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A Entrevista

A Entrevista – Artur Ribeiro

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Belmonte acaba de ser nomeada para o Emmy Internacional na categoria de «Melhor Telenovela», sendo a única produção portuguesa na corrida. O A Televisão falou com Artur Ribeiro em exclusivo, guionista desta história de sucesso da TVI. O autor revela que é «mais que gratificante» estar na mesma competição que veteranos da Globo.

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Belmonte é uma adaptação de uma história chilena. Acreditou alguma vez que a novela iria ser nomeada?

É uma adaptação muito livre pois eu parti da premissa e desviei logo desde o primeiro episódio para outros caminhos e histórias. Se forem a verificar, o nosso grande vilão, o Carlos, que mata o pai no primeiro episódio, não é de todo do formato original, nem esse homicídio acontece na versão chilena. Eu próprio nem sei o que acontece em Hijos Del Monte depois do primeiro episódio. De qualquer forma, como não deixa oficialmente de ser uma adaptação, cheguei a pensar que Belmonte não pudesse ser nomeada. No passado já houve outros remakes nomeados… Tinha alguma esperança, mas sobretudo confiança na qualidade da nossa versão.

Como é que reagiu à notícia da nomeação?

Como estou em Nova Iorque, cinco horas mais cedo, acordei às sete [de ontem] com essa boa notícia, que é sobretudo o reconhecimento do trabalho de todos e especialmente o resultado de uma combinação fantástica de guionistas, elenco e direção de actores, produção e realização, e, no geral, uma equipa técnica entusiasmada e dedicada, o que faz toda a diferença na qualidade final do produto. E claro, nada disto acontecia se não tivesse existido igualmente uma vontade da direção da TVI em combinação com a direção de conteúdos da Plural de arriscar e investir neste projeto.

Quais são as suas expetativas? A TV Globo está também presente.

Ser nomeado é mais que suficiente. Afinal de contas, já foi uma escolha entre não sei quantas dezenas de telenovelas de países e línguas de todo o mundo. Sendo a primeira novela que escrevo, para mim, já é mais que gratificante estar na mesma competição que veteranos da Globo, num formato onde nunca imaginei encontrar-me. O elenco está todo orgulhoso do trabalho de todos. E com saudades.

Qual seria a comitiva ideal para ir à cerimónia?

O ideal era irmos todos, assim como a minha equipa de escrita, mas acho que a sala não é suficientemente grande…

É impossível agradar a gregos e troianos. Exemplo disso foi o final de Belmonte. Há quem defenda que foi o melhor final de novela dos últimos anos, mas também há quem critique o desfecho «inesperado» dos personagens. Porquê um último capítulo tão surpreendente, tão improvável?

Eu queria evitar os finais mais ou menos lugar-comum das novelas e quando me surgiu a ideia para este género de epílogo pareceu-me que tudo fazia sentido. No fundo, a personagem do João Belmonte só podia ser uma idealização romântica de um herói solitário e perfeito, e sendo ele ao mesmo tempo descrito como um homem da literatura, era também um clássico alter-ego para um escritor. Como todos os escritores se baseiam na realidade que os rodeia alterando-a para a suas ficções, e para o que têm para dizer, parece-me que seria muito interessante que toda a história que seguimos fosse não um sonho ou uma alucinação mas sim no fundo uma prova de amor não correspondido entre o paciente que escreveu o livro (João) e uma médica que o ignora (Paula) sendo que na ficção, ao contrário da realidade, os finais, felizes ou não, podem ser escritos e reescritos. Eu sei que pode ser um pouco de meta-narrativa a mais, mas fiquei contente por ver nos comentários dos espectadores que a ideia acabou por ser percebida pela maioria.

Na sua opinião porque é que houve quem não gostasse deste final?

Algumas pessoas não perceberam logo, mas quando se fez luz gostaram, outras continuaram sem gostar ou sem perceber. Mas é natural. Foi um final diferente do habitual no formato, por tal, houve quem não gostasse de ter as expectativas goradas, mas acho que o debate que se criou em volta do final foi muito positivo e construtivo.

Foi difícil convencer a TVI a idealizar o seu final surpreendente?

A TVI foi excepcional na liberdade e confiança que me deram para escrever esta novela.

Antes de a novela estrear, o Artur deu uma entrevista ao site A Televisão. Na altura prometeu uma novela surpreendente «tanto a nível de argumento como de realização». Assim aconteceu.

Acho que o facto de eu nunca ter escrito novelas ajudou, com alguma ingenuidade, talvez, a trazer alguma originalidade a este projeto mas, sobretudo porque eu próprio e a minha equipa esforçámos-nos para escrever a novela que nós gostássemos de ver, sem medo de arriscar, sem ceder a alguns preconceitos do género «em novela não se pode fazer isto, ou aquilo».

O que é que ditou o sucesso da novela junto do público?

Nunca nos aborrecemos a escrevê-la. Acredito que este entusiasmo e constante procura da novidade, mas coerente com a dramaturgia e as personagens, foi a chave para entusiasmar o público também.

Muitos dos atores afirmam que a novela teria um maior sucesso se tivesse mantido sempre no mesmo horário. Partilha dessa opinião?

Claro, o primeiro horário tem outros número de audiência e estávamos a dar-nos muito bem quando aí estivemos, mas quando mudamos para as 23 também provamos que no horário mais tardio fazíamos números excelentes e, por tal, contribuindo para uma maior share do prime time da TVI.

Belmonte foi uma lufada de ar fresco em Portugal. Mostrou que é possível continuar a fazer ficção porque ainda há muita coisa para explorar, não concorda?

Desde o Épico de Gilgamesh da Suméria no século 18 antes da Era Comum que ainda continuamos a explorar a ficção, no dia em que a ficção morrer acabou a humanidade. Espero que em Portugal não acabe antes do tempo.

Há quem defenda o seu regresso à escrita. Num futuro próximo podemos contar com uma novela da sua autoria?

Novela, série, filme, peça de teatro, curta-metragem, estou disponível e com ideias para tudo. Tenho muitos projetos apresentados.

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