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A Entrevista

A Entrevista – Ricardo Pereira

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A viver nos últimos anos no Brasil, Ricardo Pereira regressou a Portugal para assumir um dos papéis principais na novela da SIC Mar Salgado. Tem-se empenhado a fundo no seu personagem, tirou cursos de vela e demonstra-se feliz com o desafio. A interpretar André Queiroz, o ator sente que a nova trama da SIC está a ser muito bem recebida. «É fantástico perceber que o nosso suor está a trazer bons resultados».

1 A Entrevista - Ricardo Pereira

Como é que está a correr este Mar Salgado?

Está a ser muito bom este regresso à ficção nacional e não podia estar mais feliz. É ótimo trabalhar com todo o elenco e os resultados estão à vista. As pessoas estão a gostar do produto final e isso é o mais importante. O ritmo de gravações tem sido muito intenso, não tenho tempo livre, mas é algo a que já estou habituado e com o qual sei lidar muito bem. Adoro ter uma vida preenchida.

Mar Salgado é a tua 21ª novela. Ainda há nervos?

Há ansiedade para saber como vai reagir o público. É para ele que trabalhamos e a opinião dele é muito importante.

O que é que existe de diferente nesta história?

São várias as diferenças. A dinâmica com que a história é contada faz com que ela seja mais verdadeira, mais real e isso aproxima o espetador. A criação de ganchos no final de cada episódio, a criação de personagens que a toda a hora se sobrepõem nos diálogos, a criação de personagens que não são tradicionalmente uma coisa ou outra; tudo isto traz uma agilidade à novela que a diferencia.

Como é que caracterizas o André Queiroz?

O André Queiroz é uma pessoa do bem, bem formado, de boas famílias. Sempre viveu bem com aquilo que tinha, com a família, com uma relação próxima para com esta, até que há um momento crucial em que ele se desilude com a família e vai descobrir coisas que aconteceram ao longo dos anos que ele jamais imaginaria no seu seio familiar. É um desportista, gosta muito de mergulho, de vela, criou um caminho diferente do da família, o seu próprio caminho. Nunca foi muito pelo caminho do pai, criou uma empresa de aplicações de telemóvel e assim seguiu o seu caminho, meio sozinho, mas cheio de sucesso. É verdadeiro, é honesto, é justo e ao mesmo tempo ele também sabe criticar, quando tem de o fazer e ouvir críticas. É uma pessoa correta.

O André é uma pessoa tranquila, com valor, de bem com a vida. Tem algumas semelhanças contigo…

É complicado fazer essa analogia porque acabamos sempre por encontrar algumas semelhanças entre o personagem e nós, atores. No entanto, estas semelhanças resumem-se mais a valores base e não com características que normalmente definem uma pessoa.

Sentes uma grande responsabilidade por seres um dos protagonistas da novela que sucede a Sol de Inverno?

É sempre uma grande responsabilidade ser protagonista, não só por sermos uma aposta do canal, mas porque as personagens acabam por ter uma maior incidência na história e há uma maior associação da novela a nós. Quando me apresentam um projeto, não estou preocupado com o facto de ser ou não protagonista e com a incidência da personagem. A minha preocupação é com o desafio que este personagem representará para mim e com a história da novela/filme/peça de teatro.

Não estás cansado de ser sempre o bom da fita?

Não, mesmo fazendo galãs ou protagonistas, não é fácil manter a coerência ao fim de 300 episódios, é um desafio enorme. No entanto, considero que tenho vindo a tocar em vários registos devido à minha carreira no teatro e cinema.

Mas ainda não houve um projeto adequado para fazeres de vilão?

Para além da participação em Laços de Sangue, fiz também o vilão em Insensato Coração, novela brasileira de Gilberto Braga.

É difícil chegar a um personagem e de passar uma verdade?

É um processo que exige muito trabalho e que eu adoro fazer. Passar verdade é a forma mais eficaz de prender o telespetador. Durante estes anos em que tenho trabalhado, tenho desenvolvido algumas técnicas que me permitem acelerar este processo, mas é algo que dá sempre imenso trabalho e um grande prazer também.

Gostas de contracenar com a Margarida Vila-Nova?

A Margarida é minha amiga há vários anos e, para além disso, é uma grande atriz. Está a ser muito fácil trabalhar com ela. Nunca vamos com as cenas totalmente «fechadas» para o décor. Parte do que é representar passa também por aquilo que as nossas emoções dão à cena, e com a Margarida isso torna-se muito fácil porque o que damos um ao outro faz com a cena seja mais real, mais emocional.

