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A Entrevista

A Entrevista – Inês Folque

Ines A Entrevista - Inês Folque

Nasceu em Barcelona, mas cresceu em Portugal. Formou-se em Gestão, mas o que a faz feliz é o mundo da comunicação. Inês Folque passou por um percurso atribulado até perceber qual é a sua «praia». Tudo começou com uma experiência que correu menos bem na série Inspetor Max que a fez pôr em causa até que ponto queria seguir aquele caminho. Porém, não baixou os braços, acabou a faculdade, fez cursos de representação nos EUA e entrou nos Morangos com Açúcar. Desde aí nunca mais parou. Depois de participar em algumas novelas, e de experimentar a apresentação na SIC K, Inês é hoje repórter da SIC.

Nasceste em Barcelona e cresceste em Portugal. Quais são as principais diferenças que encontras entre as duas culturas?

Eu acho que são duas culturas muito parecidas. Os dois países são bastante latinos, embora eu possa dizer que os espanhóis, através dos programas que a televisão espanhola passa, estão um bocadinho mais abertos ao mundo do que os portugueses. Acho que nós, portugueses, somos mais fechados – mesmo no tratamento com outras culturas, com outras pessoas, e na maneira de ser.

Com qual das culturas identificas-te mais?

Confesso que tenho muito os dois lados. Sou muito portuguesa, mas tenho um lado espanhol também. Acho que sou muito expressiva a falar, falo muito alto como os espanhóis, falo com as mãos. Há a mistura dos dois em mim.

Com a tua proximidade com a cultura espanhola, alguma vez ponderaste fazer carreira no país vizinho?

Já disse muitas vezes que ia, mas depois nunca fui. Não sei porquê. Eu acho que as coisas acontecem por algum motivo. Mas não descarto essa possibilidade. Para já, estou bem em Portugal. Desde que comecei ainda não parei. Portanto, nunca surgiu aquele intervalo que me dissesse «agora estás parada, então vai-te embora… não tens nada a perder».

Também tens uma experiência nos Estados Unidos. Foste estudar representação.

Foi uma aventura espetacular. Foi aí que eu percebi era uma formiguinha no meio do oceano, se é que as formigas andam no oceano [risos]. A minha mãe, estrategicamente, mandou-me para um curso de verão nos Estados Unidos. Um curso espetacular, onde se põem 12 produções de pé no espaço de três semanas. Eu cheguei lá, com 17 anos, a olhar para aquilo e a pensar: «Quem é que eu sou no meio disto tudo?»

Isso fez-te questionar se devias ou não continuar?

Sim, completamente! O objetivo da minha mãe era esse mesmo: «Vais lá, que é para desistires disto e vais para a tua carreira de gestão». Fui para lá, assustei-me, percebi que não era ninguém e que não sabia fazer nada objetivamente. Depois, em Portugal, fui para a faculdade e fui super infeliz [risos]. Não fui nada. Adorei o meu grupo de amigos, adorei tudo o que aprendi lá. Foram três anos e meio que me deram as bases para a profissional que eu hoje sou. Passado três dias após o fim do curso, tive um casting para os Morangos, fiquei no workshop (seis meses), mas não fiquei na série de verão. Convidaram-me para fazer o segundo workshop, fiz mais um mês e depois, aí sim, convidaram-me para fazer a série de inverno. Portanto, as coisas até que foram acontecendo nas alturas certas.

Formaste-te em Gestão. Porquê essa escolha?

Porque tinha que escolher um percurso para ter uma segurança. Pensei no curso mais geral possível, porque se eu quisesse ir trabalhar em comunicação numa empresa pelo menos já tinha as bases de gestão. Além disso, os meus pais tentaram que eu tomasse esta decisão de tirar um curso, porque o meio das artes é complicado, etc. Mas eu realmente tive uma experiência em televisão, com 16 anos, que não correu lá muito bem (foi no Inspetor Max). Eu era um canastrão, e ainda sou, mas na altura era muito mais. Era miúda, nunca tinha feito nada. Não foi assim tão bom quanto eu esperava. Levei um bocado na cabeça de um dos realizadores, que me fez um bocado pôr em causa até que ponto eu vou querer isto, e isso foi bom de certa forma para me guiar, para conseguir ter um outro lado estável na minha vida.

A Inês pequenina já sabia que um dia mais tarde ia pisar o palco?

