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Guilherme Geirinhas partilha reflexão: “Ser a próxima Itália pode ser a salvação”

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Guilherme Geirinhas fez uma reflexão emotiva e partilhou com os seus seguidores na sua página de Instagram, sobre a forma como os portugueses têm encarado o período de quarentena e a forma como Portugal mudou com a “chegada” da pandemia da Covid-19.

“Em Itália, onde fui feliz durante seis meses, as casas não são uma barreira para o mundo. Os homens barbeiam-se à janela, as mulheres regam as plantas de pijama. Todos os edifícios têm um pátio interior comum, para onde os apartamentos espreitam através de janelas. Já nelas, os vizinhos discutem muito alto, enquanto enrolam cigarros. Lá em baixo, crianças jogam à bola com uma lata vazia de coca-cola e balizas feitas de camisolas”, começou por revelar.

Mostrando as diferenças entre o país onde nasceu e o que o acolheu: “Em Portugal, estamos muito no nosso quadradinho. O tapete à porta de casa limpa não só os sapatos, como também a vontade de estar com os outros. As nossas casas são um portal para o isolamento. Somos o país dos condomínios com cancela à porta. Dos seguranças, de mãos atrás das costas, a controlar por cima do ombro quem entra e quem sai. Estamos sempre de persianas para baixo, privacidade para cima. As campainhas à porta do prédio têm câmara incorporada, já que o áudio nunca foi suficiente para inspecionar quem quer furar a nossa privacidade. Aceleramos o passo para evitar os vizinhos no elevador”.

“Nos últimos dias voltei a sentir-me em Itália, mas cá. Tenho saído para dar uma volta à noite, sozinho, e reparei que as janelas, agora, estão abertas. As persianas já não baixam e as luzes estão acesas. Naquele segundo andar, vi duas pessoas a montar um móvel e tive vontade de subir para ajudar. Não me senti a invadir o seu espaço. Elas queriam que eu visse aquilo. Há um desenho do arco-íris na caixa de correio do meu prédio, em vez da habitual publicidade da Norauto. Consigo ouvir os talheres dos vizinhos a almoçar na varanda. Dou por mim a ficar na conversa com o estafeta. Sim, estamos a trabalhar a partir de casa e nunca encomendámos tanto como agora. Mas há pistas de que isto está a mudar. Sinto que nunca estivemos tão próximos, mesmo não podendo sair de casa. Desde que as persianas subiram, a solidão tem baixado. Estamos todos com medo que Portugal se torne na próxima Itália, mas dentro de casa isso pode ser a nossa salvação”, concluiu.

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Somos a próxima Itália Em Itália, onde fui feliz durante seis meses, as casas não são uma barreira para o mundo. Os homens barbeiam-se à janela, as mulheres regam as plantas de pijama. Todos os edifícios têm um pátio interior comum, para onde os apartamentos espreitam através de janelas. Já nelas, os vizinhos discutem muito alto, enquanto enrolam cigarros. Lá em baixo, crianças jogam à bola com uma lata vazia de coca-cola e balizas feitas de camisolas. Em Portugal, estamos muito no nosso quadradinho. O tapete à porta de casa limpa não só os sapatos, como também a vontade de estar com os outros. As nossas casas são um portal para o isolamento. Somos o país dos condomínios com cancela à porta. Dos seguranças, de mãos atrás das costas, a controlar por cima do ombro quem entra e quem sai. Estamos sempre de persianas para baixo, privacidade para cima. As campainhas à porta do prédio têm câmara incorporada, já que o áudio nunca foi suficiente para inspecionar quem quer furar a nossa privacidade. Aceleramos o passo para evitar os vizinhos no elevador. Nos últimos dias voltei a sentir-me em Itália, mas cá. Tenho saído para dar uma volta à noite, sozinho, e reparei que as janelas, agora, estão abertas. As persianas já não baixam e as luzes estão acesas. Naquele segundo andar, vi duas pessoas a montar um móvel e tive vontade de subir para ajudar. Não me senti a invadir o seu espaço. Elas queriam que eu visse aquilo. Há um desenho do arco-íris na caixa de correio do meu prédio, em vez da habitual publicidade da Norauto. Consigo ouvir os talheres dos vizinhos a almoçar na varanda. Dou por mim a ficar na conversa com o estafeta. Sim, estamos a trabalhar a partir de casa e nunca encomendámos tanto como agora. Mas há pistas de que isto está a mudar. Sinto que nunca estivemos tão próximos, mesmo não podendo sair de casa. Desde que as persianas subiram, a solidão tem baixado.  Estamos todos com medo que Portugal se torne na próxima Itália, mas dentro de casa isso pode ser a nossa salvação.

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