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A Entrevista

A Entrevista – Jayme Matarazzo

Jayme Matarazzo A Entrevista - Jayme Matarazzo

Jayme Matarazzo

Hoje é exibido em Portugal o último capítulo de Sete Vidas. A trama de Lícia Manzo termina na Globo, sendo que agora a faixa das 20h do canal exclusivo NOS, será ocupada por Além do Tempo, outra novela inédita no nosso país. O A Televisão esteve à conversa com Jayme Matarazzo, o Pedro na trama, e um dos temas principais foi a colaboração do ator com o pai, o director Jayme Monjardim. Esta é uma parceria que se repete, mas que não deixa de ser «um prazer» para o ator. Fala-se também de projetos futuros.

Leia em seguida a entrevista completa.


Esta é a segunda vez que o Jayme trabalha com o seu pai. Como foi a experiência?

O primeiro contacto que a gente teve junto foi em Maysa, que foi uma minissérie sobre a minha avó, com direção do meu pai e foi ali que tudo começou. E foi a primeira experiência que tive com o meu pai me dirigindo. Eu acompanhei muito o trabalho do meu pai a vida inteira. Conheço o jeito dele trabalhar, a forma de trabalho dele… porém, naturalmente existe uma adaptação de você trabalhar com uma pessoa tão próxima e que você conhece tanto. Acho que foi um dos desafios a mais que essa novela – Sete Vidas – me trouxe, foi essa reexperiência porque Maysa foi muito curtinho. Foi muito sadio, foi muito prazeroso… Foi [uma experiência] muito honesta, muito franca, não só perante eu e ele, como também perante a equipe toda. Então foi fácil de administrar, porque eu acho que são dois profissionais muito sérios. O meu pai é um cara muito sério. Eu sou um cara muito sério na minha profissão e são duas pessoas que em primeiro lugar ali vão colocar sempre o trabalho, de forma fácil, de forma simples e de forma orgânica. Então eu posso dizer que trabalhei com o Jayme Monjardim, o diretor Jayme Monjardim e não com o meu pai. Então pelo profissionalismo que ambos tiveram, é assim que funciona. Ali eu trabalhei com o diretor Jayme Monjardim, que é um cara que eu admiro muito, que sempre acompanhei os trabalhos, não só como pai, porque eu já admiro os trabalhos dele como profissional e gostaria muito de ser dirigido pelo profissional Jayme Monjardim. Um diretor por quem eu sinto a maior admiração.

Sente mais pressão pelo facto de ser dirigido pelo seu pai?

A pressão que eu sinto dentro de mim é zero, porque eu realmente me dei o direito de seguir o meu caminho. A gente se reencontrou agora, mas eu venho de cinco trabalhos dentro da emissora com outros diretores e com vários diretores. Então tem sido bom. Até dentro da Rede Globo é meio raro o que aconteceu comigo. Eu venho de seis anos trabalhando com seis directores diferentes, seis autores diferentes. Geralmente as pessoas acabam entrando em circuitos que tipo «tal diretor gosta de trabalhar com tal pessoa» e eu fui um cara que rodei muito dentro da Rede Globo, até me sentir apto, tranquilo e capaz de trabalhar com um cara que nem meu pai. Então, eu tracei um caminho até me sentir apto para trabalhar com ele, um caminho do qual eu me orgulho muito. Um caminho muito independente.

Acha que foi mais fácil ou mais difícil esse caminho, considerando que é filho de Jayme Monjardim?

Eu acho que foi mais fácil para mim do que foi para as pessoas aceitarem. Se existe alguma dificuldade, como você está falando, se existe alguma pressão, ela sempre existiu muito mais nas outras pessoas do que em mim. Essa pressão nunca existiu dentro de mim.

Mas nunca sentiu nenhum tipo de desconfiança ou preconceito?

Eu acho que eu cresci dentro da Rede Globo, eu cresci dentro da emissora. Em pouco tempo eu consegui provar para as pessoas a minha personalidade, que eu tenho o meu caminho, que eu tenho os meus passos. Eu acho que cada um colhe aquilo que planta e eu acho que eu colhi muito bonito. Eu acho que eu colhi coisas boas. Eu acho que eu plantei coisas boas, [pois] os frutos que eu fui colhendo foram coisas que eu tinha plantado. [Além disso, foi capaz] De demonstrar para as pessoas que o meu negócio estava ali – de ser um cara muito correto, de não atrasar, de tratar todo o mundo por igual, ser um cara responsável, de ter o texto decorado… [Esse foi o] O meu papel, independente de ser filho de quem sou, [que] eu fiz e é nisso que eu me agarrei para que as pessoas vencessem esse preconceito que poderiam ter. Porém, não existiu. Eu acho que na prática as coisas se resolveram muito bem. Eu acho que eu aceitei tão bem a todos que todos me aceitaram muito bem.

