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Filomena Cautela afirma: “Não tenho de dar satisfações a ninguém”

Reprodução Instagram

Filomena Cautela foi  a convidada de Daniel Oliveira, este sábado, do ‘Alta Definição’. A apresentadora da RTP1 recordou o início da carreira e garantiu que é fiel aos seus valores e, como tal, não vai ceder em várias coisas só para ter audiências. 

“Um puto que nunca foi ao teatro e um puto que foi em criança são dois cidadãos absolutamente distintos. A economia, as finanças, a educação são setores cruciais numa sociedade. Mas para mudares um paradigma não há outra forma senão a cultura. É a minha opinião”, começou por dizer.

“Se a tua sensibilidade para o mundo não está desperta não há grande coisa a fazer, só à porrada”, acrescentou, em jeito de brincadeira. A apresentadora da RTP1 disse ainda não se identificar com os termos que lhe são atribuídos, nomeadamente o facto de ser apelidada como uma figura irreverente e rebelde no meio televisivo.

“No dia em que começar a fazer as coisas só para ter mais audiências ou porque me estão a obrigar a ir contra um princípio base meu, já disse a amigos meus para me avisarem. Acho que se é só para isso não interessa. Só porque sim e para ganhar dinheiro… Por enquanto não tenho filhos, não tenho essa preocupação. Um dia se tiver filhos e não tiver dinheiro para os alimentar se calhar digo: que se lixe, faço o que vocês quiserem. Agora não tenho de dar satisfações a ninguém e não vou ceder em várias coisas”, garantiu

No início da sua carreira os pais ficaram com algum receio de optasse pela representação por toda a “promiscuidade” do meio. No entanto, nunca se deixou contagiar por valores que não eram os seus.

“Sempre fui muito vocalmente ativa contra tudo isso. Tive muitos problemas quando comecei a trabalhar por causa disso. Porque não tinha problemas de dizer quando achava que algo era vergonhoso, não tinha problemas de dizê-lo em estúdio ou onde fosse”, afirma. Filomena Cautela ficou sem projetos durante algum tempo, algo que considera que lhe fez muito bem.

“Tive um período de falta de trabalho e fez-me muito bem. Na altura foi duro e escuro. Estava absolutamente desiludida porque tinha percebido que não tinha talento nenhum, era uma fraude. Todos os meus amigos estavam a trabalhar, atrizes que eu achava que eram muito más estavam a trabalhar, pessoas que odiavam o que estavam a fazer e só queriam aparecer em revistas, e eu não. Fez-me muito bem porque deu-me uma chapadona de humildade que faltava a muita gente que hoje em dia tem muito sucesso”, finalizou.

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