A Entrevista

A Entrevista – Francisco Garcia

Em criança, foi uma das caras mais conhecidas da televisão, quando integrou a série Médico de Família, apenas com nove anos. Além de ator, o seu percurso passa também pela apresentação de programas juvenis como o SIC a Abrir e Disney Kids. Esteve cinco anos a trabalhar em Espanha e regressou aos ecrãs nacionais, para a série juvenil da TVI I Love It. Com vários projetos em mão, a vida profissional deste jovem de 25 anos parece ainda estar a começar. «Gostaria de continuar a internacionalizar o meu trabalho e travar novos desafios», revelou Francisco Garcia ao A Televisão.

O que tem feito desde o final das gravações de I Love It [fevereiro de 2014]?

Tenho aproveitado para descansar e fazer tudo aquilo que não temos oportunidade de fazer quando estamos num projeto tão exigente como uma novela. Mas agora venha mais trabalho! Apesar da I Love It estar ainda a emitir aos sábados de manhã, eu já estou cheio de vontade de voltar ao trabalho. Ainda não há uma data, só desejo que seja para breve, ficando ainda por saber se será na vertente de representação ou apresentação.

Que balanço faz da série?

Um balanço muito positivo, sem dúvida. Foi um regresso à representação em Portugal pela mão da Plural e da TVI e ainda mais com uma personagem desafiante e protagonista, o vilão da estória.

Com que «olhos» viu a constante mudança de horário de I Love It?

Na minha opinião, I Love It conquistou uma audiência e um público fiel, e esse feedback era visível (quer pelas audiências, quer no engagement nas redes sociais). Em relação às mudanças de horário, penso que são estratégias e técnicas de programação, pelo que confio em pleno que a TVI e a Plural procuram sempre o melhor para os seus produtos e telespectadores.

A comparação entre Morangos com Açúcar e I Love It foi prejudicial?

Esta produção é extremamente inovadora e foi um produto muito bem conseguido. As variáveis, características e objetivos de ambos produtos eram muito diferentes. Não concordo com as comparações, nem tão pouco que estivéssemos a tentar seguir as pisadas de outro projeto. Ok, a comparação era inevitável numa fase inicial, mas rapidamente demonstrámos que se tratavam de coisas muito distintas entre si e as comparações dissiparam-se.

Qual a sensação de estar num projeto que não tem a visibilidade pretendida?

Como ator, o importante é termos a oportunidade de trabalhar bem a nossa personagem e ajudar para que a qualidade do projeto seja a melhor possível; e nesse aspeto tivemos uma direção de atores exímia liderada pelo João Pedreiro e pelo diretor do projeto, o Jorge Cardoso. Acredito piamente que fizemos um bom trabalho com os recursos que tínhamos. A audiência é algo que obviamente não nos passa ao lado, mas temos de confiar em quem tem a gestão dessas matérias e estarmos todos disponíveis para ajudar.

Falou-se em segunda temporada. Gostava de ver uma continuidade na história?

Nunca tal me foi comunicado e nem todos os projetos têm condições de continuidade. Penso que a estória ficou completa e bem contada tal como ficou.

Pois bem, a sua carreira em televisão tem sido intermitente…

São 21 anos ligado à televisão e encaro com muita normalidade o facto de existirem fases mais ativas e outras mais calmas.

Na sua opinião, a ficção portuguesa tem evoluído de forma positiva?

Não tenho qualquer dúvida. O reconhecimento internacional é uma das muitas provas do que já é um facto consumado. A ficção está melhor, mais profissional, ambiciosa.

Que objetivos quer cumprir enquanto ator?

Considerando-me sempre um ator/apresentador, é-me sempre difícil responder a essa questão. Mas à semelhança do que tenho vindo a fazer em Portugal e Espanha, gostaria de continuar a internacionalizar o meu trabalho e travar novos desafios. Cinema e teatro são algumas das experiências que gostaria de vir a ter. Estamos sempre a aprender.

Não acha que a profissão de ator está a ficar algo banalizada? Todos querem ser atores…

Não penso que se banalize uma profissão pelo facto de muitos terem o sonho de a exercer. Coitados dos astronautas se assim fosse. Acho que pode inclusive ser benéfico se não se perder a exigência e o rigor. É uma profissão exigente, complexa, e portanto acho que não está de todo banalizada mas sim melhor aceite e mais profissionalizada em Portugal.

Quando fez o Médico de Família, era uma das pessoas mais conhecidas em Portugal, já que a audiência da série era enorme. Passou por algum deslumbramento com a fama?

Sim, mas muito curta. Algures a meio do Médico de Família, tive a minha fase «convencido», mas foi algo muito curto e sem importância e resolvido facilmente. Acho que é normal, faz parte (tinha dez anos). Porém, esse «deslumbramento» nunca teve que ver com um pensamento de eternidade em relação a esse reconhecimento, sempre estive preparado para os altos e baixos, mas sim ao sentir-me algo «especial». O Pedro Melo foi uma personagem muito marcante dentro de uma série que é um marco na ficção em Portugal.

Hoje, é muito abordado na rua?

É difícil dizer se é muito ou pouco. Depende da exposição mediática de cada altura e ao longo destes  anos de televisão já houve fases para tudo, mas continuo a ser reconhecido e abordado.

Aos 20 anos mudou-se para Madrid. Ir para fora do país tornou-o mais independente?

A minha mudança para Madrid, aos 20, foi um desafio que propus a mim próprio mas que aconteceu de forma bastante natural. Não me tornou mais independente, uma vez que sempre tive uma educação que promovia essa liberdade e independência a vários níveis, mas fez-me enfrentar novos desafios que aqui não teriam o mesmo «sabor». E sinto que o amadurecimento nestes últimos anos era o que considero normal para a fase de vida.

O seu restaurante, Cascas, está a corresponder às expectativas?

Sem dúvida, o Cascas – Restaurante & Bar superou as expectativas. Conseguimos que o restaurante tivesse uma qualidade acima da média para o tipo de restaurante em questão, que estivesse ligado a mim e à minha imagem, mas que não deixasse de ser um restaurante que vamos pela comida, pelo serviço e pela dedicação que tanto eu como a minha mãe como os demais colaboradores colocávamos em cada cliente. Não foi, é um ótimo negócio.

Como é que um rapaz com 25 anos já teve tantos negócios? Como consegue esse dinheiro para investir?

Já trabalhei muito, isso sim. A angariação de capital acontece como em todos os negócios e pode ser através de capital próprio, angariação de parcerias ou, como é normal, de um sócio de capital.

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