O Jayme tinha começado a sua carreira atrás das câmaras, à semelhança do seu pai. O que o fez mudar de ideias?

Eu estudei cinema. Eu gosto muito da ideia de contar histórias. Eu gosto muito da criação, gosto da execução, de por a mão na massa, então eu sempre fui muito atrás das câmaras. Maysa me deu a oportunidade de me colocar à frente das câmaras para contar uma história que é muito familiar, a qual eu só aceitei por se tratar do projeto que era, porque eu quis mergulhar nessa história da minha família, quis me colocar no lugar do meu pai naquela situação, até para, pessoalmente falando, várias descobertas familiares, várias descobertas pessoais. Acho que foi um projeto muito pessoal, profundo para a gente.

E não teve medo da exposição da intimidade familiar, já que a série Maysa contava uma história verídica da sua família?

Maysa foi o único trabalho até hoje do qual se eu sentir algum tipo de pressão, talvez tenha sido aqui, não pela pressão de estar a trabalhar com o meu pai, mas pela coragem que a gente estava tendo em abrir tanto a vida da nossa família e as nossas vidas, por consequência. Então foi um projeto que se não fosse tratado com tanta delicadeza, como foi, e aceite com tanta generosidade, tanto pela emissora quanto pelo autor, quanto pelo público, eu acho que a gente corria riscos de exposição demais. Porém, acho que fizemos uma coisa muito honesta e as pessoas entenderam, aceitaram e nos respeitaram, com relação à nossa história e à nossa profissão.

O Jayme já trabalhou com vários diretores e autores. Destacaria alguma referência para si?

Eu tenho admirado muito as pessoas jovens. Acho que a gente está com uma safra de diretores novos muito boa. Acho que a gente tem novos talentos muito bons surgindo. E eu fico muito feliz de ter trabalhado com alguns deles. E ter trabalhado na minha primeira novela com Rogério Gomes – Escrito nas Estrelas – e é uma equipe que eu sei que vem demonstrando ano a ano uma coisa moderna, uma coisa bacana. Tenho muito orgulho de ter trabalhado com a Amora [Mautner] e a equipe dela em Cordel Encantado, que é outra equipe ousada, intensa e bacana, tipo artisticamente falando, de trabalhar. Achei bacada trabalhar com o Denis [Carvalho] que é um cara cheio de histórias, de experiência. Acho que com cada diretor a gente vai adquirindo um pouquinho, vai aprendendo bastante. O que me deixa feliz foi ter a oportunidade de trabalhar com tantos. Isso é uma coisa que, tipo eu que gosto do atrás das câmaras, que estudo cinema, que quero um dia dirigir, que essa oportunidade que eu estou tendo de conhecer várias formas de trabalho diferentes, vários tipos de pessoas falando várias linguagens… Isso me dá muito prazer e é uma coisa que me orgulha muito nesses seis anos de profissão – ter conseguido trabalhar com tantas equipes diferentes. Isso para mim é um troféu e um motivo de aprendizado muito grande.

E o seu plano agora é continuar na representação, passar para a representação ou para a fotografia [Jayme Matarazzo é um apaixonado pela fotografia]?

Meu plano sempre foi deixar muito a vida correr. É assim, realmente plantar coisas boas… Eu acho que tudo o que eu fiz até hoje, nada teve um planejamento tão profundo. Eu acho que as coisas vieram e aconteceram de forma mágica, de forma bonita. Porque é da minha natureza acreditar que realmente a gente é merecedor daquilo que a gente faz. Eu acho que se eu continuar me entregando, me envolvendo, me dedicando aos projectos, como eu tenho feito, com seriedade, eu acho que vão aparecer coisas boas. Então nessa profissão de ator, a programação torna-se, na minha opinião, quase desnecessária, porque de forma mágica, os personagens te procuram, e não você que procura os personagens. Então eu espero que continuem caindo personagens tão bons como têm caído na minha mão. É isso que eu vou esperar e torcer.

