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A Entrevista

A Entrevista – Hugo Andrade

Hugo Andradee A Entrevista - Hugo Andrade

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Já o tivemos como convidado, mas nesta entrevista novos temas serão abordados. Se no passado mês de julho, Água de Mar tinha acabado de estrear e o daytime do canal um ainda permanecia intacto, volvidos quase quatro meses, a RTP apresenta-se como uma estação de televisão renovada. Novas estratégias seguiram-se e novos formatos fazem agora parte da grelha de programação. O site A Televisão esteve à conversa com o diretor de programas da RTP, tentado assim perceber como está a correr esta nova fase. Hugo Andrade regressa à Entrevista numa altura em que o canal do Estado passa por diversas mudanças.

1 A Entrevista - Hugo Andrade

Está feita a renovação do daytime da RTP. Que objectivos estão definidos nas novas manhãs e tardes?

Quando começamos qualquer coisa, acho que é sempre com a expetativa de que tragam melhorias no nosso trabalho. O nosso objetivo foi definido há cerca de um ano e meio atrás – foi renovar os programas da manhã e tarde nesta altura (setembro de 2014) e, essencialmente, fazermos algo de diferente do que vínhamos a fazer. Eu considero que já fazíamos bem, ou seja, nós tivemos projetos do daytime da RTP de grande sucesso (a Praça da Alegria, Portugal no Coração, e por aí fora), mas nós achámos que estava na altura de renovar, não esses projetos, porque eles foram sempre renovados (e todos os dias são ligeramente renovados), mas de renovar de facto a nossa oferta do daytime. Achámos que estava na altura de o fazer. Criámos maior distinção entre o programa da manhã e o da tarde. Os programas de daytime, em todas as estações, têm muito esta coisa de se confundirem às vezes um bocado os conteúdos de um e de outro. Portanto, a primeira aposta é distingui-los claramente, um do outro.

E na sua ótica, o daytime da RTP distancia-se da concorrência?

Nós trazemos aqui um registo divertido, positivo, bem-disposto; mas também objetivamente preocupado com as questões que preocupam as pessoas e, portanto, não é só uma coisa de divertimento. Sendo dois programas de companhia (os programas de daytime são programas que fazem companhia a muita gente, e muitas vezes é a única companhia que têm), queremos claramente que as pessoas sintam uma diferença entre os dois projetos, mas que se sintam bem acompanhadas e que tenham vontade de ligar a estação (a RTP) – muitas vezes a ver, muitas vezes a ouvir. Porque o programa da manhã, por exemplo, tem muito essas características – ali a uma determinada hora as pessoas têm que ouvir porque estão a fazer coisas em casa, etc.

A saída do João Baião precipitou esta renovação?

Não, não. O João Baião, aliás, sabia que fazia parte do processo de renovação.

Contava então com ele neste novo daytime?

Sim, sim. Ele sabia que este processo se ia dar. Partilhei com ele e não foi, de todo, precipitado, porque o João Baião já saiu há não sei quantos meses… Portanto, nós não alterámos sequer uma coisa no nosso calendário por causa da saída do João. Acho até que a Tânia fez o programa muito bem depois da saída do João, e isto não quer dizer que o João não fosse uma pessoa importante na nossa equipa – aliás, por quem todos temos estima profissional e muita estima pessoal. Mas pronto, a vida é mesmo assim – feita de mudanças, como aconteceu connosco. E esta renovação sempre esteve prevista para esta altura, portanto, cumprimos o calendário perfeitamente.

A Tânia Ribas de Oliveira prometeu inovação aquando da apresentação do novo projeto da RTP à imprensa. De que inovação estamos a falar?

Concordo com o que a Tânia disse, mas é um processo evolutivo. Não é uma coisa agora de repente. No fundo os programas de daytime são contentores, onde cabem muitas coisas. E portanto, os condimentos que estamos a introduzir nesses contentores é que são normalmente coisas que não estão nos programas de daytime. Enfim, mas são dentro do género: são jogos, são passatempos, são conversas, são eventos (no sentido de mostrar coisas)… Mas tentamos é fazer isso de uma forma ligeiramente diferente.

