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A Entrevista

A Entrevista – Anselmo Ralph

Destaque Anselmo Ralph A Entrevista - Anselmo Ralph

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Um estilo inconfundível e um dos grandes artistas da atualidade. Anselmo Ralph tomou de assalto as rádios e as pistas de dança com o tema «Não Me Toca». Em 2013, esgotou o MEO Arena e este ano encheu por dois dias seguidos o Coliseu de Lisboa. O cantor angolano é seguido por milhares de fãs e o seu sucesso atingiu uma dimensão sem precedentes. Ao A Televisão revelou que está a preparar um novo ábum com canções em inglês e com quatro faixas em espanhol e falou da sua participação como jurado no programa The Voice Portugal, que tem dado grandes alegrias à RTP.

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– O The Voice está a correr de acordo com as suas expectativas?

– Está, está. E está bem acima disso! Nós todos estamos surpreendidos pela positiva. O programa The Voice e a RTP estão de parabéns pelas audiências que têm tido aos domingos. A crítica tem sido bastante positiva em relação aos mentores, qualquer um de nós tem ganho um certo protagonismo… Não digo muito o Reininho, o Reininho já tem 30 anos de carreira e acho que o programa ganha mais ao tê-lo ali, pois ele já é conhecido de bandeja cá em Portugal. Agora eu acho que nós (Anselmo, Marisa e Mickael), e principalmente para mim, que sou um artista internacional, um programa de uma televisão nacional é uma exposição que só temos beneficiado em termos profissionais. E só temos é a agradecer e tentar fazer a melhor prestação possível.

– A Marisa tem sido criticada por «tratar mal» o Anselmo e o Mickael. Alguma coisa a dizer sobre isto?

– Sim, ela tem recebido críticas a dizer que trata muito mal o Mickael e o Anselmo. Então, nós dissemos: «Olha, vamos deixar eles pensarem que isto é mesmo uma briga séria até ao final do programa». E para essas brigas resultarem mesmo, tínhamos que nos dar muito bem fora do programa, senão alguém já tinha levantado a cadeira e dado um murro ao outro [risos]. Aquele jogo que nós fizemos no programa é mesmo o resultado de um bom ambiente e da sintonia que nós temos entre mentores, fora do programa. A Marisa só está preocupada que muita gente está a levar a sério o facto de pensarem que ela nos trata mal. Mas pronto, só não vê quem não quer, que está claro que nós nos damos bem.

– O Anselmo também gosta muito de chatear o Mickael. Acha que estas picardias dão mais vida ao programa?

– Olha, se dá mais vida ou não, eu não posso dizer isso, porque de certa forma cada momento acaba por completar o programa. Nós os dois somos os palhaços, acho que sim. Mas também não podia ser palhaçada com toda a gente, não é? Tem aquele momento em que eu e o Mickael somos os palhaços, e depois tem o Rui e a Marisa (o Rui é mais aquela comédia intelectual, em que só ris depois de dois segundos; a Marisa é mais séria, mais firme, e acaba por dar um ar mais sério ao programa). Então, eu acho que todos acabamos por nos complementar uns aos outros.

– Na sua opinião, o programa tem combustível suficiente para chegar ao primeiro lugar das audiências?

– Sim, tem potencial para chegar ao primeiro lugar da tabela. Mas olha, pelas audiências que a RTP tinha nos domingos e as que tem agora, só por isso, já estamos de parabéns três vezes. E agora, se chegar ao primeiro lugar, vai ser só a cereja no topo do bolo. Mas eles já conquistaram algo muito melhor. Saírem do número que eles estavam antes para o número que estão agora está muito (muito) bom mesmo.

– E quanto a si, foi necessário travar uma grande batalha para chegar a número um?

– Sim, bastante. Para ser reconhecido foi uma luta, embora eu acredite que isso é mais uma benção do que propriamente o resultado de muita luta. Eu acho que a luta ajudou… Mas na verdade há muitos que também lutam o mesmo (ou mais) que eu, e acabam por não ter o reconhecimento que hoje eu tenho. Por isso, é que eu digo que isso é mais uma benção do que o resultado da luta… Mas lutei, lutei muito.

– Quando escreve as canções tem algum objetivo? Há muito de si nas letras?

– Eu não escrevo nada nem canto nada que não me represente. Eu até podia fazer letras um pouco mais ousadas (sexualmente), ou seja, letras assim mais atrevidas, mas o mundo musical está cheio de músicas indecentes. Bem, não vou categorizá-las dessa forma, talvez lhes chame músicas atrevidas. Então, eu tento preservar um pouco, tento resgatar alguns valores morais para mostrar que podemos fazer música de amor e falar de sentimentos sem propriamente nos focalizarmos sempre na parte física.

– Acredita que a Fanny teve alguma importância no sucesso do tema «Não Me Toca»?

