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Raminhos: “Sinto-me triste, revoltado, abandonado, incompreendido e vazio”

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António Raminhos viveu um dia muito complicado na sexta-feira. O comediante sofre de ansiedade e de transtorno obsessivo compulsivo, condições que o afetam em várias ocasiões. “Estava assustado, desorientado. Naquele momento, morri”, desabafou num longo texto que publicou no Facebook.

Nessa publicação, colocada online na noite desta segunda-feira, Raminhos admitiu ainda que se sente “triste, revoltado, abandonado, incompreendido e vazio“. “Na minha cabeça não há solução para o problema que vivi ali“, lamentou.

Leia aqui o texto completo de Raminhos:

Sexta foi, provavelmente, um dos dias mais tristes e complicados da minha vida em relação a ansiedade e ao transtorno obsessivo compulsivo. Fiquei frente a frente a um dos meus maiores medos, dos meus maiores ‘e ses’. Que me acompanha há mais tempo. Não interessa o que foi, porque qualquer que seja a ‘fonte’, o resultado é o mesmo.

A minha mulher, que me viu, diz que eu não parecia eu. Estava assustado, desorientado. Naquele momento, morri. Estava condenado à morte e sem futuro, pela situação. Sem saber o que fazer. E ainda estou. Já levo muitos anos nisto e muito trabalho, mas é como remar contra a maré, com calma e perseverança, e, de repente, vem um tsunami. E isso magoa, é ver o trabalho por água abaixo.

Sinto-me triste, revoltado, abandonado, incompreendido e vazio. Na minha cabeça não há solução para o problema que vivi ali. Os amigos podem dizer que não há problema que a questão até pode ser real, mas está a ser extrapolada e exagerada e o que penso é ‘o que sabes tu do que vai na minha cabeça? E toda a gente é mais feliz do que eu’.

Depois, surgem as cobranças: Eu que gosto de ajudar os outros, que dedico tempo a outros (porque gosto não estou à espera de recompensa, sabe-me bem), que luto para conseguir os meus projectos e ideias, que tive uma infância que não ajudou muito, e que por isso procuro dedicar tempo à família, que medita, que quer conhecer-se melhor e depois leva com estas balas que me trespassam sem aviso. Onde está a recompensa? Onde está o trabalho feito? Onde está o colo do Universo?

E baixei os braços e fiquei triste e revoltado comigo, com Deus, com a minha história que me trouxe aqui. Ainda estou. E não me importo. Sabem porquê? Porque sei que daqui a um ou dois dias já vou ver as coisas de outro modo. Que mesmo em baixo, a minha primeira preocupação foi não sofrer em silêncio. Foi pedir ajuda ao meu terapeuta e ao meu psiquiatra porque claramente preciso de um apoio.

Um apoio para eu poder trabalhar-me melhor! Não para me fazer esquecer ou manter-me funcional apenas. Apoio para eu descobrir-me com mais calma. E porque sei que a maravilha da vida é esta: Cada dia é uma hipótese de respirar fundo… E se voltar a sofrer? Há mais um dia a seguir! E, como vos digo, já levo muito anos a levar cacetada… E por isso, por muito que me apetecesse estar fechado e isolado ou internado para que tomassem conta de mim, resolvi ir passear no fim de semana.

PRESTEM ATENÇÃO! Escrevo este post, não para me darem palmadinhas nas costas ou dizer ‘força’ ou ‘com essa família podias ter tudo bem, não penses nisso!’, até porque as coisas não funcionam assim. Nem são assim. Escrevi este post para que não se fechem nos vossos medos. Para que compreendam que há dores que só nós conhecemos, mas que podem ser partilhadas por muitos nas suas mais variadas formas e feitios. NINGUÉM ESTÁ SOZINHO.

Estou a escrever este post para que procurem ajuda sem medos nem vergonhas. Isto é simples, se têm um pneu furado, quanto mais tempo andarem assim piores são os estragos. Há que pedir quem vos ajude a mudar o pneu até que vocês o saibam fazer sozinhos, mesmo que demore mais tempo. Todos somos estranhos até perceber que isso é normal“.

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