2 A Entrevista - Hugo Andrade

Que desafios é que impôs aos novos apresentadores?

Os quatro apresentadores e as duas equipas (os repórteres, os técnicos, e por aí fora) têm um único desafio neste momento, que é o de fazer bem o trabalho deles. E nós tentámos fazer dois bons programas. Este é o primeiro desafio. Os desafios quantitativos de audiências, etc., vêm depois, porque quando os programas nascem, nas primeiras semanas precisam de ser ajustados em algumas coisas técnicas como a conometragem das rubricas, a sequência do programa, etc. Ou seja, este rendilhado que está no papel, a partir do momento que passa para o real e passa a ser um programa de televisão – às vezes no papel nós achamos que tem um determinado ritmo e depois percebemos que não, que tem de ser rendilhado de forma a que aquilo fique melhor.

Tocou no assunto das audiências. O objetivo é a liderança a longo prazo ou ser alternativa à concorrência?

A primeira opção da RTP é sempre ser uma alternativa, sempre a primeira opção. Depois eu acho que o espírito competitivo é de salutar, mas não pode ser obsessivo. Todos nós temos objetivos e, portanto, aquilo que eu digo a todas as minhas equipas é, com todos os projetos: fazer sempre melhor que o programa anterior. E o fazer melhor é fazer melhor de facto – na qualidade do programa e fazer melhor em resultado. Este é o desafio permanente das minhas equipas todas. Nós todos os dias queremos fazer, é um bocadinho aquela coisa do grão a grão… vamos encher o saco da galinha. A verdade é que nós não temos aqui previsto uma meta de «agora vamos fazer 20 ou 25 de share, ou ser líder» Não. Se nós todos os dias conseguirmos fazer melhor o nosso trabalho e ter mais público, se calhar é para aí que caminhamos. Nós ali na tarde temos sido o terceiro lugar, portanto, o primeiro objetivo é chegar ao segundo.

E no caso das manhãs, é também destronar a vice-liderança da SIC?

Claro! O da manhã, que temos ali partilhado o segundo lugar com a SIC, é distanciarmo-nos da SIC e, portanto, aproximarmo-nos do primeiro. Mas isto é com todos os projetos, ou seja, não sendo uma obsessão nossa…

O canal três apostou também na renovação das tardes. Foi uma vantagem para sim?

Eu diria que sim. Nestas coisas, às vezes pode parecer um bocadinho filosófico, mas a verdade é que eu acho que neste processo dos programas da manhã e da tarde aquilo que eu quero que a RTP seja é que seja o motor da mudança (e, portanto, não o reativo). Não que seja o elemento reativo, mas que seja o motor da mudança. Aquilo que nós fazemos é fazer bem o nosso trabalho, tentar fazer o melhor possível, mas vamos fazê-lo todos os dias. Nós não vamos reagir aos outros programas que são mais «assim» ou são mais «assado».

Como é que se processou a escolha dos novos rostos?

Isso é um processo muito simples. Parecendo complexo… às vezes é complexo porque temos mais gente, não é? E, portanto, a distribuição de apresentadores, repórteres, técnicos, etc., tem sempre alguma dificuldade quando há boa dose de escolha. Mas, aquilo que nós fazemos é muito simples: desenhamos os projetos e depois vamos encontrar os perfis certos para esses projetos. Se temos, usamos. Se não temos, procuramos aqueles que são os mais adequados. Normalmente este é o processo para qualquer programa. Nós aqui partimos com uma premissa diferente. Tínhamos duas pessoas que queríamos ter na nossa programação, que era a Tânia de manhã e o Herman à tarde. Desenhámos um bocadinho os projetos em torno daquilo que são as suas características. Os outros condimentos do programa fomos à procura de quem é que podia ser a pessoa mais adequada para fazer estes projetos. Portanto quer na manhã quer na tarde, uma das grandes premissas dos programas é também trazer novidade. Não é fácil de encontrar, ou seja, é definir o perfil e ir à procura da pessoa certa.

3 A Entrevista - Hugo Andrade

Foram fáceis as negociações com a Vanessa Oliveira?

Muito fáceis, muito fáceis mesmo. Porque havia um interesse comum, e quando há interesses comuns, é muito (muito) fácil.