O romance entre o André e a Leonor não é uma história de amor de filme. É uma história de amor real, verdadeira. Apoias esta tendência das novelas, em afastarem-se cada vez mais da fantasia?

Cada vez mais considero que o real é que prende as pessoas. A identificação do público com as personagens é fundamental para que estas a sigam. É comum as pessoas reverem-se em certos episódios ou situações que a trama nos apresenta.

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A adesão dos telespetadores está a surpreender os próprios responsáveis da SIC. Vocês estão todos a dar o «litro»?

É fantástico perceber que o nosso suor está a trazer bons resultados para o canal, no entanto eu não sou nenhum fanático das sondagens e apenas tento dar o meu melhor todos os dias, sem exceção.

Já espreitaste a novela da concorrência, Jardins Proibidos?

Não tenho tido quase tempo livre, e quando tenho, aproveito para ver Mar Salgado.

O que achas desta aposta em sequelas de novelas portuguesas?

Acho bem. Quando um produto tem sucesso, quando o produto está presente na memória televisiva do espetador, penso que é bastante interessante fazer uma sequela. Acho que é uma opção bastante válida e que me parece que pode funcionar.

E que novela, que tu participaste, gostavas que tivesse uma continuação?

Não falando de outros canais e projetos, o que mais gostaria que tivesse uma sequela seria os Maiores de 20, uma serie vanguardista com um elenco maravilhoso, desde o Marco Delgado, Carla Maciel, Ana Brandão, Ana Rocha, Luís Gaspar, Catarina Matos. Tínhamos um grupo bastante coeso e foi talvez dos trabalhos onde cresci mais como ator. Acho que faria todo o sentido uma sequela, uma vez que, por ser tão vanguardista, foi um produto que foi mal compreendido na altura.

Já sabemos que Portugal evoluiu muito na ficção, mas o que lhe falta para chegar ao patamar da Globo?

Na minha opinião, já tivemos várias provas de reconhecimento do nosso trabalho. Prova disso são as nomeações que tivemos nos Emmy e a transmissão de novelas portuguesas noutros países. Acho que acima de tudo estamos a construir a nossa própria linguagem, o nosso próprio produto, não temos de copiar o que se faz no Brasil ou noutro país, temos de nos continuar a afirmar como país com excelente profissionais, capazes de criar novelas maravilhosas.

Quando foste para o Brasil não te deslumbraste? Afinal, és o único português com tantos anos de carreira lá.

Nunca, para mim tudo passou muito rápido. Felizmente nunca parei de trabalhar e só com o reconhecimento do público é que vou tendo noção de estar onde estou. Os meus amigos e família sabem que sou o mesmo Ricardo, a única coisa que mudou foram algumas rugas novas e uma família maior. (risos)

Devido aos troféus que já conquistaste, algumas pessoas podem achar que tens o nariz empinado. Essas opiniões não te fazem confusão?

Os troféus são apenas troféus, não dão legitimidade a ninguém para ter nariz empinado. Sinceramente, acho que não passo nada essa imagem e que é muito fácil lidar comigo. Sou pragmático, objetivo e muito exigente com quem trabalha comigo, mas eu também o sou comigo próprio.

És um workaholic assumido. Levas muito a sério o trabalho?

Sim, tive essa educação dos meus pais e é algo que pretendo transmitir aos meus filhos, sobretudo nesta fase que o país atravessa. Acho que temos de agarrar as oportunidades que nos dão com unhas e dentes e dar o nosso melhor sempre. Não considero isto um defeito, acho apenas que existe tempo para tudo e temos de ser exigentes connosco próprios.

Numa entrevista recente disseste que não tens conflitos e «isso se calhar chateia muita gente». Como é que fazes para te manteres firme, sem te cair a ficha?

Quando o disse, não disse que fazia isso de forma consciente. Essa é a minha forma de estar na vida. Não entro em conflitos porque acho que são uma perda de tempo e de energia. Procuro ter harmonia na minha vida, não faço mal a ninguém e portanto espero o mesmo dos outros.

Sentes-te um bicho raro da tua geração? A maioria das pessoas da tua idade não alcançou um décimo do que já fizeste.

Nunca faço a minha vida a compará-la com a dos outros, nunca o fiz. Sei apenas quem eu sou e o caminho que quero seguir, sem comparações, sem más energias. Sou obstinado, tenho uma família linda e apenas quero viver feliz.

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