A Entrevista

A Entrevista – Alcides Nogueira – «Tempo de Amar»

Imagem: Estevam Avellar / TV Globo

Tempo de Amar é a novela de autoria de Alcides Nogueira que é protagonizada por Bruno Cabrerizo, Vitória Strada e Jayme Matarazzo. Com um elenco que inclui alguns dos mais conceituados nomes da teledramaturgia brasileira, como Tony Ramos, Regina Duarte, Nívea Maria, entre outros, a trama retrata «muitas histórias de amor», como refere o seu autor, numa «época muito rica».

Leia, em seguida, A Entrevista a Alcides Nogueira.


Como define Tempo de Amar?

É uma novela de amor com muitas reviravoltas, um folhetim clássico que se passa entre 1927 e 1930, antes da Era Vargas. Gosto de dizer que não é uma história de amor, são muitas histórias de amor. Amores danosos, culpados, plenos, sofridos. O amor é o motor da trama.

Como foi ficcionar um argumento do escritor Rubem Fonseca?

Conheço e admiro a obra de Rubem Fonseca, que é incrível. Mas nunca antes tinha trabalhado adaptando algo dele. Foi muito interessante ficcionar uma história da família do escritor, até mesmo por ter como parceira no texto a sua filha Bia Corrêa do Lago. A história central é inspirada nesse texto.  

Tempo de Amar é uma novela de amor, mas em nome dele, algumas personagens cometem absurdos. Acha que o amor pode motivar ações egoístas e que prejudicam as pessoas?

Sem dúvida alguma! Às vezes o amor é uma força tão grande que bate de encontro com a personalidade da pessoa. O amor é uma força quase sempre misteriosa. A personagem Lucinda (Andreia Horta), por exemplo, é uma mulher traumatizada porque foi abandonada pelo noivo. Além disso, carrega a culpa da morte da mãe. E ficou marcada com uma cicatriz no rosto. Uma menina linda, deslumbrante com uma grande cicatriz, o que a impede de ser feliz. A vilania dela é outra. Ela tem um sofrimento tão grande que quando encontra Inácio, ela agarra essa chance. Eles acabam vivendo uma relação de proteção. Ela age movida pelo amor e, para conseguir o que quer, não tem escrúpulos. Ela se aproveita da fragilidade dele para levar à frente esse amor egoísta. Em alguns momentos eu sinto raiva dela ao escrever os textos. E em outros sinto profunda ternura.

As questões históricas do período são retratadas de que forma na novela?

É muito bom ter contexto histórico como pano de fundo. Essa época é muito rica. Você tem artisticamente, em decorrência do Modernismo, a valorização da brasilidade. Além disso, há a discussão da posição da mulher e do negro. No período temos uma série de transformações profundas, vemos o final da República Velha, Getúlio Vargas que voltou para o sul e ficou lá conspirando, até que tomou o poder no Rio. E aí a coisa muda completamente, a Revolução de 30 é um divisor de águas. Esses acontecimentos vão aparecer na novela. Teremos um grêmio na trama coordenado por Vicente (Bruno Ferrari) e Edgar (Marcello Melo Jr) e ali há uma série de apresentações e discussões políticas, com a repressão que no Brasil sempre existiu. Vamos colocar também a queda da Bolsa de Valores em 1929, o que vai afetar profundamente os cafeicultores. Então, parte dos nossos personagens muito ricos vai entrar num outro período da vida, porque é a decadência mesmo.

A novela desenrola-se no fim da década de 20. Nesse período as mulheres começaram a ganhar espaço. Como vai retratar esse momento na novela?

É um período muito importante para a questão das mulheres, que deve ser discutida permanentemente. É exatamente nessa época que aparecem as primeiras sufragistas, porque as mulheres não podiam votar, não tinham direito algum. No Rio, nesse final da década de 20, a gente percebe que as mulheres começam a ocupar posições muito importantes mesmo. Na parte artística, em decorrência do Modernismo – que começou em São Paulo em 1922 – é incrível a influência de Tarsila do Amaral, de Anita Malfatti, uma série de mulheres interessantes. A poetisa carioca Gilka Machado lança em 1927 um livro chamado «A mulher nua», onde ela coloca explicitamente a questão da sexualidade feminina, o que ainda hoje é discutido com pudor. Essa é uma pauta que precisa estar na novela sim, pois é sempre atual.

É o autor da novela, mas conta com uma parceira no texto e dois colaboradores. Como é esse trabalho em equipa?

Sempre dei muita sorte com os colaboradores. É a primeira novela da Bia, mas ela é muito criativa, o tempo todo busca histórias e tramas. Ela tem uma formação cultural muito sólida e isso ajuda muito. E o Tarcísio Lara Puiati já escreveu comigo O Astro e I Love Paraisópolis, então existe uma cumplicidade muito grande. A Bíbi Da Pieve tem um trabalho que eu admiro muito, ela vem dos seriados. Ela traz essa experiência que é importante, porque hoje a novela não é mais como antes. Além da pesquisa importantíssima da Yara Eleodora. Porque uma novela de época sem pesquisa não funciona.

Como está a ser o trabalho com Jayme Monjardim?

Como sempre, maravilhoso. Em 1985 em minha primeira novela, que escrevi com o Walter Negrão, a direção era do Jayme. Também era uma novela de época, Direito de Amar. E eu fiquei com o gosto de quero mais. Ele tem uma sensibilidade, é muito doce e ao mesmo tempo muito direto. É um privilegio trabalhar com ele, tem uma bagagem incrível, ele sabe fazer.


Tempo de Amar é exibida de segunda a sexta-feira, às 19h30, na Globo. 

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