O objetivo de trazer a Vanessa para a RTP foi buscar um público mais jovem para o daytime?

Eu não diria tanto o público mais jovem para o daytime, porque o daytime apesar de a tarde ter algumas características mais abrangentes, o público da manhã é um público mais velho – (o da tarde é mais cruzado). O objetivo tem a ver com a própria renovação da RTP. Eu acompanho o trabalho de toda a gente – não só das pessoas com quem trabalho, mas também das outras estações – e a Vanessa é uma pessoa a quem eu reconheço muito talento e especialmente ali para programas de daytime. Quando falei com ela, ela também achou que esse era o seu perfil. Portanto, foi tranquilo.

Essa contratação não foi bem vista por muita gente no sentido em que a RTP em vez de usar as pessoas que tem, foi à concorrência recrutar novos rostos. O que diz de sua justiça?

Eu percebo isso tudo. Percebo perfeitamente, mas depois também tenho… nessa gente que nos critica – que não nos mexemos, que estamos mais inativos, que somos menos ativos no mercado… há que conjugar estas realidades todas. A verdade é que nas indústrias do entretenimento, que é disto que estamos a tratar, a renovação é essencial, porque senão caminhamos para um fim e depois atiramo-nos do precipício abaixo. Portanto, é esta renovação que tem de ser feita com uma enorme tranquilidade, porque ninguém deixa de ser válido. Há que conjugar depois aqui, ou interligar, aqueles que estão há mais tempo com aqueles que vêm.

Mas acha que não havia rostos na RTP?

Acho que não. Acho que para estes projetos as pessoas certas eram estas. E nós não fazemos programas para as pessoas, fazemos programas com as pessoas. Portanto, desenhamos projetos e depois aquelas que entendemos que são as melhores pessoas para os projetos, escolhemo-las – dentro, e isto é importante que se perceba, de uma norma de contenção. Se por um lado eu pressiono as minhas equipas para no programa seguinte serem sempre melhores que no programa anterior, também todos nós trabalhamos que o programa seguinte seja mais barato que o anterior. Portanto, este é o caminho: fazer mais com menos, desde que isso seja possível conjugar e desde que a gestão de todos os recursos que temos seja inteligente. E nas áreas da apresentação é muito importante perceber que há pessoas que não podem estar a apresentar, têm que sair uma temporada da apresentação para puder ganhar folêgo, para puder voltar – porque criam desgaste a eles próprios, cansam-se e aos espectadores também.

Sente que os telespectadores cansaram-se dos nomes que encabeçavam o anterior daytime?

Os espetadores da RTP felizmente são muito interativos, fazem-nos chegar muitas críticas, sugestões, cartas, etc. Muitos deles dizem-nos: «Epá, estamos cansados destes. Porque é que não mudam qualquer coisa de vez em quando?» Isto é uma necessidade permanente das indústrias do entretenimento, porque senão não havia futuro, não é? Portanto, ninguém tinha a oportunidade de entrar, eram sempre os mesmos… e há que fazer uma gestão inteligente desses recursos e dar oportunidades a todos, e colocá-los nos projetos certos. Eu gostava de relembrar às pessoas que a RTP tem, nas suas equipas de apresentadores, uma pessoa como o Júlio Isidro – que está na RTP há 50 e não sei quê quantos anos. E é possível termos o Júlio Isidro e agora termos a Vanessa. É preciso é depois perceber qual é o momento em que um tem mais intervenção num determinado projeto, outro noutro. Mas é possível fazer uma gestão inteligente sem prejudicar ninguém.

As audiências não têm sido muito diferentes se compararmos com as que eram registadas pelos programas antecessores. No caso das tardes, o Herman José disse que o programa pode sofrer alterações caso os números não correspondem.

É verdade, isso é verdade.

Portanto, os programas estão abertos a qualquer alteração?

