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A Entrevista

A Entrevista – Rui Pêgo

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Rui Maria Pêgo regressa à televisão como repórter do The Voice Kids. Está nos bastidores com os concorrentes e prega até algumas partidas aos mentores Anselmo Ralph, Daniela Mercury e Raquel Tavares. Pela primeira vez a trabalhar com um público tão jovem, o repórter não se assusta com o desafio e em jeito de brincadeira diz que tem um lado babysitter e que, por isso, se considera integrado no projeto. Rui Pêgo partilha no A Televisão como tem sido esta nova experiência na RTP1. «Está a correr muito bem, mas não esperava a grande aceitação do público».

2 A Entrevista - Rui Pêgo

Que balanço fazes da experiência no The Voice Kids?

Acho que está a correr muito bem, estou muito contente. Confesso que estou um pouco surpreendido porque achava que o Factor X era um formato um bocado blindado e forte. O programa [The Voice Kids] está muito bem feito e faz aquilo com uma extrema dignidade. Nós não exploramos minimamente as realidades das crianças, estamos muito mais interessados no talento. O formato é muito simpático, não tem aquela coisa que é muito típica às vezes nestes formatos de maior orçamento; não explora as histórias dramáticas das famílias.

Não esperavas a grande aceitação do público?

Não, não esperava. Eu esperava que o The Voice fizesse números simpáticos, aliás, eu sempre soube que é um formato forte, mas o Factor X teve muita audiência na primeira edição e a Casa dos Segredos é um rolo compressor. A Casa dos Segredos, como nós sabemos, tem sempre audiências esmagadoras, e isso agora não acontece porque as crianças desarmam qualquer um. Ser o segundo classificado naquela noite que é a mais importante da televisão portuguesa, é ótimo. Fico muito, muito contente. Um dia adorava ganhar à Casa dos Segredos, mas ambos sabemos que é um bocadinho difícil (não falamos para o mesmo target). Mas quem sabe, não sei, se calhar as galas…

Se calhar as galas…

Acho que o público vai continuar a acompanhar nas galas. Não sei se vai ultrapassar o Secret Story. Acho que pode acontecer, mas não te vou dizer «Sim, vai ganhar». Não faço ideia. O certo é que as pessoas estão interessadas no The Voice e, domingo após domingo, os números assim o demonstram. Vamos ver o que é que acontece.

O que é que faz da Casa dos Segredos líder de audiências?

O que eu acho é que há sempre um lado voyeur que não morreu, com os trezentos Big Brothers que já houve. A atração pela desgraça faz com que o Secret Story seja sempre um sucesso. E depois aquilo é um programa que existe ao longo do dia. Tu vais lá e podes ter a tua dose diária de ódio ou de amor, por aquilo que está a acontecer. E é normal que as pessoas se entreguem mais e tenham um investimento emocional maior com aquele programa e, portanto, o escolham como o programa de horário nobre. Portanto, aquilo vai continuar a existir…

Tudo indica que esta é a última edição.

Se é a última edição, acho que fazem bem porque está um bocadinho gasto, na minha opinião, e isso nota-se nas audiências. Por outro lado, acho que as pessoas vão ter sempre curiosidade em ver o que é que os outros andam a fazer.

Ouvi dizer que não contaste logo aos teus pais que ias ter um novo projeto na RTP…

Foi a minha mãe que disse isso, não foi? De início, no Curto Circuito, eu não contei a ninguém, de facto, quando foi o casting. Agora, no The Voice, eu contei quando já estava fechado. Não ia estar a dizer que ia fazer o casting e podia não ficar (isso não me pareceu tão interessante). Achei mais interessante contar que tinha ficado. A partir do momento em que fiz o casting e que a coisa podia correr bem, aí sim comuniquei, provavelmente. E fiquei surpreendido por ficar, porque achei que teria se calhar um tom um bocadinho irónico e que podia não ser a primeira opção para um programa de crianças.

