos anos. Mas foram pontos de referência, penso que para mim, pois conheci pessoas, conversei com pessoas (desde poetas, escritores a Presidente da República). Portanto, eu gosto é de pessoas. Eu não gosto dos cargos, nem dos títulos. Fundamentalmente, eu gosto de pessoas. E felizmente conheço muitas pessoas que valem a pena.

– Com que canal se revê mais? Acompanha regularmente algum formato?

– Normalmente vejo o Primeiro Jornal [SIC], porque acho o Pedro Rodrigues um extraordinário pivot. Depois, à noite, passo para a quatro: gosto de ver a Judite de Sousa. Não vejo debates políticos, que é uma canseira (não tenho paciência). Vejo um bocadinho de Sol de Inverno, vejo um bocadinho de Belmonte. Depos acompanho Downton Abbey, na FOX Life. Há também várias coisas na FOX Crime que eu gosto, como o Midsomer Murders. Há várias coisas, olhe… depende do dia! Às vezes vou para os canais de música… Depende do dia, depende da minha disposição.

– Estou a ver que é fã de alguns programas da generalista… Então, como avalia o atual panorama televisivo em Portugal?

– Oh meu amor, como em todas as situações, há coisas boas e há coisas más. Se você quiser ver coisas más, isso é problema seu. Eu normalmente gosto de ver coisas razoáveis. E faz-se boa televisão em Portugal, concerteza. Há coisas de que eu gosto. Francamente, não podemos ser tão derrotistas… Quem sou eu para me estar aqui a esplanar sobre coisas do género «como avalia o panorama da TV em Portugal?». Oh meu querido, é uma frase tão antiga (e desculpe lá a minha franqueza): é aquilo que pode ser, é aquilo que nós quisermos que seja. Depende das estações, depende dos conteúdos, depende das escolhas, não é? Acho eu.

– Em 1969 vence o Festival da Canção com o maior êxito da sua carreira, «Desfolhada Portuguesa». Hoje, o que é que esta canção significa para si?

– É o meu ADN [risos]. Faz parte do meu ADN. É uma canção que faz parte deste país, não faz só parte de mim, graças ao texto do José Carlos Ary dos Santos. É uma canção que faz parte deste país, quer se queira, quer não se queira, quer se goste ou não. É o que eu acho da canção. Tive eu sorte de a interpretar, muito bem, mas a canção existe pela força que ela tem.

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– Este ano, a RTP não organizou o Festival da Canção e, consequentemente, a ida à Eurovisão. O que pensa sobre isto?

– Acho que devia haver sempre um festival de música todos os anos. Mas um festival com uma orquestra ao vivo, um bom teatro como se fazia há uns anos atrás. Custa-me muito perceber um Festival da Canção com música gravada. Estou em perfeito desacordo. Como não gosto de fazer playback, tenho uma grande dificuldade em aceitar os playbacks.

– Após uma participação especial em Mundo ao Contrário, não recebeu mais convites para a ficção. Gostava de ter um papel de destaque numa novela?

– Tudo o que vier para trabalhar, eu faço (seja de destaque ou não seja de destaque). Isso para mim não é importante. Importa é trabalhar e aquilo que me derem para fazer, eu conseguir bem feito. De resto, depois está no critério das pessoas, está na opinião das pessoas. Eu não tenho essa postura, não tenho. Não tenho mesmo, nem nunca tive.

– Caso recebesse um convite da SIC para interpretar o genérico de Sol de Inverno, aceitava?

– O genérico de Sol de Inverno está interpretado.

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– Refiro-me a uma nova roupagem, tal como Luciana Abreu fez…

– Não, neste momento não.

– Recentemente, foi noticiado na imprensa que a Simone não aprovou a versão de Luciana Abreu para a trama da SIC. Qual o motivo para não ter ficado satisfeita?

– A interpretação dela não é feliz e, inclusive, está desafinada, como toda a gente pode ouvir. Não, não foi uma interpretação feliz. Já a vi fazer coisas muito bem feitas, sobretudo naquele programa da TVI, o A Tua Cara Não Me É Estranha (aliás, visto pessoalmente). Neste momento, aquela interpretação não é feliz.

– Porquê?