Todos. Ou seja, isso é verdade com todos os programas de todas as grelhas de todas estações de televisão. A não ser que quando compremos uma série americana e não podemos estar a mexer. Se calhar podemos é despachá-la para as quatro da manhã, mas enfim… Nós não podemos alterá-la, mas todos os outros projetos são projetos evolutivos constantes, especialmente os programas de daytime, que são projetos de produção regular, onde é muito fácil introduzir alterações, porque são em direto e «ok, muda amanhã e amanhã já está preparado, mas na semana que vem tiramos esta rubrica, incluimos esta, fazemos mais reportagens ou menos reportagens…». É muito fácil mexer nas estruturas dos programas. Como eu dizia há pouco, isto é um rendilhado, e esse rendilhado é permanente. Os nossos concorrentes de certeza que fazem isso. Os programas de daytime são programas muito trabalhosos, muito trabalhosos. É importantíssimo que os apresentadores  de programas de daytime sejam muito calejados e experientes, porque são programas muito mais trabalhosos do que as pessoas imaginam. Dá muito mais trabalho fazer um programa da manhã todos os dias do que fazer uma grande gala ao domingo à noite. E isto é válido quer para quem apresenta, quer para quem faz os programas e para quem os constrói.

4 A Entrevista - Hugo Andrade

Passemos para a noite. Água de Mar não conseguiu manter os números de Beirais, houve uma alteração no horário, no entanto a série vai ter nova temporada. Porquê esta aposta?

Eu vou ser sincero… Água de Mar não foi criada para ser emitida às nove da noite. Não era este o seu horário normal.

Qual era então o horário?

Ou dez ou onze. Portanto, sempre foi as duas possibilidades. Eu achei que, para lançar a série, visto que era para um target diferente daquilo que a RTP normalmente trabalha, era preciso dar-lhe um horário de boa visibilidade. Dei-lhe cinco semanas de horário de boa visibilidade para que as pessoas conhecessem o projeto. Mas eu também sempre deixei isto muito claro desde o princípio: o projeto âncora da programação da RTP é o Bem-vindos a Beirais. E o Bem-vindos a Beirais cedeu o seu espaço durante cinco semanas para que a Água de Mar tivesse visibilidade, mas mais tarde ou mais cedo teria que regressar…

Água de Mar está a corresponder às expectativas?

É muito mais difícil impor uma série como a Água de Mar do que uma série como o Bem-vindos a Beirais. Isto tem tudo a ver com características de público. A RTP é um canal que desde sempre, mas especialmente desde que apareceram as televisões privadas, tem um público muito envelhecido. E portanto, projetos que tragam públicos diferentes àqueles que normalmente vêem a RTP, demoram imenso tempo a se consolidarem e a terem sucesso.

Não respondeu à pergunta…

Sim e não. Ou seja, está a trazer renovação, está a trazer uma perceção diferente em relação à RTP, está a trazer frescura, posicionamento. Não porque não nos está a trazer público mais novo como nós gostaríamos, mas achamos que esse é também um processo evolutivo. Precisamos de ter calma, paciência, ir ajustando. Nós temos trabalhado imenso em cima dos guiões de Água de Mar, e temos mexido imenso porque achamos que precisa de tempo. Beirais começou com 200 mil espetadores e depois chegou a ter um milhão, não é? E nós achamos que este dificilmente chegará a esses valores, nunca achámos que chegaria a esses valores, mas precisa de tempo.

É certo que a RTP deve dar prioridade ao serviço público e não tornar as audiências como base de qualquer decisão. Mas porquê dar continuidade a uma série que tem afundado o horário?

Aquilo que traz Água de Mar à RTP é tudo menos audiência, neste momento. A audiência, essa, vai ter que se construir. Por exemplo, eu posso vos dizer que há muita gente (jovens) que vê a série na RTP Play. Hoje em dia os jovens não vêem televisão, agarram no seu iPad e vêem.

Água de Mar permanecerá em antena até quando?

Nós temos aqui um processo com todas as ficções: de X em X episódio avaliamos se continuamos. Nós fizemos agora a primeira avaliação e vamos continuar.

Então que avaliação fez para dar continuidade a esta aposta?