Coitados dos miúdos que saem tristes e lá vais tu consolá-los. Tens um lado babysitter?

[risos] Tenho um bocadinho, tenho um bocadinho esse lado babysitter! A dada altura eles também ficam um bocadinho tristes, porque aquela emoção não é uma emoção que seja comum no dia a dia deles. Eu sou a primeira pessoa que os entrevista depois de saírem do palco, e tem sido surpreendente para mim porque muitas vezes eles não estão tão destruídos quanto isso: até estão muito bem, muito sérios e normais e percebem que foi uma experiência que não correu bem; outras vezes estão contentíssimos porque adoraram cantar. Os miúdos são muito bem educados, lidam muito bem com aquilo que está a acontecer e são disponíveis – que era uma coisa que eu tinha medo que acontecesse, porque às vezes as crianças fazem birras e não querem falar…

Quando as crianças só respondem «sim» ou «não», como é que tu dás a volta?

Tento dar a volta com alguma coisa que aconteceu em palco e fazê-las rir. É muito através da surpresa que tu consegues criar um entretenimento que seja interessante. E com as crianças, quando elas só dizem «sim» ou «não», se tu fores por uma coisa que é a realidade delas, se fizeres uma pergunta «Como é que é na escola? / Estás preparada para o que é que vai acontecer na escola?» e de repente tirares a cabeça delas desse medo ou desse nervosismo, elas depois falam imenso.

Estou a ver que gostas de trabalhar com crianças.

Adoro, aliás, sempre que me fazem essa pergunta, eu digo que estou a adorar esse lado. Os adultos já têm uma leitura da vida muito fechada, já sabem o que é que querem, já sabem o que é que são, já sabem o que é que vão dizer para causar impacto. As crianças não, as crianças são muito honestas e sinceras e não estão com coisas, dizem a verdade. E eu como tento ser assim, e às vezes corre-me bem, outras vezes corre-me mal, identifico-me com isso. Como elas não se levam a sério, tudo é muito mais fácil e surpreendente. Acho que os pais hoje em dia andam a fazer um ótimo trabalho [risos].

Às vezes os pais não ficam muito contentes com os resultados.

É natural, faz parte. Imagina, há dez anos que têm esta criança, esta criança é os «olhos» destas pessoas, é o talento máximo lá de casa. O talento máximo lá de casa não quer dizer que seja o talento máximo do programa. Portanto, consigo perceber que para algumas famílias seja difícil. Mas não houve nada de extraordinário, não tive nenhum momento desconfortável com o pai da Fanny ou da Carina.

As picardias entre os mentores são realmente espontâneas ou não passam de puro show off?

Quem, os mentores? Eu acho que eles são verdadeiramente espontâneos [risos]!

Mas há pessoas que pensam que aquilo é tudo encenado…

Não, não. Eles picam-se a sério! Eles querem mesmo roubar os miúdos uns aos outros. É assim, nós não nos podemos esquecer que é um programa de televisão. Tem que haver uma dose de entretenimento e drama. Não acho que seja propositado ou mentira. Os mentores são incríveis, todos à sua maneira têm o seu cunho pessoal. Acho que a Raquel é um bicho extraordinário em televisão, é um animal incrível, porque aquela cara faz 343 expressões. O Anselmo toda a gente adora e a Daniela é aquele furacão que toda a gente conhece.

Será a Daniela Mercury o grande trunfo do programa?

O The Voice é um conjunto de fatores. Acho que nós temos um ótimo naipe de candidatos. E às vezes é difícil, porque não há tantas crianças quanto isso, que cantem de forma extraordinária – até porque se calhar estão na escola e têm mais que fazer do que ir para um programa de talentos. No que toca a essa tua pergunta, se a Daniela Mercury é o trunfo do programa, não concordo nada, até porque os mentores têm o seu espaço de antena muito equiparado. Não é de repente, imagina, 10% da Raquel, 10% do Anselmo e 80% da Daniela. A Daniela é um fator importante, claro, porque é uma pessoa muito conhecida, mas o Anselmo tem imensa popularidade e a Raquel a mesma coisa. E todos apelam a targets diferentes, logo, todos têm o seu peso.

