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A Entrevista

A Entrevista – Alexandre Nero

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A Entrevista - Alexandre Nero

O novo papel de Alexandre Nero tem tudo para ser um dos maiores desafios da sua carreira. Com cabelos curtos e sem barba, o ator dá vida a Romero Rômulo, o protagonista de A Regra do Jogo, e está a fazer jus à fama do autor João Emanuel Carneiro de dividir o público com os seus personagens ambíguos. A novela estreou ontem na SIC e já deixou muitas dúvidas aos telespetadores: Romero é do bem ou do mal? Em entrevista ao A Televisão, Nero explica os desvios de caráter do personagem. «Ao contrário do Comendador [de Império], que era um anti-herói, acho que o Romero é um anti-vilão.»

Em Império saltou para a ribalta com o seu primeiro protagonista. Como lidou com este boom e popularidade?

Na verdade, quando a gente está no meio de um trabalho tão intenso como foi o da novela Império, não consegue ter essa visão de fora. Para mim, a minha vida não mudou. O que mudou foi o assédio das pessoas na rua, da imprensa, da mídia em geral. Não consigo dimensionar esse personagem como o mais impactante da minha carreira, já que eu vejo todos os meus personagens como divisores de água, cada um de uma maneira. O Comendador talvez tenha sido o de maior apelo popular para o público.

Esperava ser novamente aposta da Globo para horário nobre?

Não planeava um novo protagonista agora. A Amora Mautner [diretora de núcleo] me chamou duas vezes para fazer o personagem e eu disse não, porque eu estava exausto, esgotado mesmo. Mas ela, com todo carinho e toda atenção, me convenceu a simplesmente fazer o teste. Eu fiz e eles ficaram ainda mais certos de que tinha que ser eu! [risos] A coisa começou a me interessar quando fiquei sabendo mais sobre o personagem. O João Emanuel Carneiro é um autor requisitadíssimo e eu tinha muita curiosidade de fazer um trabalho com ele.

Em A Regra do Jogo volta a estar no centro da trama. O que podemos esperar da novela?

A novela fala sobre ética, o que é certo e o que é errado, até que ponto a gente pode ir. Que diferença existe entre um assaltante de banco e um sonegador de impostos, até onde a corrupção de um alto governante é maior do que a de uma pessoa que suborna um policial, por exemplo. Os diálogos do João Emanuel têm um humor muito sagaz, nada óbvio ou raso. Muita coisa acontece, o tempo todo, e a direção da Amora reforça o ritmo acelerado da novela.

Como têm estado a correr as gravações?

Depois de Império, posso dizer que eu descobri que ninguém está preparado para viver um protagonista das 21 horas! São muitas horas de gravação, é como decorar uma peça de teatro por semana, um longa-metragem por dia!

Você perdeu dez quilos para fazer a nova novela. Como conseguiu e porque emagreceu?

Voltei ao mesmo peso de quando fiz o Hermes, da novela Além do Horizonte. O que acontece é que quando você protagoniza uma novela, não dá para comer direito, fazer exercícios: inevitavelmente você engorda. Eu emagreci dez quilos com exercícios, dieta balanceada, essas coisas básicas.

Volta a contracenar com Giovanna Antonelli. Pode desvendar-nos um pouco do que esta dupla, Romero e Atena, nos reserva?

É bom lembrar que eu também fiz par romântico com a Vanessa Giácomo na novela Paraíso, assim como fiz com a Giovanna em Salve Jorge. Ou seja, é um reencontro com as duas. O público vai ver dois personagens muito diferentes do Stenio e da Heloisa, até porque a relação entre e o Romero e a Atena é completamente diferente. Eles são os  grandes mentirosos compulsivos da história: o público vai ter que entrar nesse jogo de pistas falsas que o João Emanuel vai construindo na trama, para descobrir quem fala a verdade e quem mente.

A sua personagem encontra-se dividida entre o Bem e o Mal. O público irá descobrir de cara que ele não é propriamente boa pessoa?

O Romero sofre de uma crise de identidade, na verdade. Ele é tido como herói e como vilão, mas não é nenhuma das duas coisas, as pessoas vão assistir e tirar suas próprias conclusões. Ao contrário do Comendador, que era um anti-herói, acho que o Romero é um anti-vilão. Frágil emocionalmente, ele foi abandonado quando criança pela mãe e criado por um pilantra. As pessoas poderão vê-lo como um vilão, mas ele é um vilão sem talento. [risos] Na verdade, há dois Romeros na história: um que aparece em grande parte da novela, que é o cara que tem uma ONG e quer ajudar a todos – de fachada –, e outro que se diverte ostentando o que tem, gastando com mulheres, com excentricidades, etc.

Qual é a principal motivação do seu personagem para enganar e iludir as pessoas?

Na verdade, ele é um cara que dança conforme a música e tenta ser o que não é. Romero é um típico pilantra que sempre quer levar vantagem, levar uma comissãozinha aqui, aplicar um suborno ali, esse tipo de coisa. Ele vem de um ambiente onde só existe ódio ao seu redor e aprende que a sociedade só quer dinheiro, então ele também quer sempre mais e mais dinheiro e poder.

Já o Comendador de Império foi uma personagem misteriosa. Também em A Regra do Jogo a sua personagem é diferente do típico protagonista de novela. É algo que procura nos projetos que assume?

Uma das questões que mais pesou na minha decisão de aceitar o convite da Amora e do João Emanuel foi o fato de que, já no final de Império, de todos os convites que eu tive no cinema, na música e no teatro, o personagem mais instigante de todos foi exatamente o Romero Rômulo.

Sente dificuldade para sair de um personagem, deixar ele para trás?

Nenhuma dificuldade. Deixo o personagem para trás no último capítulo da novela.

As expetativas dos espectadores para A Regra do Jogo estão muito altas. Acha que a novela vai corresponder?

Como em qualquer coisa na minha vida, não gosto de criar expetativas. Eu torço para que seja muito legal, que eu me divirta fazendo e que as pessoas se divirtam – o público e o elenco. Se a gente coloca muita expetativa numa peça, num filme, em qualquer coisa, a chance de se dececionar é grande. Para mim, o mais brilhante na novela do João Emanuel é o enlace entre as histórias. Depois de ler muito, eu fui perceber que não há no texto sinais claros de quando o personagem estará mentindo ou falando a verdade. O público será enganado, também – essa é a grande brincadeira da novela.

Além de estar bem na carreira, você será pai em breve. Como concilia a rotina de trabalho com a gravidez da sua mulher?

Por enquanto, eu sou apenas um coadjuvante nessa história. [risos] A Karen já se sente plenamente mãe mas acho que para mim, a ficha só vai cair quando o Noá chegar por aqui!

Convide então o público português a assistir à novela A Regra do Jogo, na SIC.

Espero que todos se divirtam e se emocionem acompanhando as histórias incríveis que o João Emanuel conta nessa novela. São muitos acontecimentos ao mesmo tempo, personagens cheios de nuances, enfim, tudo para dar certo!

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