– Teve, teve algo a ver com o sucesso dessa música cá em Portugal, porque, por exemplo, em Angola, Cabo Verde e Moçambique já era um sucesso. No entanto, quando virou sucesso em Portugal, em Angola, Cabo Verde e Moçambique já não era (já tinha tocado tudo o que tinha para tocar). Mas definitivamente, a Fanny, temos que ser justos: foi a fada-madrinha desta música. E tenho que agradecer a ela por tê-lo feito. No entanto, houve vários fatores que contribuíram para o meu sucesso: foi a Fanny, foi a RFM… Eu acredito que houve uma virada. Também cheguei a vir cá ao Super Bock Super Rock, e acho que o Luís Montez [diretor da Música no Coração] acabou por ser também uma peça fundamental para a minha boa aceitação cá em Portugal.

– Nos últimos tempos tem estado completamente imparável. Sente que este é «o» momento?

– Eu estou a viver um momento desde que lançei o meu primeiro disco (reconhecido), em 2006, e estou sempre numa forma ascendente. Lançei o disco em dois espaços em Angola, comecei a quebrar recordes (a fazer recordes e a quebrar os meus próprios recordes em Angola), ganhei espaço em Cabo Verde, ganhei espaço em Moçambique, comecei a ganhar algum protagonismo em termos internacionais (alguns tops internacionais)… E agora esta etapa de estar a ganhar algum terreno cá em Portugal e ser considerado, entre aspas, embora não goste muito desta categorização, um «fenómeno», porque parece uma coisa temporária.

– E se o sucesso acaba? Não tem receio de cair no esquecimento?

– Os nomes sobrevivem pelos feitos. E não é muito pelos feitos, é pelas mudanças, por marcarem épocas. Por exemplo, o Michael Jackson nunca vai cair no esquecimento porque marcou uma época, delineou uma trajetória. Há artistas que dificilmente caem no esquecimento. Eu não tenho receio de cair no esquecimento em termos de passar pela rua e as pessoas já não me chatearem para tirar fotografias, muito pelo contrário. Eu estou a lutar, estou a aproveitar o tempo de sucesso. Mas também estou à espera de tirar proveito depois da fama, depois do auge. Curtir mais a vida, curtir com a família, sair um pouco, ter mais privacidade. E às vezes a vida profissional acaba por ser como a vida em si: temos que saber curtir; aproveitar enquanto somos crianças, adolescentes, adultos e velhinhos.

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– Mas tem lutado muito para não acabar esquecido?

– Eu faço de tudo para não cair no esquecimento e quero fazer ainda mais para não cair no esquecimento em termos profissionais, em termos dos espaços que tomei. Por isso é que hoje eu quero conquistar mais (e mais em termos internacionais), porque aí de certeza que não vou cair no esquecimento, porque serei o primeiro artista, aliás, já sou o primeiro artista a fazer um programa The Voice fora de Angola, e a ganhar disco de ouro (fora de Angola). E amanhã quando se falar da internacionalização, ou hoje quando se fala da internacionalização da música angolana, tem que se falar, graças a Deus, do Anselmo Ralph. E espero que amanhã se fale de muitos outros nomes, mas também não vão deixar de mencionar o meu como um dos pioneiros disso tudo.

– Não acha que Portugal deveria começar a investir mais em música portuguesa? A começar já pelo vencedor (ou vencedora) do The Voice

– Olha, ainda esta manhã comentei que aqui em Portugal têm que começar a investir mais em música portuguesa (nas rádios), e também em música jovem. É que tem tão poucos cantores, artistas conhecidos portugueses (malta jovem, miúdos). Não há pessoal com 20, 22, 23… Não há. E existe cantores para isso, existe talento para tal. O rapaz que ganha o The Voice grava um disco, mas se não existe um apoio… Ok, a música tem de ser boa, mas se não existe um apoio das rádios… E por mais que a música seja boa, é muito pouco provável que deixem de tocar uma Beyoncé para tocar o vencedor do The Voice. Isso tem que ser, hum, não digo uma política, mas tem que ser sensibilizado, não é? Às vezes fico um pouco triste por muitas das vezes ligar a rádio em Portugal e ouvir pouca música em português. Eu acho que há muito talento, tal como comprovei neste programa, o The Voice, e tudo só depende de quem tem o poder.

– Já teve tempo para parar e refletir a grandeza do que tem acontecido na sua vida?

– O simples facto de tu estares sempre a lutar, sempre a querer mais, a apontar para mais, e novos mercados, e por aí fora… [pausa] Olha, sabes aquelas pessoas que estão sempre a trabalhar e nunca têm tempo para observar aquilo que construíram? Então, é da mesma forma que eu me sinto. Acho que ainda não tive tempo de parar e refletir a grandeza do que tem acontecido comigo. Talvez até seja melhor assim, para isso não me tentar a pensar mais daquilo que sou.

– É fácil, para si, lidar com o assédio?

– Eu já fui bastante assediado, mas hoje já não sou nenhuma criança, sei aonde vou. Eu sei qual o sítio que vou e vou ser assediado. Por exemplo, se eu for a uma discoteca, tenho a certeza que lá vou ser assediado. Então, há várias curvas que eu evito de as fazer, porque já sei onde é que aquele caminho vai dar. E outra coisa também, é da forma como tu te diriges às fãs. Às vezes quando tu, mesmo dando carinho, mesmo dando atenção, tu podes deixar bem patente o que é que tu queres daquela relação, que é somente o artista e a fã; e é por aí que vais ficar. Nós adultos sabemos muito bem deixar aquela linha, aquele olhar, aquela palavrazinha para depois as fãs puxarem, mas há vezes que tu – a maneira, o gesto, o olhar, a maneira que vais falar – pode cortar logo a vontade de qualquer mulher… É aquilo, é só tu te mostrares seguro para aquilo que tu queres e aquilo que vais ser.