O Jayme tem estado muito em novelas do final de tarde. Sente vontade de se estrear no horário nobre ou não é uma preocupação?

Eu discordo um pouco da coisa do horário nobre. Eu gosto muito do horário das seis. É um horário em que você pode contar histórias mais…

Leves?

Leves, eu não diria. A gente tem vários exemplos de novelas diferentes no horário, elas não são muito rotuladas. Eu já fiz novelas de época e novelas super atuais no horário das seis. Eu te diria assim, eu tenho vontade de experimentar de tudo. Isso eu tenho. Vontade de experimentar de tudo, mas me orgulha muito estar dando passos de forma tranquila e de forma gostosa. E o horário das seis e das sete foi uma ótima oportunidade para eu realmente poder aprender, desenvolver, melhorar sem, talvez, uma cobrança tão forte e uma visibilidade tão forte quanto a do horário das oito. Hoje eu me sinto apto ao horário das oito. Porém, se você me perguntar se eu tenho gana de fazer o horário das oito, eu te digo que isso nem passa pela minha cabeça. Não é mesmo um anseio. É mais uma vontade de experimentar de tudo.

Como lida com a exposição mediática nos últimos seis anos? Como referiu tem estado em antena de forma consecutiva.

Eu sou um cara que nos últimos seis anos viveu para o seu trabalho. Então sem muita oportunidade de ter tempo para sair de casa. E quando eu não estava trabalhando, nos intervalos, eu estava viajando, então eu sou um cara que de certa maneira procura não estar no foco das atenções, procura não ser o centro das atenções, procuro passar despercebido e que não luto muito por uma conquista de media. Eu vou lutar sempre para que os meus personagens falem mais do que a minha personalidade. Eu me proponho a me expor muito mais pelos meus personagens do que por mim mesmo. Essa não é uma prática que eu corra atrás – da exposição. Pelo contrário, quanto menos eu puder me expor, melhor. Quanto mais os meus personagens se expuserem, melhor.

Acha que se o público conhecer mais a sua vida acaba por tornar as suas personagens menos intensas?

Primeiro, eu não tenho muito interesse em que as pessoas saibam tudo da minha vida. Em segundo, eu acho que quanto mais as pessoas conseguirem desvincular nós, atores, dos nossos personagens, melhor para a gente. Porém, isso não é uma decorrência de media, isso é uma decorrência de trabalho, composição de personagem, de um monte de coisa. Eu pelo menos acredito um pouco que se a minha personalidade falar muito, talvez os meus personagens sejam mais difíceis de ser credíveis.

E agora, já tem novos projetos?

Tem um novo projeto dentro da emissora. A gente não sabe muito… mas tem um novo projeto dentro da emissora para o ano que vem. Agora até ao final do ano vou dar o start no meu programa, que eu quero fazer, de fotografia. Eu e outro fotógrafo viajando para os lugares extremos do mundo para fotografar, em busca de bons cliques. É um projeto de foto para tv que eu gostaria muito de colocar em prática. [Este] é um momento [em] que eu vou ter, pela primeira vez em seis anos, algum tempo para eu fazer algum projeto, ou alguns projetos particulares e colocar a vida em ordem. A emenda dos trabalhos faz com que a gente às vezes esqueça muito da gente. Então eu estou aproveitando esse período entre novelas para colocar a casa em ordem e de repente fazer um outro projeto que eu goste… e esse é um deles.

E já tem algo que nos possa revelar sobre esse seu novo programa?

A gente vai decidir o primeiro destino e depois vai atrás de lugares intocáveis, de lugares extremos para fotografias extremas. E talvez também iniciar um projeto de música que é outra coisa que sempre tive muita vontade de voltar a trabalhar com isso. Tive banda, gosto de música e gosto de me expressar através da música, então vamos ver. É um projeto que eu gostava de dar um carinho, uma atenção especial. Esse é um bom momento para tentar colocar tudo o que dá.

Esta conversa com Jayme Matarazzo encerra o ciclo de três entrevistas que o A Televisão publicou a respeito de Sete Vidas. Uma conversa a dois com o ator e Isabelle Drummond sobre a trama (parte 1 e parte 2) e ainda uma conversa acerca da carreira da Júlia da novela do canal Globo.

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