E a Mariana Monteiro, encaixa bem no papel de apresentadora?

A Mariana Monteiro está ótima, acho-a muito bonita e acho que é muito próxima dos concorrentes. E fiquei muito entusiasmado por ela, porque gosto muito dela. Conhecia-a mal, mas fiquei a conhecê-la melhor com o programa, e depois também fui lá a Água de Mar gravar algumas coisas. Tem um grande caminho à sua frente.

Não achas que este ano houve uma aposta exagerada em talent shows? The Voice, Factor X, Rising Star

Isso é uma leitura tua, essa aposta exagerada. Os talent shows são sempre interessantes, na sua maioria, porque nos dão entretenimento e porque nos fazem sonhar. E isso é uma coisa que atravessa a história, percebes? Desde a Grécia Antiga, que quando uma história é contada, tu queres saber se o herói se safa ou se não se safa. Isto é uma coisa internacional, não é um exclusivo de Portugal. Aliás, as pessoas que dizem que são demasiados talent shows, depois vão ver na SIC Mulher ou noutros canais os formatos internacionais. Nós adoramos talent shows, só não havia tantos.

4 A Entrevista - Rui Pêgo

Estreaste-te há seis anos como apresentador do Curto Circuito. Notas alguma evolução no programa?

O Curto Circuito evolui com as gerações. Acho que esta fase é representativa das pessoas que vêem o programa (14-17 anos). E estas pessoas querem ver aquele tipo de conteúdo, por isso é que o programa é assim. Ou seja, não é pior nem é melhor. Se calhar tu não te identificas tanto porque estás mais velho… E eu se calhar hoje em dia não vejo o Curto Circuito, tenho idade para ver outras coisas. Mas quando fazia o Curto Circuito, o nosso aparente caos, a nossa liberdade extrema também tinha a ver com as pessoas que nos viam em casa, que queriam aquele tipo de conteúdo. Hoje em dia é muito mais focado na internet, muito mais focado em coisas que naquele momento são virais. O Curto Circuito tem uma coisa ótima, que é: promove uma evolução constante nos apresentadores. Não há escola melhor e tenho a certeza que quem fica no Curto Circuito é porque tem capacidades para isso.

É difícil carregares o peso de seres filho de quem és?

Acho que é difícil ter que continuar a responder a essa pergunta. Mesmo que eu achasse isso, como estão sempre a fazer essa pergunta, criam uma perceção que não existe. A minha vida é perfeitamente normal, tenho um trabalho como qualquer pessoa e é coincidente que os meus pais sejam quem são. E não tenho mais nada a acrescentar a essa questão, porque é sempre igual.

A verdade é que ainda há quem diga «Olha, é o filho da Júlia Pinheiro. Está ali a fazer aquele trabalho porque tem cunhas».

São sempre os mesmos que dizem isso. As pessoas precisam de bodes expiatórios para libertarem as próprias frustrações, por não terem conseguido algumas coisas. E depois procuram nos outros as suas próprias inseguranças. Sinceramente, passados seis ou sete anos de trabalho contínuo, em vários sítios diferentes, é um bocado absurdo que alguém ainda diga que eu estou a ser ajudado. As empresas não têm interesse nenhum em ficcionar talento, ou ficcionar trabalho. Percebo que exista essa perceção porque estamos em Portugal e as pessoas têm sempre essa leitura, mas eu não tenho o melhor croissant na pastelaria.

Nunca foste ajudado?