– O que é que os seus fãs significam para si?

– Para mim, os meus fãs significam… [pausa] É o estrelato, não é? Vejamos, é o que eu digo em muitos concertos meus: na verdade os fãs é que fazem de mim um artista. Ai, é uma pessoa que sabe cantar bem… Podes ser o melhor cantor do mundo, sem fãs és um mero cantor. Mas podes ser o pior cantor do mundo, com fãs viras estrela. Então, eu tenho um respeito enorme pelos fãs, e uma grande consideração. Eu sei que são eles que me fazem, são eles que me poem no palco, são eles que me vão pôr a vencer tops, e por aí. E são eles que um dia também vão decidir: o Anselmo agora já passou, agora será outro.

– Não lhe incomoda o facto de comentarem negativamente (e destrutivamente) o seu trabalho?

– Olha, eu não reago muito bem às críticas. Não que seja orgulhoso, mas emocionalmente não reajo muito bem às críticas. Fico sempre naquela «Pô, mas eu tou a fazer isso… Como é que as pessoas vão dizer isso e assado e cozido?». Eu tento sempre ver, em qualquer crítica, um lado mais positivo. De certa forma, fui um miúdo que ao crescer queria agradar a toda a gente, e talvez isso tenha depois afetado um pouco o meu carácter agora como crescido (volta e meio vejo a crítica de um fã e quero agradar). E pronto, custou-me chegar a um ponto de compreender que realmente não se pode agradar a toda a gente. Eu trabalho com um staff em termos de internet e digo sempre: «Eu não quero ver nada de negativo, nada de insultos». Prefiro as críticas construtivas, porque há pessoal muito respeitoso que fala «Olha Anselmo, gosto muito da tua música, mas acho que tu devias fazer algo assim», «Olha, acho que aqui não estiveste tão bem». Essas sim vejo de bom grado.

3 A Entrevista - Anselmo Ralph

– Sente algumas invejas no meio musical devido ao sucesso que tem alcançado?

– Invejas, isso sinto. Isso não tenho como. Eu não me considero santo nenhum, e também não sei como seria, por exemplo, eu ver um Anselmo Ralph e eu não ser o Anselmo Ralph – como é que eu me sentiria? Eu já tive em situações em que, por exemplo, eu não era a grande estrela de Angola, era simplesmente um artista, e sempre soube apoiar. Mas sim, invejas há… E eu aprendi desde miúdo a sorrir com quem me fala mal. Então, eu costumo sempre dizer, e a minha família critica-me muito por esta minha maneira de ser, que o meu defensor é Deus. Eu não preciso de abrir a boca, nem para me defender… Muitas das vezes vejo e sou obrigado a rir com pessoas que eu sei que falam mal pelas costas, mas não de uma forma falsa. Epá, na boa. Eu já vivi muita coisa nesta vida e, então, hoje essas coisas tornam-se totalmente insignificantes. Já estou treinado para enfrentar esse tipo de situações.

– Quem é o Anselmo Ralph para além dos holofotes?

– Ah, muito mais reservado. Sou mais para a família do que para outra coisa. Fora dos palcos, olha… Eu não escondo muito aquilo que sou. Por exemplo, agora tenho a oportunidade de estar a fazer o programa The Voice, e aquilo que eu mostro é aquilo que eu sou. Fora dos palcos ainda sou um pouco mais brincalhão, mais gozão, mais parvalhão, e por aí fora. No entanto, sou muito reservado, muito mesmo para a família… O sucesso infelizmente é uma espada de dois gumes para quem tem família: acabas por conhecer meio mundo, mas também acabas por perder momentos importantes com aquelas pessoas que te rodeiam, aquelas pessoas que são mais importantes para ti (como neste caso, para mim, a minha esposa, os meus filhos…). E quando estou em casa, tento compensar ao máximo. Às vezes desligo o telefone e fico uma semana, ou um final de semana inteiro com o telemóvel desligado, só para puder passar um tempo mais, com uma melhor qualidade, com a família.

– Quais são as próximas metas?

– Objetivos agora é tentar manter, tentar mostrar ao mercado português que não foi mero acaso; e se foi mero acaso, o sucesso do Anselmo Ralph tem estado aproveitado. Mas acima de tudo, tentar provar que não foi mero acaso e agora é conquistar novos mercados. Por exemplo, atualmente estou a gravar o meu disco internacional, em inglês e espanhol, e ver o que é que vai dar. Também vou gravar da mesma forma que gravei o DVD cá no Campo Pequeno, vou também gravar com artistas brasileiros no Brasil um DVD e ver o que é que vai dar.

Mensagem de Anselmo Ralph:

https://www.youtube.com/watch?v=ej70hp_vq1I

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