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A Entrevista

A Entrevista – João Montez

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João é persistente e ambicioso. Palavras do próprio. Começou na rádio e até chegar à «caixinha mágica» foi um pulo. Imaginava-se ator, mas a vida trocou-lhe as voltas e é enquanto apresentador que ganhou mais destaque junto dos portugueses. Mergulhamos na vida de João Montez, que partilhou connosco um percurso conquistado degrau a degrau.

Hoje muitos o associam como um rosto da TVI, mas talvez pouca gente sabe que os seus primeiros passos no mundo da comunicação foram na rádio. Que recordações guarda dessa experiência?

A rádio é daquelas paixões à primeira vista. Fiz um estágio de seis meses [na rádio Cidade], a partir de um workshop que frequentei. Convidaram-me para ficar, mas como não me podiam pagar, acabei por sair. Ao mesmo tempo, tinha terminado o curso e já queria um trabalho fixo. Pensei também que a bagagem que a Cidade me deu, porque foram seis meses de cobertura de festivais e emissões em direto, fosse o suficiente para perceber o que é ser profissional da comunicação.

O «bichinho» da rádio ficou sempre presente?

Sim. Logo a seguir ao fim do estágio continuei a procurar um trabalho na rádio. Mandei currículos para todo o lado e mais algum e não obtive respostas no imediato. Ainda trabalhei numa agência de modelos como scouter e depois começaram a surgir respostas, uma delas para a MEO Sudoeste. Foi o início do projeto, nem tinha um ano acho eu. Tive dois meses, ainda, só no estúdio a ver o Rui Pêgo e a Raquel Strada fazerem rádio, naquela altura no programa da manhã. Foram dois meses a acordar todos os dias às sete da manhã para ir ver como eles faziam. Passado esse tempo surgiu uma oportunidade de fazer o programa da tarde sozinho. Foi muito bom. Senti o que era a responsabilidade de ter um estúdio e uma emissão só por minha conta, porque na rádio Cidade havia sempre a supervisão de alguém.

Estudou representação na New York Film Academy, em Los Angeles, durante dois anos e meio. Sempre quis ser ator?

Sempre gostei muito da área da representação, só que nunca exteriorizei isso. Não foi por uma questão familiar, porque os meus pais sempre me apoiaram imenso em tudo aquilo que eu escolhi. Era mais pelo facto de sentir que não tinha estabilidade financeira. Chegou uma altura, ainda estava na MEO Sudoeste, em que senti que não conseguia evoluir mais e que precisava de completar essa outra parte no qual eu gosto muito. Consegui juntar dinheiro, passado muitos meses, para pagar parte do curso. O resto foi com a ajuda dos meus pais. As coisas aconteceram muito de repente. Comecei a juntar dinheiro sem saber ainda se ia e recebo a resposta da escola um mês e meio antes de partir. Quando cheguei, fiquei num motel e tinha duas semanas para arranjar casa antes do início das aulas. Foi muito difícil. Só me lembro que os meus primeiros seis meses foram mesmo de bater com a cabeça contra as paredes, porque não conhecia ninguém e não tinha tempo para nada. Só passado seis meses é que conheci o Tiago Felizardo e o Francisco Froes.

Como correu essa experiência?

Foi uma experiência muito positiva, no início foi complicado ao ponto de duas ou três vezes querer voltar para Portugal, principalmente pelas saudades que eu sentia da família e amigos, mas hoje em dia tinha feito outra vez e se calhar tinha ficado lá mais tempo.

Em 2014 regressa a Portugal com a certeza que um curso lá fora ia abrir-lhe mais facilmente as portas do mundo da representação. Com que realidade se deparou quando chegou?

Com uma realidade diferente. O processo de resposta é muito mais lento que nos Estados Unidos. Lá, se gostarem de si, dizem-lhe que gostam. Se não gostarem, dizem-lhe que não gostam ou que não serve por isto ou por aquilo e pode ir bater à próxima porta. Aqui acho que fica-se muito na incógnita. Se não gostarem de si, e não sabe o porquê, para o processo de evolução isso é terrível, porque não faz ideia onde errou.

Experienciar o mundo da apresentação esteve sempre presente na sua cabeça?

Não. Quando cheguei cá queria sobretudo apostar na representação. Quando cheguei cá, mandava os currículos e quando não obtinha resposta ia lá. Vou bater à porta e vou perceber o porquê de não dizerem nada. Tive a sorte de e passado uns meses do meu regresso dos Estados-Unidos ter surgido a oportunidade do casting do Curto Circuito [programa da SIC Radical], mas antes disso percorri agências de atores. Aqui em Lisboa acho que bati em todas as capelas [risos].

