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A Entrevista

A Entrevista – Ruben Chama

Destaque Rubem Chama A Entrevista - Ruben Chama

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A espalhar «chamas» em I Love It desde dezembro de 2013, ele não podia estar mais satisfeito com o desafio. Ruben Chama interpreta a personagem Érico Mazula, um rapaz que considera «pacato, empenhado, de princípios, apaixonado e de grande entrega».

Confrontado com as fracas audiências do produto, o ator agenciado pela Karacter Talents respondeu: «É natural que esta produção não tenha o mesmo impacto que os Morangos com Açúcar tiveram há dez anos atrás». O jovem acredita que os valores estão relacionados com o aumento da concorrência no que toca a plataformas de entretenimento disponíveis para a faixa etária alvo da série.

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– Quem é o Ruben Chama? Apresente-se aos leitores do A Televisão.

– O Ruben Chama é um rapaz muito particular, para não dizer, nalguns aspetos, esquisito. Sou alguém de convicções fortes, que aprecia uma boa discussão, mas também uma boa gargalhada em amena cavaqueira. Esta descrição parece muito vaga, mas é sempre difícil apresentarmo-nos em tão poucas palavras.

– Com que idade percebeu realmente que queria ser ator? E que importância tem a representação na sua vida?

– Comecei a perceber que queria ser ator desde tenra idade, pois era daquelas crianças que criavam espetáculos para apresentar à família. Queria ser ator a par com ser cozinheiro e violinista. Entretanto cresci e fui-me apaixonando ainda mais pelo Teatro à medida que percebia que este era muito mais do que eu achava dele. Esta paixão levou-me do teatro amador, com o Grupo Recreativo de Tercena, ao teatro profissional, com a Companhia Teatromosca e, nesse mesmo ano, à Escola Profissional de Teatro de Cascais.

– Sei que tem várias paixões: canto, teatro, cinema, dança… Qual a área que mais o fascina?

– E faltam aí algumas, tal como a leitura, a cozinha…. Todas elas me fascinam, cada uma a seu jeito, mas todas elas são subjugadas aos meus princípios, ao que sou. Não quero, nem acredito que só com Teatro é que valha a pena viver, por exemplo.

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– Hoje em dia qualquer miúdo diz que quer ser ator. Não acha que a profissão está a ficar algo banalizada?

– Há uma entrevista de alguém muito mais apto para falar sobre este assunto do que eu: a grande atriz Fernanda Montenegro. Dizia assim sobre este fenómeno: «Confundem teatro com liberdades, licenciosidades, com realização de sua opção sexual, glórias (…) retrato no jornal, riquezas. (…) Todo o mundo pode ser artista, mas nem todo o mundo pode ser ator. Essa visão onírica, solta, louca é porque não sabe o que é isto aqui. Então saia, não ocupe espaço. Vá ser bancário, vá ser doutor, vá ser diplomata… Agora se morrer porque não está fazendo isso, se adoecer, se ficar em tal desassossego que não tem nem como dormir, aí volte, mas se não passar por esse distanciamento e pela necessidade dessas tábuas aqui, não é do ramo».

– É muito importante investir na formação.

– Acho que é óbvio. Eu não vou fazer uma cirurgia sem antes tirar um curso em medicina, com especialização em cirurgia. Há que conhecer os conceitos, os instrumentos, a linguagem, os processos, em todas as profissões. No que toca a representar, é a mesma coisa. Claro que não é o currículo académico que me apta a ser ator, pois há muita gente que tirou medicina e não é médico, mas parece-me óbvio que a formação é necessária e não só em dado momento mas constante.

– Como lida com o processo de encarnar uma personagem, ou seja, «transformar-se» noutra pessoa?

– Depende do que estamos a fazer, em que linha estética se imprime, com quem trabalhamos, em que tipo de plataforma trabalhamos. Por exemplo, trabalhar numa novela será diferente da construção de uma personagem em teatro, pois, neste caso, na maior parte das vezes, já sabemos o princípio e o fim da história da personagem. Aí há construção. Numa telenovela, sinto que se vai construindo. Claro que leio texto, a forma de falar, como é que a personagem se relaciona com os outros e os outros com ela, o que é que ela acha de si mesma, o que é que dizem sobre ela, como reage às várias circunstâncias… Tudo isto é um puzzle que montamos ou vamos montando à nossa maneira.

– Trabalhar em televisão sempre foi um sonho?

– Nem por isso. O meu sonho sempre foi mais o teatro. Claro que é interessante e gostava de experimentar este registo [o da televisão], mas nunca foi «o» sonho.

– Como conseguiu o papel para a série juvenil da TVI, I Love It? Qual foi a sua reação ao receber o «sim»?

– Fui a um casting na manhã da estreia de um espetáculo em que entrava, o Moby-Dick, do Teatromosca. Era um portentoso monólogo, mas só consegui marcar casting para essa manhã. Basicamente foi decorar o texto e a música à meia-noite do dia anterior e «cá vai»! Fui ficando. A reação ao sim foi de surpresa e pânico, porque tive que escolher e articular substituições para espetáculos que estava fazer.

– Descreva-me a sua personagem, Érico Mazula.

– Jovem pacato, empenhado, de princípios, apaixonado e de grande entrega.

– O Érico está no ar desde dezembro de 2013. Que balanço faz deste novo desafio?

– Interessante, exigente, alucinante, desafiante. Tendo em conta estas características, foi positivo. Ter trabalho nos dias de hoje é sempre motivante! Por isso esforçamo-nos por fazer um bom trabalho, com brincadeira no meio, se possível.

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– Como é que os seus familiares e amigos têm acompanhado o seu percurso na área da representação?

– O feedback é bom e de surpresa. O Érico é mais mainstream do que eu e há um certo choque quando me vêem a dizer e fazer certas coisas.

– A qualidade não se mede pelas audiências (é um facto), mas o que pensa das audiências pouco expressivas de I Love It?

– Ora aí está uma excelente questão. Com o aumento da concorrência no que toca a plataformas de entretenimento disponíveis para a faixa etária alvo da série, é natural que esta produção não tenha o mesmo impacto que os Morangos com Açúcar tiveram há dez anos atrás.

– As gravações da série terminaram no passado dia 21 de fevereiro. Que género de série/novela gostava que ocupasse a faixa das 19h?

– Ah… Eu gostava que esse horário fosse ocupado por entretenimento culturalmente edificante, desafiante. Que desafiasse as pessoas a pensar e não apenas a vegetar em frente à TV.

– Como avalia o atual panorama da ficção em Portugal?

– Já vi coisas interessantes nuns e noutros, não esquecendo a série Os Filhos do Rock. O desafio será sempre criar produtos não escravos de uma indústria, escravos das massas, pois o produto final não será necessariamente/evidentemente bom, ainda que rentável. A formação cultural dos públicos é importante. Não peço produtos «intelectualóides» ou de elite…

– Mas costuma acompanhar algum programa?

– Ainda no outro dia vi um programa na RTP Memória com o Armando Cortez e o Francisco Nicholson, em que faziam uns sketches nonsense deliciosos: Risos e Ritmos. Também vejo algumas séries de ficção britânicas de grande qualidade, ou surpreendo-me com um delicioso filme como A Gaiola Dourada. Isto e outras coisas, provam que é possível fazer bom e as massas gostarem e consumirem.

– Que desejos tem para 2014? O que pretende vir a concretizar no futuro?

– Voltar ao teatro! Estou com saudades! O que pretendo realizar no futuro? «O futuro a Deus pertence», e o resto… «o resto é sopas».

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