A Entrevista Música

Marta Carvalho lança primeiro single “É bastante desafiador para o que já existe”

Nascida no Porto, Marta Carvalho é, desde muito cedo, apaixonada pelo mundo da música. Dos espectáculos que dava em casa – com apenas 3 anos – passou para a formação e, aos 17 anos de idade, participou no The Voice Portugal onde arrecadou o quarto lugar. Hoje, 19 de setembro, lança Deslizes – o seu primeiro single. Fique a conhecer melhor a artista e o projeto que, segundo a própria, veio para desafiar o mundo da música em Portugal.

A Televisão – Com mais de 13 mil seguidores nas redes sociais não é possível afirmar que a Marta não é conhecida do público português. No entanto como se definiria enquanto pessoa? Quem é a Marta Carvalho?
A Marta enquanto pessoa é uma jovem apaixonada pela música, por artes. Que desde sempre se imaginou a fazer isso. Que dá muito valor à família, que dá muito valor aos amigos. Que é uma pessoa super introvertida a nível geral mas depois, quando vai para o palco, tem um alter ego. Acabo por me identificar como uma pessoa apaixonada pelo que faço mas ao mesmo tempo a dar muito valor às pessoas que estão comigo.

Quando e como nasceu o gosto pelo mundo da música?
Desde que eu me lembro. Eu lembro-me de ser muito pequenina e dar concertos pela casa sem ninguém me pedir nada. Os meus pais dizem que eu, aos 3 anos, já decorava letras, que eu estava constantemente a dar espetáculos em casa. Portanto é algo que nasceu mesmo comigo e eles próprios também perceberam desde muito cedo que era o que eu gostava muito de fazer. Depois, por volta dos sete anos de idade, entrei num coro de igreja, comecei a dar atuações, e foi aí que nasceu mesmo o meu gosto por cantar. A partir daí nunca mais parei. Estive sempre a evoluir no canto. Depois comecei a estudar música. E foi tudo um caminho bastante gradual até hoje.

Embora sempre presente na sua vida, a música foi ocupando um lugar de ‘hobbie’ ou, pelo contrário, foi-se construindo como um sonho profissional?
Eu sempre quis ser artista no ramo da música. Nunca me imaginei a fazer mais nada. E quando me imaginava, quando alguém me convencia a fazer outra coisa, durava pouco tempo. Eu voltava sempre à minha base. Porque eu sinto que a música esteve sempre presente na minha vida, apesar de ninguém da minha família ser artista. Muito pelo contrário, é uma família bastante tradicional. Foi algo que eu nasci para fazer porque esteve sempre comigo e vai estar sempre, independentemente do que eu faça.

Quando fez 17 anos surgiu a oportunidade de participar no The Voice Portugal. O que a levou a concorrer?
Por acaso eu fui convidada porque eu tinha vídeos no Youtube, já tinha um canal. Eles viram os meus vídeos, estavam a precisar de concorrentes e então convidaram-me. Na altura ainda pensei se devia ou não ir, porque eu já tinha tido uma experiência anterior noutro programa. Mas acabei por ir um bocadinho para ajudar o meu canal a crescer e para ganhar experiência. E pronto, acabou por correr bem também.

“Muitos concorrentes vão para lá com a ideia de que o programa é feito para eles, mas não é”

Esquecendo (por momentos) o lugar em que ficou: que balanço faz da sua participação no talent-show da RTP1?
Acima de tudo este talent-show, como todos os outros do género, serve muito para ganhar experiência. Para aprender a estar em televisão, para aprender a lidar com alguma exposição, com os nervos, a pressão, etc… Porque eu acho que muitos artistas (ou concorrentes) vão para lá com a ideia de que o programa é feito para eles, mas não é. O programa é feito para as pessoas em casa. Portanto vai sempre ser um bocadinho inclinado para o sensacionalismo, para aquilo que as pessoas querem ver. É levar aquilo um bocadinho mais na desportiva, divertir e crescer. Foi aquilo que eu senti que aconteceu comigo. Cresci muito lá.

