TVI

“Morangos” têm aula sobre a PIDE

José Pinto Carneiro, coordenador da equipa de autores da Casa da Criação responsável pela escrita de ‘Morangos com Açúcar VI’, não deixou passar a data histórica do 25 de Abril de 1974 sem a referir no enredo.

Num episódio da série juvenil, que vai para o ar na TVI nessa semana, um professor, ‘Zeca’ (Orlando Costa), falará aos alunos das fases da pré e pós-Revolução em Portugal e, muito em particular, da PIDE – Polícia Internacional e de Defesa do Estado. “Era uma oportunidade que não podíamos desperdiçar”, frisou o autor ao CM.

Sem querer que a série assuma, por regra, funções pedagógicas, José Pinto Carneiro esclarece: “Os ‘Morangos Com Açúcar’ não são escola nem são pais. O objectivo é sempre lúdico e tudo o que for para além disso é abordado de uma forma leve.” O autor tem, apesar disso, e como se comprova desde o início da sexta série de ‘Morangos’, a noção do quanto a ficção pode incluir temas didácticos e oportunos, muito em particular para os jovens, à semelhança do que a TV Globo faz há muito nas suas produções.

Neste caso, o professor ‘Zeca’ fala da sua experiência na luta contra o regime de Salazar. Os alunos seguem atentamente as descrições do professor sobre a PIDE. ‘Zeca’ retrata como, em jovem, sofreu na pele a repressão, tentou distribuir panfletos políticos às escondidas, foi perseguido pela PIDE, preso e espancado, depois de ter combatido na guerra colonial.

ABORTO TAMBÉM VAI SER FALADO NA ESCOLA

“Na semana do 25 de Abril, abordamos também a questão da educação sexual debatida nas escolas”, revelou o autor de ‘Morangos com Açúcar VI’, José Pinto Carneiro, ao CM. Mais concretamente, a série irá focar o tema do aborto no pré-25 de Abril e na actualidade. Numa das cenas, a professora ‘Eunice’ (Maria Emília Correia) tem uma crise de choro ao contar a ‘Carolina’ (Diana Monteiro), aluna e cantora das Just Girls, que, há 38 anos, foi obrigada a fazer um aborto e os seus pais, com receio de que fosse presa, obrigaram-na a contar à PIDE “quem foi o comunista que a tramou”. Por outro lado, um aluno mais jovem, ‘Mateus’ (Gonçalo Bordalo), da turma do 8º ano, conta à mãe e à irmã o que uma professora lhes explicou durante a aula – que “na época actual, as mulheres têm a liberdade de decidir se querem abortar”.

Filomena Galacho, CM

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