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Dalila Carmo partilha fotografia inédita da adolescência

Reprodução Instagram

Dalila Carmo partilhou este domingo, dia 12 de outubro, uma fotografia nunca vista da sua adolescência. Na legenda da imagem, a atriz reflete sobre a sua profissão.

Dalila Carmo foi ao baú das recordações e partilhou uma imagem da sua adolescência. A atriz teria 13 ou 14 anos, como escreve, e remonta à época em que despertou a paixão pela representação.

Com isto, a atriz aproveitou para refletir e desabafou com os fãs sobre a necessidade de manter o rigor e o encantamento pela profissão.

“Comecei por esta altura a dizer que gostava de ser atriz. Não fazia puto ideia o que isso queria dizer mas na altura talvez um curso de teatro significasse liberdade, eventuais alibis para desenquadramentos, vontade de sair das rotinas e transgressão”, acrescentou na publicação.

Ainda na publicação reforça o que, para Dalila significa ser atriz: “deveria realmente ser uma profissão de criação e descoberta, mesmo quando a matéria sobre a qual trabalhamos é menos interessante, ou quando as condições nos destroem e desviam do objectivo primordial”.

Por fim, sublinhou: “Sem qualquer saudosismos da inocência dos 13 anos, tento sempre renovar os votos de encantamento para que o sonho não esmoreça. Para acreditar sempre que é possível ainda fazer coisas bonitas e saber que elas são recebidas de forma aberta e com opiniões consistentes sobre o que está feito”.

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Quando me tiraram esta foto eu devia ter 13 ou 14 anos. Aquela idade das Lolitas em que achamos que para sermos bons nalguma coisa temos de ser giros e ter piada. Estamos a descobrir o mundo e a adorar que o mundo nos descubra também. Comecei por esta altura a dizer que gostava de ser actriz. Não fazia puto idéia o que isso queria dizer mas na altura talvez um curso de teatro significasse liberdade, eventuais alibis para desenquadramentos, vontade de sair das rotinas e transgressão. Ainda hoje penso numa palavra que defina a urgência, mas a transgressão deu origem à disciplina máxima: entrega, rigor, trabalho. Não banalizar o óbvio. Dar o devido peso às palavras e à situação. É verdade que a televisão promoveu o fait divers, que o público gosta das coisas leves, que elas são necessárias. Mas tb é verdade que para que a experiência seja realmente transformadora tanto do ponto de vista do actor como do público, é preciso que se vá um bocadinho mais longe na análise. É preciso cada um de nós ser muitos ao mesmo tempo, de todas as cores, com o máximo possível de camadas, para que as nossas personagens tenham a maior espessura possível na história que queremos contar. Ser actriz ou atriz ( cedendo ao acordo ortográfico) deveria realmente ser uma profissão de criação e descoberta, mesmo quando a matéria sobre a qual trabalhamos é menos interessante, ou quando as condições nos destroem e desviam do objectivo primordial. Sem qualquer saudosismos da inocência dos 13 anos, tento sempre renovar os votos de encantamento para que o sonho não esmoreça. Para acreditar sempre que é possível ainda fazer coisas bonitas e saber que elas são recebidas de forma aberta e com opiniões consistentes sobre o que está feito. Todos os dias pego nas minhas ferramentas, às vezes com pinças, e digo "se hoje não for bom, amanhã terá de ser melhor". Não é só a precariedade económica que nos define, é também a precariedade dos sonhos. Das coisas em que acreditamos. Essa é a mais perigosa das intermitências. Só por hoje mudo o meu mindset para os meus primórdios, quando o Kieślowski ainda era vivo e tudo era possível♥️

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