A Entrevista RTP

Tânia Ribas de Oliveira a solo na RTP: “Vou agarrar a experiência com unhas e dentes”

Imagem: Reprodução Instagram

Foi um dos nomes apontados para substituir Cristina Ferreira na TVI mas está de pedra e cal na RTP, o que faz questão de destacar. Uma excelente relação com a direção de programas da RTP, uma equipa de trabalho que a lisonjeia e o foco absoluto no novo programa das tardes da estação pública, que estreia já esta segunda-feira, dia 22 de abril. Uma estreia a solo que a apresentadora acha que surge no momento certo da sua carreia.

A Televisão – Tânia, são já vários anos de RTP, qual é a sensação de pertencer a esta casa?

Tânia Ribas de Oliveira – Em casa. Nunca digo que é a minha primeira casa porque a minha casa é a minha casa e no dia em que deixar de ser, alguma coisa está errada. É o sítio que me acolheu desde sempre, nunca fui à SIC nem à TVI, como muitos colegas meus, e nesse sentido eu sinto-me efetivamente em casa. Nunca tive um único motivo de queixa de qualquer direção que por lá passasse, mesmo que não me dessem novas oportunidades, faziam uma manutenção das que eu já tinha. Estou há 12 anos no ar todos os dias, sinto-me muito bem.

“Esta direção de programas é uma direção que eu adoro”

Neste percurso, o que recorda com mais saudade?

Acho que é sempre das pessoas com quem já não trabalho. Tenho muitas saudades dos tempos que vivi com o Daniel Oliveira, tenho saudades dos tempos que vivi com o Nuno Santos, com o João Baião e com outras pessoas que por lá passaram, mas não trocava os tempos que vivo agora por nada. Tenho saudades das pessoas. Esta direção de programas é uma direção que eu adoro, eu já tinha trabalhado com o Fragoso antes e sabia a máquina que ele era, a fera que ele era a fazer televisão e tem-se constatado isso mesmo.

O que é que acha que o regresso de José Fragoso traz de positivo à RTP?

Eu acho que traz alguém que já conhece a RTP, o que é muito importante, porque a RTP é uma máquina pesada, com muitos anos de história. Ele conhece as pessoas que lá trabalham, na RTP não há tanta rotatividade de profissionais, por isso somos mais ou menos os mesmos com quem ele tinha trabalhado antes, por isso ele sabe com o que contar com cada um de nós. Acho que é ótimo!

É incontornável falarmos deste assunto: Manuel Luís Goucha já veio a público dizer que o nome da Tânia esteve em cima da mesa para substituir Cristina Ferreira. Como é que se sente com esse assédio da concorrência?

Eu acho que estarem atentos ao nosso trabalho e, a dada a altura, pensarem que somos a pessoa ideal para estar noutra estação enche-me de orgulho, claro, não posso dizer que não. Agora, apresentam-me uma contraproposta na RTP e eu tive de optar por uma nova paixão ou um amor firme. Eu sou de amores firmes.

“[O Goucha] é um profissional de excelência em Portugal”

Gostava de trabalhar com Manuel Luís Goucha?

Eu adoro o Manuel Luís Goucha! Nunca sabemos o dia de amanhã. Ele é uma pessoa queridíssima, é um profissional de excelência em Portugal, reconstruiu-se e redescobriu-se ao longo dos anos sempre com a mesma elegância e a mesma paixão por televisão, que eu admiro imenso. Mandou-me uma mensagem queridíssima, há muito pouco tempo, a dar-me os parabéns por esta aposta que a RTP estava a fazer e a dizer  “é merecidíssimo, querida Tânia”. Não posso tecer mais elogios ao Manel.

No meio de toda essa especulação, alguma vez se imaginou, realmente, a ocupar aquele lugar nas manhãs da TVI?

Sim, claro que me imaginei. Na altura em que isso começou a ser falado, é óbvio que eu ia pensando nessa possibilidade. Nós projectamos a nossa vida. Eu estou na RTP desde sempre e pensei “como é que será trabalhar noutro sítio, com outras pessoas?”. Mas apesar de tudo, eu nunca saí da RTP, nem nunca estive pra sair.

“Vai ser uma tarde onde todos cabem e onde as pessoas se vão sentir em casa”

A estreia de A Nossa Tarde acontece já amanhã. O que é que o público pode esperar desse novo projeto?

Podem esperar um programa feito à minha imagem, divertido, inspirador, com emoções, algumas que nos deixam com uma lágrima ao canto do olho, outras que nos provocam uma gargalhada extraordinária, mas eu acho que essencialmente é um programa que não está fechado, ou seja, no dia seguinte pode não ter nada que ver com o dia anterior. Têm de ver todos os dias para perceber. Vai ser uma tarde onde todos cabem e que vai ser, de facto, o lugar onde as pessoas se vão sentir em casa.

Tantos anos depois de tantos anos no daytime, como é que se revitaliza e ganha energia para cada dia no ecrã?

Com novos desafios, com pessoas que acreditam em nós, a acreditarmos nos outros, a motivarmos a equipa, a sermos motivados por ela, a percebermos que todos os dias, quando o sol nasce, há uma nova oportunidade. Todos nós, juntos, estamos a sentir isso. Há sempre uma maneira diferente de renascer e este é um renascimento. Não estamos a começar do zero, mas é um bebé que está aqui e de quem vamos cuidar com todo o amor e carinho para que ele cresça saudável, feliz e inspirador e eu acho que vamos conseguir isso.

E como é que esse novo bebé está a surgir? Qual é o ambiente que se vive nos bastidores?

É incrível! A equipa é a mesma com quem eu trabalho há 12 anos. Algumas destas pessoas fizeram o Portugal no Coração comigo, portanto, não só elas me conhecem muito bem a mim como eu as conheço bem a elas. Nesse sentido há uma confiança extrema uns nos outros. Eles sabem que se é para começar de novo, é para começar em bem.

“Esta é uma experiência nova que eu acho que surge na minha vida no tempo certo e eu vou agarrá-la com unhas e dentes e com o coração aberto”

Depois de tantos anos em dupla, alguma vez ambicionou um programa a solo?

Não, nunca pensei nisso. As coisas sempre correram bem na minha vida, de repente as pessoas falavam de mim, depois começava a receber prémios, metiam o meu nome entre os principais da televisão portuguesa e eu ficava sempre muito grata, mas nunca ambicionei um programa a solo. As coisas sempre aconteceram gradualmente e sem eu estar à espera delas. Esta é uma experiência nova que eu acho que surge na minha vida no tempo certo e eu vou agarrá-la com unhas e dentes e com o coração aberto.

Acha que era a peça que faltava na sua carreira?

Não, não penso nisso assim. Há tanta peça que falta na minha carreira e no meu percurso. Esta é a minha peça fundamental agora, daqui a uns anos, vamos ver o que vamos estar a fazer.

A estreia é já amanhã. Já sente algum nervosismo?

Claro, e é ótimo. Se não houvesse é que seria estranho. Há nervosismo, há expectativa, há paixão, há ansiedade. Eu quero que comece, rapidamente! [risos]

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