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A Entrevista – Henrique Feist

A Televisão
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Destaque Dalilacarmo A Entrevista - Henrique Feist

A série que hoje relembramos ainda está bem viva na memória de muita gente. O genérico, as personagens, o planeta Namek, as bolas de cristal, foram elementos desta produção que nos fez vibrar (e sonhar) durante várias temporadas.

Para comemorar o lançamento do jogo Dragon Ball Z: Battle of Z – colocado à venda no início de 2014 –, o A Televisão entrevistou o inesquecível Son Goku. Bem, na verdade estivémos à conversa com a «voz» do Son Goku… O ator, cantor e produtor de espetáculos: Henrique Feist. Apesar de não ser «muito fã» da saga, Henrique garante que foi «divertidíssimo» fazer parte deste projeto.

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– Vive de teatro musical desde 1993 em Portugal. A carreira que tem construído é o resultado de muito trabalho e dedicação?

– Sem dúvida que sim. Esta carreira envolve muita paixão, muito espírito de sacrifício, muito empenho e a noção que temos mesmo de aprender a acertar e errar, bem como aprender, pois este último é um processo constante. Num país que pouco apoia a cultura, ou que poucas oportunidades e meios dá à mesma (sim, porque a culpa não é do público), posso-me considerar um privilegiado. Ao longo destes 34 anos de carreira pude sempre trabalhar naquilo que mais gosto e sei fazer.

– Que avaliação faz do atual panorama da música em Portugal?

– Passamos um período cada vez mais descartável. Com tanto acesso que temos hoje a qualquer género de música, o esquecimento torna-se mais provável. Este acesso a tantos géneros pode ser benéfico, pois abre-nos os horizontes, mas faz com que nos tornemos muito menos criteriosos. É a era da fast music. Acima de tudo, acho que comparativamente aos tempos de outrora, cada vez mais se tem vindo a perder a beleza melódica.

– Como se sente ao ter a sua voz para sempre associada ao Son Goku? É algo que o faz sentir reconhecido ou chateia-o ouvir «olha o Son Goku»?

– Não me chateia nada. Só enaltece o facto que trabalhámos num excelente desenho animado e que o fizemos bem. Faz parte de um trabalho de ator: vestir um personagem ou, neste caso, um boneco!

– Qual foi para si o momento mais emocionante da história do Dragon Ball?

– O momento mais emocionante foi quando descobrimos que o IGAC [Inspeção Geral das Atividades Culturais] tinha distribuído 1,300,000 selos para venda de VHS’s e, mais tarde, DVD’s para o Dragonball e o Dragonball Z, comprovando realmente que foi um sucesso. Não há nada que nos dê mais aprezo do que saber que fomos bem sucedidos em entreter o público.

– É apreciador da história e do universo fictício desta série?

– Curiosamente, não sou muito fã do Dragon Ball. O que eu gostava (e todos os outros intervenientes) do Dragon Ball era o facto de podermos improvisar sobre o guião, e eu acho que grande parte do sucesso se deve a isso. Muitas vezes a boca do boneco que estávamos a dobrar continuava a abrir e a fechar e nós já não tínhamos mais texto no guião para poder preencher esses momentos. Então, começámos todos a improvisar.

– Muitos fãs do Dragon Ball pressupõem que este projeto de dobragem terá sido algo mágico, divertido e muito gratificante. Foi isso que você sentiu?

– Foi divertidíssimo, isso sem dúvida. Nós gravávamos em estúdio os episódios e depois íamos a correr para casa para ver na SIC, à tarde. Não obstante, todo o elenco foi muito explorado na venda dos vídeos e DVD’s da série, pois nunca recebemos nada por isso, nem assinámos nada contratualmente que o permitisse…

– Como em todas as séries que são dobradas, há sempre falhas ou até mesmo momentos que dão vontade de rir. Lembra-se de alguma situação engraçada?

– «Silêncio que eu agora vou cantar o fado!».

– Tendo em conta que dobrou personagens em muitos mais desenhos do que Dragon Ball, qual lhe deu mais gozo fazer?

– Não há nenhuma que tenha gostado mais de fazer. Eu costumo dizer que nós somos tão bons quanto o nosso último trabalho. No próximo ainda seremos melhores.

– Atualmente integra o elenco de artistas de Esta Vida é uma Cantiga. Fale-me sobre este espetáculo.

– O espetáculo foi escrito por mim e pelo Vítor Pavão dos Santos. Retrata os maiores êxitos da revista e da opereta em portugal. É um espectáculo que contagia e que põe todo o público a cantar. As pessoas riem connosco, recordam connosco e, num momento ou outro, temos uma lágrima no canto do olho.

– Nunca chegou a ser convidado para participar no programa A Tua Cara Não Me É Estranha?

– Já fui convidado para A Tua Cara Não Me É Estranha na sua terceira edição, mas como já tinha assumido um compromisso com a SIC para o Vale Tudo, que foi precisamente na mesma altura (trabalhava como diretor de elenco), não quis voltar atrás com a minha palavra.

– Que desejos tem para 2014? Sonhos por concretizar?

– Saúde e trabalho. Se eu tiver isto, dá para ganhar dinheiro. Não tenho sonhos, tenho metas: abrir uma escola de teatro musical (à séria) em Portugal.

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