O The Voice continua a reinventar-se todos os anos e, em breve, teremos uma nova temporada. Continua a incentivar as pessoas a participar?
Incentivo a participar. Se é o que gostam de fazer – seja como hobbie, seja como algo que querem fazer da vida – façam-no de forma inteligente. Ou seja: se querem de facto ganhar exposição façam algumas coisas, componham já algumas coisas antes de ir para o programa para depois, quando acabar, terem ferramentas para trabalhar. Façam bastante networking. Agora, uma pessoa que faça por hobbie, que goste de cantar, acho que também faz muito bem em lá ir. A nível geral, o conselho que deixo a toda a gente é que se divirtam e que olhem para aquilo como uma experiência e como algo para crescer mesmo.

No seu caso a experiência conduziu-a a um honroso 4º lugar. Ter ficado nesta posição serviu como incentivo para apostar mais na sua carreira?
Nem mais, nem menos. Nem que eu não passasse na Prova Cega eu sabia que ia fazer música sempre. Não deixei que isso definisse a minha vontade, ou não, de continuar. Agora obviamente que ficar em quarto lugar foi algo pelo qual lutei para ficar, para chegar à final, e que me motivou no sentido em que eu sentia que havia algum carinho por mim (por parte das pessoas) e isso claro que é uma motivação. Agora, mesmo que um dia ninguém queira saber de mim, ninguém queira ouvir a minha música eu vou estar num canto a cantar e a fazer músicas porque o sucesso não define muito aquilo que eu gosto de fazer.

A Marta não é só cantora: também compõe e escreve. Já teve, aliás, oportunidade de trabalhar com grandes nomes da música nacional como Diogo Piçarra, Carolina Deslandes, Agir, Fernando Daniel, entre outros…Como é ser responsável por alguns dos sucessos destes artistas?
Alguns desses nomes eu compus com, não compus para. Mas é verdade: já trabalhei com praticamente grande parte no que toca à música ligeira e música pop em Portugal. Eu mudei do Porto para Lisboa e vim um bocadinho atrás da minha carreira como artista. Mas surgiu esta oportunidade de eu escrever para os artistas primeiro e ganhar bastante experiência, fazer networking também, melhorar, aprender a compor melhor…Eu tenho a certeza absoluta que este período (de um ano ou dois anos) em que trabalhei com essas pessoas todas me enriqueceu muito e agora estou muito mais preparada para lançar as minhas coisas. Agora, no que toca a escrever músicas para essas pessoas tão incríveis: é algo óptimo porque no fundo estamos a dar um bocadinho das nossas histórias e do nosso tempo e da nossa criatividade. E depois passa para outro artista, e depois passa para as pessoas e entretanto a música já não é nossa, e as pessoas já a cantam nos concertos. Todo esse processo é das coisas mais gratificantes mesmo.

Por vezes, quem trabalha com artes e criatividade precisa de ir buscar inspiração. A Marta usa alguma estratégia para encontrar ideias para escrever e compor? 
Ouço músicas de artistas que gosto. Acho que a melhor forma de ganhar inspiração é ouvir músicas de que gostamos. Mas na verdade a inspiração é um bocadinho aleatória. Pode haver um dia em que não vem mesmo. Ou porque estamos um bocadinho mal dispostos, ou sei lá, tanta coisa. Às vezes nem há razão. E outros dias acordamos cheios de ideias e eu constantemente estou a gravar coisas no telemóvel ou a escrever. É um bocadinho aleatório.

“Tenho muito mais para mostrar mas este single é de facto um grande marco no início da minha carreira como artista.”

O próximo dia 19 de setembro será muito importante para si e para a sua carreira. Deslizes é o nome do seu primeiro single, que dará a conhecer ao público português nesse dia. O que nos pode adiantar sobre este projeto?
Estou mesmo muito feliz com este tema porque foi um tema que eu escrevi há 3 ou 4 anos. Foi das primeiras músicas que eu compus. Entretanto, como eu quis atualizar, estive-lhe a dar algumas voltas no segundo verso, na bridge, etc…para o tornar mais atual e para me identificar um pouco mais ainda com ele. Para ser atual. E, neste momento, é um dos temas que eu acho que fazia mesmo todo o sentido em ser o primeiro porque marca o início da caminhada desde há 3 anos para cá quando comecei a compôr mais a sério. Tenho muito mais para mostrar mas este single é de facto um grande marco no início da minha carreira como artista.