Eu desafio essas pessoas que acham que eu estou a ser ajudado a irem ver o meu percurso em televisão. A partir do momento em que eu fiz o Curto Circuito, eu não trabalhei muito em televisão… Portanto, fui muito ajudado, não é? Tem a ver com isso. Fiz imensos programas em horário nobre, depois de a minha mãe aparecer na SIC, como toda a gente sabe [ironia]. Acho que é um bocado burrice, e desculpa lá o termo, as pessoas terem sempre a tendência de irem buscar esse tema, quando eu nunca fui ajudado, de alguma forma até fui prejudicado. E sinceramente é um tema que já se esgota em si mesmo.

Estás sempre envolvido em polémicas nas redes sociais. Não tens receio de pisar o risco?

Mas eu tenho-me controlado ultimamente, ouve lá, não sei o que é que estás a querer dizer [risos]! Eu percebi é que não valia a pena dizer completamente aquilo que acho, porque as pessoas levam a mal. Não conseguem perceber que é uma piada, ou de alguma forma entendem isso como um ataque. Se fosse um humorista qualquer já não fazia mal nenhum. Portanto, eu não piso o risco no Facebook ou no Twitter. Eu digo coisas que outras pessoas diriam também, e é a minha opinião. A minha opinião não tem que ser ofensiva, e tento que não seja.

As revistas também alimentam muito essas polémicas.

É assim, aquilo que para mim era de início um exercício de humor, e era só divertido, e que não tinha como objetivo ofender ninguém, de repente era depois utilizado algumas vezes nas revistas como uma coisa que eu disse que era horrível. E não é nada esse o caso. Eu provavelmente se estivesse com essas pessoas num jantar diria a mesma coisa e elas reagiam, mas como é num sítio qualquer, ficam chateados. Pronto. Se calhar o dia não está a correr muito bem e ficam chateados com alguma coisa, eu percebo.

Se fosses diretor de uma estação de televisão, que medidas tomarias?

Olha, punha-me de manhã à noite, se tivesse um canal de televisão [risos]. Não, não fazia nada disso. Que decisões tomaria? Isso é muito difícil. Eu acho que as pessoas tentam fazer o melhor que podem, com aquilo que têm. Não estou a falar de ninguém em particular, Eduardo! Estou a falar das estações de televisão. A maior parte das pessoas consome tudo no cabo ou na internet e eu acho que nós vamos assistir a grandes mudanças. O que eu tentaria é que pessoas que têm vozes (que são diferentes, que são sonantes) que tivessem também espaço para puderem expressar as suas opiniões, sem medo de represálias. Acho que devia haver mais programas de opinião, em horários mais acessíveis, mas, ao mesmo tempo, percebo que isso neste momento não interesse tanto porque há outros interesses.

A RTP está a fazer um bom trabalho?

A RTP está fazer um trabalho incrível, tem uma linha de programação muito transversal. O Bem-vindos a Beirais é um ótimo formato. Conheço muitas pessoas que preferem Beirais do que outras apostas das televisões, porque identificam-se com aquilo que está a acontecer; e o mesmo com Água de Mar. O Quem Quer Ser Milionário, que é um concurso, e a estação pública deve promover o saber. Fico contente que alguém como a Manuela Moura Guedes tenha espaço para nos entrar pela casa dentro, porque ela tem graça e tem uma contundência muito característica (e que eu aprecio). A RTP faz um esforço constante para promover pessoas novas e, portanto, acho que nesse aspeto as televisões fazem o que podem, umas com mais sucesso e outras com menos.

Pretendes continuar a vestir a pele de repórter?

Eu divirto-me muito e é uma coisa que é sempre diferente (que não é sempre igual, como estar no estúdio). Mas sim, claro que sim. Eventualmente gostaria de noutros formatos ou noutros contextos estar em estúdio e, se quiseres, ser apresentador de um formato ou de outro. Agora estou a ser repórter, já fui apresentador, mas a coisa não me preocupa minimamente. Não acho que seja um trabalho com demérito, ou seja, menos importante daquilo que se faz em estúdio. É importante saber fazer tudo. Ser repórter ou ser apresentador, para mim é igual.

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