Sim, a Inês pequenina soube desde muito cedo. Uma noite a minha mãe apanhou-me a chorar baba e ranho, e eu: «Oh mãe, é que eu não sei se quero ser atriz ou se quero gerir os negócios do pai». Já tinha um sentido de responsabilidade de família, que me é muito característico. Tem graça, porque desde muito pequenina que me apaixona o mundo da representação. Na altura eu já fazia os teatros todos do colégio, tinha muita facilidade em decorar as falas.

E o mundo da apresentação, como é que surge na tua vida?

Quando acabei os Morangos surgiu a oportunidade de eu integrar o programa que era apresentado pela Raquel Strada, o Factor K (na SIC K). Comecei com medo, muito verde, a gravar pivots, que era a parte mais fácil. Depois a coisa foi evoluindo naturalmente e um dia a minha diretora disse: «Inês, agora gostava que fosses tu a fazer as reportagens». E pronto, foi mais um passo. Hoje em dia, para além desse trabalho de apresentadora, faço também algum trabalho de produção e pesquisa de conteúdos.

É importante um apresentador ter essa versatilidade?

É importantíssimo. Às vezes não é possível, porque temos muito pouco tempo. E o pouco tempo que temos livre precisamos de descansar a cabeça, senão deixamos de ser gente. Mas é importantíssimo um apresentador ser proativo e dar o máximo em relação a tudo.

Sentes algum preconceito com um ator que vai para o mundo da apresentação, e vice-versa?

Isso é das coisas que mais me deixa triste neste país, e que mais me deixa irritada. Não faz sentido nenhum. Um artista pode ser sempre um artista, e em várias áreas, não se limitando apenas à apresentação ou apenas à representação. E nós temos excelentes apresentadores que são incríveis atores. Há imenso esse preconceito em Portugal. Eu já senti isso na pele, sei o que é.

Atualmente também és repórter do E-Especial. Que balanço fazes da tua participação?

Ainda me estou a habituar, estou às «apalpadelas». Tem sido extraordinário, mas caótico também. O ritmo é muito intenso, gravamos muito. O programa tem 40 minutos e precisamos de muitas peças. Passei do 8 para o 80. A nível emocional é gratificante, mas por outro lado, lá está… deixei de ter vida.

Sentes que és um valor seguro da SIC?

Nos dias que correm é difícil nós sentirmo-nos seguros em qualquer lado que seja. A televisão está a mudar a 300%, literalmente. Eu aposto que o futuro da televisão é na internet, os conteúdos vão passar todos pela internet e vai ser tudo muito mais rápido, mais preciso. A SIC gosta de mim e aposta em mim, mas não tem a ver com o canal querer ou não… As coisas vão-se alterando. Desde que me dêem trabalho, onde quer que seja, sou feliz.

Ser protagonista de uma novela, é um sonho?

Não é um grande objetivo meu, nunca foi. Provavelmente iria ter desafios, enquanto atriz, que se calhar noutras personagens não me dão essa possibilidade, mas eu acho que o objetivo não deve ser esse. O objetivo deve ser tornar essa personagem única, diferente e com características muito pessoais da própria personagem. Um dia estive com uma atriz brasileira que me contou uma história engraçadíssima. Estava a falar de uma novela, onde havia uma atriz que tinha tido uma baixa na carreira enorme. Tinha desaparecido, por problemas com drogas e alcóol. Ela pediu à Globo: «Por favor, dêem-me uma oportunidade. Quero trabalhar». E deram-lhe a oportunidade: «Está bem. Só temos aqui um papel para ti. Vais fazer de empregada. O teu papel é abrir e fechar a porta». Mas ela construiu uma personagem tão complexa só com aquele bocadinho que tinha, que a personagem tornou-se uma das mais importantes da novela. Não só escreveram para ela, não só evoluiu, como além disso tudo, acabou por se tornar uma das personagens principais.

Que lição retiras dessa história?

Não interessa se é um papel maior ou mais pequeno, se é uma participação, se é um elenco secundário ou principal. Cabe-te a ti sempre fazer do teu papel o melhor possível e que ele sobressaia no resto do elenco. Portanto, se me derem uma protagonista, vou fazer o mesmo trabalho se me derem um papel secundaríssimo.

E surgiu agora a oportunidade de escreveres um livro infantil…

A Science4you e a Operação Nariz Vermelho fizeram-me o desafio de escrever um livro para crianças, o qual aceitei com muito gosto, porque já tinha esta vontade de escrever. A Pia faz parte de uma coleção de 35 livros, escritos por personalidades portuguesas. Uma parte das receitas é a favor da Operação Nariz Vermelho, uma associação que eu me revejo completamente. A Pia é uma princesa muito especial e muito moderna e está à venda nos hipermercados Pingo Doce de todo o país.

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