Famosos Música

Diogo Faro responde a Tiago Dores depois de artigo onde acusa Miley de ser ‘galdéria’

Estalou uma nova polémica por causa de um artigo de opinião de Tiago Dores. O antigo membro da equipa dos Gato Fedorento escreveu uma crónica no jornal Observador onde a cantora e a forma como lida com a sua sexualidade serve de mote. 

Depois de muitas vozes se insurgirem contra a redação do texto foi a vez de Diogo Faro, conhecido pelo seu humor cáustico associado ao ‘Sensivelmente Idiota’, acusar Tiago Dores de “hastear duas grandes bandeiras do mais bonito e bacoco conservadorismo”.

Na crónica, Tiago Dores questiona a artista norte-americana de forma retórica: “Ó Miley, agora a sério, isto de pansexual é a antiga galdéria, não é?”, tendo Diogo Faro respondido na sua publicação que: “Como é óbvio, para o Tiago e para tantos, quantos mais parceiros sexuais uma mulher tem, maior o seu estatuto de galdéria (palavra cujo masculino nem sequer existe, e que é sinónimo de vadia, imoral, devassa)”.

De seguida, o humorista atira que o ex-Gato Fedorento fala de “sexualidade com uma bonita altivez e o mais prazeroso escárnio de quem não concebe (nem sequer é em si, é nos demais) outra realidade que não a binariedade. Se a professora primária lhe disse que meninos só podem ser meninos que gostam de meninas e vice-versa, para quê questionar?”.

“A diferença da sexualidade não-binária de algumas pessoas como a Miley dá tanto medo ao Tiago como a ideia de igualdade sexual de género (…). Afinal, que medos tão primários são estes que lhes dão tantas dores e (des)venturas? Difícil entender. Mas fácil de perceber que, para eles, o errado tanto está na diferença como na igualdade”, acrescenta.

No entanto, não foi apenas Tiago Dores o alvo da publicação. Diogo Faro fez questão de trazer André Ventura, presidente do partido Chega e conhecido pelas suas afirmações xenófobas e sexistas, acusando-o de ter voltado a ser xenófobo.

A publicação encheu-se rapidamente de comentários de apoio ao humorista com Catarina Furtado e Mariana Monteiro a subscreverem as palavras de Diogo Faro. As duas comentaram a publicação com emojis de aplausos.

Veja a publicação:

View this post on Instagram

O ERRADO ESTÁ TANTO NA DIFERENÇA COMO NA IGUALDADE. • O medo faz parte da condição humana. Não só faz parte como é imprescindível para que nos aguentemos vivos, ou parcialmente vivos, pelo menos. Ter medo protege-nos seja de perigos físicos, como atravessar uma auto-estrada a correr ou enfrentar uma manada de gnus num desfiladeiro, assim como nos protege de perigos de profundo embaraço social, como urinarmo-nos todos cuecas abaixo já em adultos, ou ainda ser homofóbicos ou racistas em 2019. Curiosamente, este último é um medo que não ocorre tão amiúde como eu acharia saudável – e otimisticamente expectável – na sociedade dos dias que correm. E o que é ainda mais engraçado é que a ausência deste medo do embaraço que muitas pessoas têm parece estar intimamente ligada, por outro lado, ao medo enorme que têm de duas coisas paradoxalmente semelhantes: a diferença e a igualdade. Esta semana foram dois casos públicos que me fizeram pensar nisso. O primeiro foi a crónica do Tiago Dores, ex-Gato Fedorento, no Observador. Falando da sexualidade com uma bonita altivez e o mais prazeroso escárnio de quem não concebe (nem sequer é em si, é nos demais) outra realidade que não a binariedade, acaba com a brilhante pergunta dirigida à Miley Cyrus (ativista LGBT e assumidamente pansexual): “Ó Miley, agora a sério, isto de pansexual é a antiga galdéria, não é?”. Genial. Numa só frase consegue hastear duas grandes bandeiras do mais bonito e bacoco conservadorismo. Primeiro, o facto de a sexualidade ser a preto e branco, como se aprende na escola (tal como o Tiago refere também na crónica). E se a professora primária lhe disse que meninos só podem ser meninos que gostam de meninas e vice-versa, para quê questionar? Depois, a relação entre número de parceiros sexuais e o nível de aprumo social de uma mulher. Como é óbvio, para o Tiago e para tantos, quantos mais parceiros sexuais uma mulher tem, maior o seu estatuto de galdéria (palavra cujo masculino nem sequer existe, e que é sinónimo de vadia, imoral, devassa). E Deus, e talvez quem sabe a professora do Tiago, nos livre de mulheres que fazem o que bem lhes apetece com a sua vida sexual. (fim nos comentários)

A post shared by Diogo Faro (@diogofaroidiota) on

ATV News