O que podem as pessoas esperar deste Deslize?
Eu acho que não devem esperar uma balada porque acho que há muito este estigma de que eu só canto baladas. Não é balada. Não lhe consigo chamar um estilo porque acho que ele vai para vários. Mas é uma música que desafia um bocadinho o que já existe. Também estou muito orgulhosa do vídeo. Todo o conceito à volta da música é bastante desafiador para o que  já existe em Portugal. E isso para mim é algo que me motiva imenso porque, apesar de eu cantar muito e de adorar cantar e de querer sempre cantar, um dos meus maiores objetivos é impulsionar – obviamente dentro das minhas capacidades – a música portuguesa. E sinto que esta música faz muito isso.

Já me disse que está feliz e orgulhosa deste projeto. E não há um pouco de ansiedade com o lançamento deste single?
Sim, mas isso é porque, por norma, sou uma pessoa com muitos problemas de ansiedade. Estou sempre ansiosa e eu tenho noção que, mesmo na véspera, vou estar a pensar: “será que fiz bem? será que fiz mal?”. É normal. Em toda a minha vida sou um bocado assim. Atiro-me às coisas, faço apaixonadamente mas, depois, quando vou lançar, é que me apercebo. Acima de tudo estou muito orgulhosa da minha equipa, das pessoas envolvidas, do produtor. Estou mesmo muito feliz com este tema.

Porquê escrever e cantar em português?
Há várias razões. Primeiro porque é mais fácil para mim escrever em português, embora quase tudo o que eu ouço seja música inglesa. Mas eu gosto muito de escrever em português porque é a forma como me expresso melhor. É a língua que eu mais gosto de cantar. É um mercado que está menos explorado. E também é uma língua tão bonita e acho que ainda há tanta coisa para fazer na música – que ainda não se fez – com a língua portuguesa que eu acho que era um desperdício não cantar em português.

“O único desafio (…) é o facto de eu olhar para mim como a minha única competição.”

Embora com uma carreira já invejável a Marta está apenas no início. Que desafios espera encontrar neste percurso? Há algum que a assuste?
O único desafio que me vem, não me assusta, mas que eu olho para ele de forma bastante comprometida é o facto de eu olhar para mim como a minha única competição. Ou seja, as minhas músicas é que têm de se melhorar. À medida que lanço uma eu quero que ela seja melhor que a anterior. Eu quero sempre fazer isso porque eu por norma sou uma pessoa bastante competitiva comigo mesma. Sou muito exigente. Se eu fizer uma atuação em que acho que não estive tão bem vou ficar ali a matutar no que posso fazer melhor. A minha única preocupação é estar feliz e estar bem com o meu trabalho, estar orgulhosa daquilo que fiz. É a minha prioridade.

O mercado da música em Portugal não a assusta então?
Por acaso não. É um bocadinho como se passou no The Voice. Eu era um bocadinho anti-social. Não é que eu seja assim no mercado da música. Eu dou-me com toda a gente. Mas, no The Voice, eu não via os ensaios de ninguém porque eu não me queria comparar. Depois ia-me sentir naturalmente inferior porque eu sou uma pessoa ansiosa. Eu protejo-me. Obviamente que vejo os meus colegas e apoio, mas nunca os ouço como comparação. Olho para o estado da música portuguesa de forma bastante positiva. Acho que a música portuguesa se tem impulsionado de forma incrível. Ultimamente é cada vez mais música a sair, e para melhor. É um bocadinho não dividir, mas multiplicar entre todos. E crescermos todos e contribuirmos todos para a música portuguesa.

Para terminar: que convite quer fazer aos portugueses?
Convido-vos a ouvir o single Deslizes, que sai dia 19. É um projeto pelo qual eu trabalhei há muito anos, estudei música, escrevi muito, trabalhei com muitas pessoas. E esta é a Marta. Espero que vocês gostem e que se identifiquem, que estejam em casa sempre a ouvir e a ver o vídeo que também vai sair.

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