– Terá tido razões que eu desconheço, mas que não é feliz, não é.

– No passado dia 31 de outubro aconteceu o lançamento do seu novo livro «Simone, Força de Viver». Fale-nos sobre esta obra.

– É um livrinho muito bem feito pela Patrícia Reis, que apanhou muito bem a minha forma de falar, e onde conto as histórinhas da minha vida (ou algumas histórias da minha vida). Não é nenhuma obra. Isso é para o Camões e para outros tantos. Isto é um livro, um simples livro, muito bem escrito pela Patrícia Reis. É só isso, não é mais nada [risos].

– Está confiante quanto ao sucesso do livro?

– Por aquilo que sei, pelo pouco que sei, acho que sim. Acho que as pessoas gostam (pelo menos é a opinião de dois ou três amigos que o leram). Dizem-me com uma certa graça que estão a conversar comigo. E, portanto, isso é uma coisa que me deixa muito feliz. É sinal que a Patrícia apanhou muito bem a minha forma de falar, a minha forma de me expôr, a minha forma de contar as coisas. Acho que sim, penso que está a correr bem…

– A pergunta que não podia faltar nesta entrevista: que balanço faz dos seus 55 anos de carreira?

– Ótimos, maravilhosos, deslumbrantes, com coisas boas, com coisas más… Exatamente como a vida de qualquer pessoa. Tenho as maiores e mais gratas recordações de salva de palmas, de pequenos bilhetes, de pequenos abraços, das palavras ditas quando eu vou fazer compras. Acho que tenho tido a sorte de ter uma vida muito boa, com coisas más (como a vida de todas as pessoas).

– Que projetos ainda gostaria de desenvolver? Que sonhos estão por concretizar?

– Aqueles que me derem, que eu esteja bem de saúde e que eu tenha capacidades de os fazer. Não esquecer que eu sou uma senhora com alguma idade, portanto, não posso interpretar concerteza uma mulher de 50 anos. Quer dizer [risos]… Nem posso atravessar a ponte a correr. Vamos medir as coisas conforme a idade que as pessoas têm. Eu tenho esta idade e ainda bem que cheguei cá. Portanto, tudo o que vier para eu fazer, que eu sinta capacidade e que eu seja capaz de fazer, fá-lo-ei de todo o coração, com toda a paixão e com toda a sinceridade que sempre pus nos meus trabalhos.

– Sente-se acarinhada pelo povo português?

– Ah, sim. Completamente, absolutamente. Acarinhada e respeitada. É muito bom, é muito bom. Faz-me muito bem, faz muito bem à minha alma. E não só. Há determinados momentos em que eu penso mesmo: com toda a crise que se atravessa neste momento… tudo valeu a pena.

– Qual o seu maior medo?

– Oh filho, são tantos… Eu acho que essa história dos medos [pausa] Não sei, não sei. Olhe, muito sinceramente, não sei. Gosto de acordar viva todos os dias, pronto [risos]!

– A verdade é que ao fim destes anos todos ainda se mantém ativa e jovial. Qual é o seu segredo? Onde é que vai buscar forças e energias?

– Gostar de viver, meu querido, gostar de viver. Eu gosto muito de viver, faço tudo para estar o melhor possível, faço tudo para não fazer mal aos outros, faça tudo por ser grata. Não quer dizer que não tenha dias menos bons, claro que tenho dias menos bons. Mas, fundamentalmente, eu gosto muito de viver. E acho que tudo vale a pena.

– Para terminar, peço-lhe uma mensagem para os leitores do A Televisão.

– Pronto, então vamos lá aqui mandar um abraço grande para o site A Televisão. Espero que continuem a fazer o favor de gostar um bocadinho de mim. Eu sou isto mesmo, não sou outra coisa. Muito obrigado por me acompanharem. E acompanharem quem faz o favor de me acompanhar. E até uma próxima, concerteza. Bom Natal!

– Muito obrigado pela entrevista, Simone. Um grande beijinho e um excelente Natal também para si.

Dividerblack A Entrevista - Simone De OliveiraMensagem de Simone de Oliveira para o aTV:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=f6upPsGZZSg]

Agradecimentos: Leonor Viana – Matéria-Prima Edições

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