No casting para ser o novo apresentador do Curto Circuito, chega à final, mas acaba por não ganhar o concurso. Foi frustrante para si chegar tão perto da possibilidade de concretizar algo que ambicionava?

Acho que mentia se eu dissesse que fiquei bem, não é?. Claro que fiquei frustrado. O casting foi um dos mais longos que foi feito no programa e em que os candidatos apresentaram uma série de programas seguidos. Estávamos lá todas as semanas para fazer qualquer coisa. De facto deu-me uma bagagem enorme, mas chegar à final e não ficar foi sentir que «morri na praia». O mérito foi do Idevor [Mendonça] e isso ninguém lhe tira e não acho que tenha sido injusto, pelo contrário, acho que o meu ultimo programa não foi nada de especial e foi nesse que eu devia ter apostado tudo.

Não baixou os braços. Continuou à procura da sua oportunidade. A persistência é um dos traços que o caracteriza?

Eu fui sempre muito persistente, mas o facto de ter estado em L. A. e ter percebido como as coisas funcionam lá, tornou-me ainda mais assim. O facto de aqui não receber resposta para mim é impensável. Só se alcança um certo tipo de perfeição se souber onde erramos. Se eu não souber, como é que eu vou melhorar? A persistência, sim, é que me tem levado até aqui.

Acabou por integrar o programa das madrugadas, o Ora Acerta. Como é que lhe chegou essa oportunidade?

Fui ao casting do Ora Acerta por acaso, porque surgiu numa altura em que nem sequer estava na agência onde estou, estava na L’Agence [atuamente é agenciado pela HIT]. Estava na parte dos comerciais, ou seja, não é ator, não é um talent, é um rosto como outro qualquer, só que eu insistia muito e falava do meu curso em L.A. Não é falta de modéstia. Há que pôr as coisas como elas são. Não sei se me achavam graça ou não, mas a verdade é que o casting do Ora Acerta surge muito porque fui insistente com a L’agence.

Que memórias guarda da sua experiência no programa Ora Acerta?

Sabia que ia com uma responsabilidade de ser um programa em que eu ia dar a cara, ainda que fosse um teste para a TVI. Budapeste é uma realidade completamente diferente e houve um choque inicial, mas sempre com o espírito que era uma experiência e que estava lá para trabalhar. Tentei encarar as coisas de forma positiva. Na TVI havia sempre a preocupação de saber se eu estava bem e as coisas correram bem. Não é, se calhar, um programa com que eu me identifique, mas é um projeto válido em que fazemos alguém feliz naquela noite, porque acaba por ganhar um prémio substancial. Diverti-me e fiz amizades, por exemplo com a Joana Vieira, que hoje em dia ainda mantenho.

Quais foram os motivos que o levaram a regressar a Portugal?

A decisão de voltar e terminar o programa foi mesmo porque não queria ser apenas conhecido como o João do Ora Acerta. Não que tenha algum problema com isso, mas queria projetos maiores. Chegou uma altura do programa em que aquilo já não me desafiava assim tanto e precisava de mais qualquer coisa. Quando disse que queria terminar com o Ora Acerta, surgiu o convite de integrar o Somos Portugal e aceitei. Voltei para Portugal passado 6 meses e pensei que ia logo começar, mas não. Estive dois meses em que também não me davam resposta.

Como é que lida com a ausência de resposta e com esse tempo de espera que parece que se eterniza?

Reajo muito mal. É das coisas com que eu mais sofro, mas é por não saber como é o dia de amanhã. Agora já consigo, se calhar, ter um pouco mais de previsão. Por exemplo, sei que até Dezembro contam comigo para o Somos Portugal, ainda que não seja todos os domingos. Hoje em dia não me posso queixar. Sou um privilegiado, porque sei que nenhum canal, neste momento, abre portas como a TVI. Eu sei que ainda há a questão de não saber o dia de amanhã, como há muita gente que não sabe dentro da TVI, mas sabemos que mal ou bem estão a contar connosco e se estão a apostar em nós é porque vêm alguma coisa de diferente e por isso vão continuar connosco. Pelo menos prevê-se que isso aconteça.

Surge depois o Ricas Quintas, o passatempo que apresenta ao lado da Olívia Ortiz. Houve um empatia entre ambos desde o princípio?

Eu já conhecia a Olívia do Ora Acerta. Já éramos amigos. A nossa empatia, a nível de dupla, é uma coisa que tem de se construir. Acho que aquela coisa do, de repente, existir química entre uma dupla não acontece. Pode acontecer, mas é raro. Tem de ser mesmo com o facto de trabalhar diariamente. Hoje em dia acho que já há uma boa química entre mim e a Olívia. Sempre houve desde o início, mas é uma coisa que tinha de ser feita todos os dias. Actualmente já nos conseguimos libertar do nervosismo e brincar um com o outro.