Nós precisamos mesmo de ter este processo de renovação, que vem com os The Voice, com os Chefs’ Academy, com o Sabe ou Não Sabe… E a ficção, por uma questão de estabilidade de grelha, que é uma coisa diária, para dar uma boa ajuda nesse rejuvenescimento do público da RTP. Mas é um processo mesmo muito complicado. A verdade é que nós chegamos a ter desenhos animados mais vistos por pessoas idosas do que por crianças. Portanto, isto é um processo muito lento. É mesmo um grande desafio, diria que é o maior desafio que a RTP tem.

5 A Entrevista - Hugo Andrade

A RTP está preparada para ter essa audiência a longo prazo, isto é, está preparada para esperar?

Não, a RTP precisa de fazer as coisas tudo mais rápido do que se fazia até há uns tempos atrás. E portanto, nós precisamos de trabalhar de uma forma mais ativa e por isso é que fazemos séries de 300 episódios e não fazemos séries de 50, porque queremos ajustar o mais rapidamente possível. Mas sabemos que no caso específico da renovação de públicos é uma coisa que vai demorar muito tempo. Vamos tentar ter capacidade e inteligência para ir conjungando aqui as duas coisas. Nós não podemos transformar agora a RTP num público para jovens. Queremos que a RTP mantenha o seu target normal, mas que alargue um bocadinho o seu… É muito importante que haja contacto com os mais novos com a marca RTP. E se forem 150 mil pessoas à RTP ver Água de Mar, para mim é muito importante, para nós (RTP) isto é muito importante. «Ah, mas não conta para as audiências…». Ok, mas são 150 mil, houve gente mais nova que contactou com a marca RTP; que à partida é uma coisa que nos últimos anos perdeu um bocadinho… Os jovens, quando ligam a televisão, pegam no canal 40 para a frente, ou do 30 para a frente.

Acha que o facto do conjunto de canais por Cabo ser cada vez mais visto pelos portugueses possa ser um entrave?

Não, eu acho que isso é saudável. Nós o que temos que saber fazer é compreender que a realidade hoje é diferente – a televisão já não é o centro de tudo. Hoje em dia, a televisão continua a ser o centro de algumas coisas, mas que as famílias, pelas características das famílias e pelo que a tecnologia permite, têm hábitos de consumo diferentes. E hoje, se calhar nós sentamo-nos no sofá a ver televisão, mas se calhar as minhas filhas já se sentam no quarto delas com um tablet. E para nós é importante comunicar com todos os públicos. O serviço público tem que falar com todos os públicos, tem que chegar a todos os públicos – se for pela televisão, ótimo; se for pelo tablet, bom; passou pela rádio, excelente. Ou seja, a nossa preocupação é chegar a todos os públicos de todas as formas.

Talvez o público tenha fugido para o cabo porque as programações dos três canais são iguais.

Eu acho que não. Os públicos procuram conteúdo específico, não é? Há quem goste de documentários, há quem goste de jogos de futebol… Eu acho que cada vez mais os canais generalistas são canais de eventos. Por isso é que quando nós temos um jogo de futebol, em qualquer um dos canais, as pessoas vão lá e vêem – é em direto, começou, acabou e vão embora. Os canais de cabo trazem aquilo que são os nossos gostos, as nossas preferências. Gostamos de cinema, vemos cinema; gostamos de séries, vemos séries. E isto é irreversível. E eu acho que no futuro os canais serão canais essencialmente de eventos – os canais generalistas e programas de linha e informação.

Mas para si, é mais fácil roubar audiência à concorrência (SIC e TVI) ou resgatar público que fugiu para o Cabo?

Eu diria que é mais fácil… O lado mais fácil está do lado do Cabo, que é roubar audiência aos canais generalistas, digamos assim. É a tendência do mundo, em termos de consumo de televisão. Se vocês fizerem uma análise mais aprofundada, as generalistas têm vindo a perder audiência, mas há-de haver um dia que estabilizará. O cabo, e as outras plataformas, têm vindo a ganhar, sendo que curiosamente no cabo não são especialmente relevantes. O conjunto dos canais é relevante, mas não há nenhum canal no cabo que tenha uma audiência que se diga «Ai que ótima audiência». A média de um canal muito visto no cabo são 30 mil espetadores. É metade de um estádio de futebol, quer dizer, nem sequer é uma coisa muito significativa.

david.soldado@atelevisao.com

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