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A Entrevista

A Entrevista – Especial «Windeck»: Parte II

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Depois de ontem termos entrevistado Pedro Martins e Solange Hilário a propósito da nomeação de Windeck (novela angolana transmitida atualmente na RTP à hora de almoço) para o Emmy Internacional na categoria de «Melhor Telenovela», hoje foi a vez de Eric Santos e Marta Faial aceitarem o desafio do A Televisão

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A Televisão – Olá, sejam Bem-vindos ao aTV. É a primeira vez que uma produção angolana é distinguida com uma nomeação para o Emmy Internacional. Que balanço faz de toda a experiência vivida?

Eric Santos – O balanço é francamente positivo, Windeck foi planeada com muito cuidado, a equipa técnica foi escolhida a dedo, o casting foi rigoroso, houve um investimento muito grande da Semba Comunicação que só poderia resultar em  sucesso. A nomeação para o Emmy Internacional foi a cereja no topo do bolo. É como estar na final da Liga dos Campeões.

Marta Faial – Foi um projecto muito trabalhoso e até posso dizer de algum risco,pois não é de todo comum gravar todo um projecto,estúdio e exteriores com a separação de 6000 km e continuar mesmo assim a fazer uma boa continuidade de cenas e raccord. Foi também um projecto empreendedor por parte da Semba Comunicação de querer tocar em temas ainda tabus na sociedade Angolana como a violência doméstica,alcoolismo,falsas igrejas e burlas, homossexualidade e também a futilidade de se querer subir na vida por maneiras menos próprias. Deu também acesso a muita gente que passou por Angola a certa altura da suas vidas e ter uma nova visão do país que recordavam,mais moderna,actualizada,bonita e viva,mas que como todas as sociedades ainda tem os seus problemas. A meu ver foi um projecto muito exigente,mas que deu em troca um produto final com a qualidade de qualquer outra novela que estamos habituados a ver seja a nível de escrita, realização, produção, iluminação, som, guarda roupa, elenco entre outros.. Foi sem dúvida um projecto conseguido e feliz. Nós estamos muito gratos por esta nomeação.

Este ano a ficção nacional ficou de fora da corrida ao Emmy Internacional na categoria “Melhor Telenovela”. Windeck foi gravada em Portugal e Angola com técnicos e atores de ambos os países. Sente dessa forma que Portugal está representado nesta produção e com isso na cerimónia?

ES – A equipa foi constituída por técnicos e atores de várias nacionalidades embora os atores sejam na sua maioria Angolanos. Na minha opinião estão todos de parabéns independentemente da Nacionalidade. Assim como senti que Angola também estava representada por mim em Meu Amor quando venceu o Emmy Internacional também acho que Portugal está  representado nesta nomeação.

MF – Claro que sim, Houve muitos profissionais portugueses que fizeram parte deste projecto e que fizeram um trabalho magnífico. Mas a meu ver a alma desta novela é Angolana. Este projecto foi criado, escrito e imaginado por e para quem vive e conhece a nova e imergente sociedade Angolana.

A novela estreou na RTP em Março deste ano e tem vindo a conquistado a vice-liderança no horário. Como avalia o sucesso da novela cá em Portugal?

ES – Quando soube que Windeck seria transmitida na RTP1 fiquei feliz porque os Portugueses e Angolanos ascendentes e descendentes residentes em Portugal também iam ter a oportunidade de ver o meu trabalho. Depois porque internacionalizar o projecto foi importante e fiquei duplamente feliz que a 1º aposta em ficção Angolana tenha sido adquirida pela RTP1 para ser transmitida em Portugal e espero que a internacionalização não fique só por aqui . A vice-liderança é outro assunto muito interessante de analisar porque prova que o público se identifica e faz cair por terra alguns preconceitos que ainda vão existindo, refiro-me ao facto de não existirem mais atores africanos nas novelas portuguesas, embora eu nestes três últimos anos de carreira não tenha motivos para me queixar, mas há 10 anos atrás integrava mais facilmente uma produção estrangeira (francesa, Inglesa ou Americana) que uma Portuguesa. A Nossa sociedade é na realidade constituída por gente de todas as raças, logo todas as raças deveriam estar integradas num projecto de ficção porque só assim o público se identifica. Agradeço por isso a todos os que seguem a novela.

MF – Posso dizer que foi uma surpresa muito gratificante. Temos recebido boas críticas, existem muito fãs em Portugal e em outros países onde a novela está a passar e isso só nos faz pensar que fizemos um bom trabalho. Acho que a novela Windeck tem uma leveza, um guarda roupa, uma cor, uma boa disposição, música e um bom enredo entre muitas outras coisas que é o que a faz ser seguida pelo público. É de facto muito recompensador ter a oportunidade de receber reconhecimento por este trabalho além fronteiras, especialmente no nosso país.