Não escondeu, na imprensa, o seu interesse em apresentar um reality show.

Também disse outras coisas nessa entrevista, mas não saiu tudo. Acima de tudo gostava de apresentar um talk show. Adorava ter uma coisa semelhante ao 5 Para a Meia-Noite, por exemplo. Adaptado ao meu estilo e ao da TVI. É a referência que tenho de talk shows a nível nacional, mas também lhe digo que não me importava nada de apresentar um reality show. Em termos de géneros televisivos, primeiro um talk show, depois um reality show.

Partilha o palco com personalidades com um percurso estabelecido em televisão como é o caso de Nuno Eiró, Iva Domingues, Mónica Jardim ou Cristina Ferreira. Tem sido uma aprendizagem constante?

Tem. Aliás, todos os programas que tenho feito são o reflexo disso mesmo. Deram-me a estaleca necessária. O Ora Acerta deu-me o traquejo para estar uma hora e meia a falar e a improvisar sobre o jogo em questão. Estar sozinho em frente da câmara é muito difícil. Agora com tudo isto que tenho feito, o Somos Portugal também, continua a ser uma aprendizagem. Acaba quase por ser um fim-de-semana com amigos em que posso tirar proveito de coisas que não sei fazer e eles fazem muito melhor do que eu.

Alguma vez imaginou partilhar o palco com eles?

Não, nunca. Aliás eu era um fã do Nuno Eiró no programa Êxtase [da SIC]. Adorava o humor que ele tem e hoje em dia conviver com isso de fim-de-semana para fim-de-semana é realmente uma sorte. Nunca pensei que isso pudesse acontecer. Tenho um sentimento de tanta admiração por todos eles, aliás. Se me dissessem isso há dois anos atrás, iria achar um completo absurdo, porque nunca pensei chegar aqui.

Acha que a TVI é a única estação que neste momento abre portas a novas apostas?

Pelo menos é a única que o fez nos últimos anos, se bem que há os canais temáticos que abrem sempre portas todos os meses, mas a nível de televisão generalista, a TVI é a única que o fez.

Quem são as suas referências televisivas?

A minha referência masculina é o Rui Unas. Adoro o Rui Unas. Todos nós, do meio, aprendemos com ele. Por mais não seja pela inovação que ele põe no trabalho dele. Ele não se limita a ser o apresentador que vai para a emissão que tem de fazer. Ele explora muito as redes sociais e a criação de conteúdos próprios com poucos meios. É um dos profissionais que eu faço quase uma vénia. Não posso esquecer também do Manuel Luís Goucha que é o verdadeiro profissional da comunicação em Portugal. É um comunicador não só à frente, mas atrás da câmara. Interessa-se pelas pessoas e é das coisas que mais me surpreendeu. É incrível a abordagem que ele tem com toda a gente com que ele se cruza nos corredores da TVI. É mesmo uma simpatia extrema e gosta de saber desde a senhora da limpeza até ao cargo mais alto. De uma forma o Rui e de outra forma o Manuel são as referências masculinas que eu tenho.

E no feminino?

No feminino é a Cristina Ferreira porque tudo o que tenho aprendido com ela tem me servido bastante e acho que é um talento incrível. A Fátima Lopes também. O talento está à vista de todos. Uma com um estilo, outra com outro, fazem um brilhante trabalho.

É na TVI que se sente em casa?

Sim. Gosto dos outros canais, não posso dizer que não e que não os vejo porque acho que é uma hipocrisia gigante se disser isso, mas tenho um carinho especial porque foi o canal que me abriu portas e acho que vou ter sempre não só com os apresentadores mas com a equipa técnica e a equipa de produção de todos os projetos. São pessoas com quem tenho mesmo vontade de trabalhar. Vou sempre acarinhar muito esta estação.

Muitos o apelidam de «menino bonito da TVI», um título que recusa. Porquê?

Tenho receio que as pessoas se fiquem pela imagem e que não olhem para o conteúdo. Normalmente quando sabem que fui ator ou que já era ator antes de ser apresentador, pode haver sempre aquele estigma de que só estou ali porque se é bonito ou engraçado e eu não quero isso. Eu sei que o primeiro impacto é visual e é o que conta, mas quero ser sobretudo reconhecido pelo trabalho que faço e pelo conteúdo que tenho e sei que o tenho. Ficaria frustrado se ouvir um desses piropos, mas tenho de lidar com isso.

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