Windeck concorre ao lado de 30 Vies, produção canadiana, Lado a Lado e Avenida Brasil, ambas produções da TV Globo. Quais são as suas expectativas?

ES – As minhas expectativas são as melhores, claro! Quando se está em competição temos que estar focados na vitória e esse é o objetivo! Não conheço a produção Canadiana apenas tenho uma noção (por curiosidade pesquisei no youtube), quanto a Lado a Lado e Avenida Brasil não há dúvida que são pesos pesados que respeito e admiro muito. Só posso dizer que é um orgulho estar nomeado com produções com este nível de qualidade técnica e artística e que esta nomeação tem um sabor muito especial e é motivo de grande orgulho para todos os Angolanos.

MF – Só o facto de termos sido nomeados já é uma vitória, é o primeiro projecto deste género por parte da Semba Comunicação e seria mentir da minha parte se não houvesse esperança de ganharmos mas temos uma competição muito forte. Quem ganhar vai merece-lo com certeza.

O aTV sabe que está escalado para a próxima novela a ser gravada em Nova Iorque, Portugal e Angola. O que pode contar acerca do novo projecto?

ES – Apenas ainda posso dizer que desempenho um papel completamente diferente daquele que desempenhei em Windeck. É mais um desafio na minha carreira. Estou a perder peso e a melhorar a minha forma física para o poder desempenhar. A próxima produção será mais um grande projecto da SEMBA, tem um elenco maior que Windeck e é uma história apaixonante!

Certamente continuará a aposta na ficção, já recebeu algum convite para ingressar numa nova novela produzida pela Semba Comunicação? É um desejo seu ajudar a indústria angolana crescer? 

MF – Posso dizer que a Semba comunicação me deu a oportunidade de fazer aquilo que eu mais gosto que é representar e com isto posso também dizer que existe mais um projecto em vista. Mais um desafio. Quanto a fazer parte desta indústria, quero fazê-lo,será um privilégio. Acreditaram em mim, fui muito bem recebida, fiz muitas amizades e já estou muito ligada a Angola. Toda a minha família materna é angolana, como tal tive sempre presente na minha infância a música, os dizeres tradicionais, a comida, a dança, os tecidos.. Sinto-me muito grata e feliz com esta oportunidade.

Atualmente pode ser visto também na novela A Outra em reposição na hora de almoço na TVI. Recentemente fez uma participação especial na novela de horário nobre da SIC, Sol de Inverno. A sua ausência num elenco fixo de uma novela portuguesa deve-se a falta de convites?

ES – Acredito que a falta de convites para um elenco fixo de uma novela Portuguesa se deva também ao facto de no geral não se escreverem para negros personagens comuns a outros quais queres que têm empresas, que têm famílias e que não têm de ser necessariamente da mesma raça e nacionalidade (repare que por acaso e mesmo só por acaso a minha mulher é Italiana, não é negra, nem Angolana ou Portuguesa, mas é a mulher pela qual me apaixonei e de quem tenho 2 filhos. Não me apaixonei pela cor dela nem pela nacionalidade dela nem pela profissão dela, apaixonei-me pela mulher que é, personagens que são gestores, designers arquitectos, bombeiros, psicopatas, assassinos, donos de uma herdade, produtores de vinho, advogados, Juízes, policias…Por outro lado acho que é normal fazer 2/3 trabalhos seguidos e depois durante algum tempo fazer o que chamam de “perninhas”. Nesta profissão também parte de nós sair da zona de conforto, muito recentemente e pela segunda vez, surgiu a vontade de trabalhar comigo nos EUA e uma vez que já não era possível porque vou estar a gravar até Junho de 2014, o meu agente está a preparar tudo para que assim que termine este projecto em Angola possa passar uma temporada de 5/6 meses nos EUA e eu vou, estaria mais confortável em Portugal ou em Angola. Isto é a realidade da nossa sociedade actual e da Globalização.

Cá em Portugal o seu último trabalho em televisão foi em 2007 com a série Rebelde Way. A sua ausência deve-se a falta de convites?

MF – O meu último trabalho em TV em Portugal foi a Rebelde Way, a partir daí senti que precisava de mais bases de aprendizagem e de métodos de representação diferentes daqueles que estava a estudar por Portugal. Fi-lo, fui para Nova Iorque, estudei na Escola William Esper Studio, adorei, cresci muito e desde então tenho apostado noutras coisas para além de TV. Tirei um tempo para me dedicar a curtas-metragens, longas, locuções entre outras coisas, profissionais e pessoais. Não vou dizer que é uma área fácil,pois não o é. Existem muitos talentos e poucos projectos, acaba por ser incompatível estarmos todos a trabalhar. Acho que ao contrário do que se pensa,esta área não é de todo fácil, exige muito de nós. Às vezes existem oportunidade, outras vezes não e temos de estar constantemente a reinventarmo-nos e a lutar por um lugar no mercado. Mas quando se gosta mesmo do que se faz, o sonho continua.

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