TVI

Dez anos de Moniz Independente

Assinala-se hoje uma década de José Eduardo Moniz à frente do quarto canal generalista português. Quando entrou pela primeira vez como director-geral nas instalações de Queluz de Baixo, eram poucos os portugueses que clicavam na tecla número quatro do comando… Agora são a maioria

O que mudou na TV portuguesa após uma década de TVI

Chegar, ver e vencer. Podia ser o lema de vida de José Eduardo Moniz, que fez do terceiro canal mais visto e sem grande relevância a televisão com mais audiências em Portugal. Moniz chegou, faz hoje dez anos, ao antigo canal da Igreja, quando esta tinha apenas 13,1% de audiência. A RTP tinha mais do dobro, com 31,5%, e a SIC quase chegava à maioria absoluta, com 49,2%, e dominava o panorama audiovisual. Mas tudo iria mudar.

Um ano depois começou uma das grandes apostas do director-geral da Televisão Independente: a ficção nacional, nomeadamente com as telenovelas. É verdade que a TVI já tinha feito a experiência em 1993 com Telhados de Vidro, mas foi um episódio isolado. Em 1999 nasceu a primeira telenovela portuguesa da era Moniz: Todo o Tempo do Mundo, escrita por Tozé Martinho, o mesmo autor do actual sucesso A Outra. Seguiu-se Jardins Proibidos, Olhos de Água, Nunca Digas Adeus, Filha do Mar e Anjo Selvagem até ao fim de 2001.

Mas a mola que alavancou as audiências não foi propriamente o género telenovela, mas algo que “chocou” o público e a opinião publicada: o Big Brother. Começava a era dos anónimos tornados vedetas no pequeno ecrã. Recorde-se que este reality show foi recusado pela SIC, algo que marcou o início da sua queda e o desentendimento definitivo entre Francisco Pinto Balsemão, proprietário do canal de Carnaxide, e Emídio Rangel, à época director de Programas e Informação. A recusa da SIC foi a janela de oportunidade de que Moniz precisava para tornar a TVI o canal mais visto pelos portugueses. Em poucos dias, o alentejano de Barrancos tornou-se a figura mais falada pelos telespectadores. Mas seria o célebre pontapé de Marco Borges na “concorrência” Sónia que viraria, a favor de Moniz, o jogo das audiências. Estávamos em Outubro de 2000, no dia em que Jorge Sampaio anunciava a sua recandidatura à Presidência da República. Um discurso que o Jornal Nacional da TVI relegaria para segundo plano, abrindo com a agressão no seu reality show e consequente expulsão do concorrente. No final, Zé Maria, cujos monólogos com as galinhas passaram a ser assunto de discussão, venceria o programa, na noite de fim-de-ano de 2000 para 2001.

A fórmula de sucesso foi repetida por mais quatro vezes com concorrentes anónimos e duas com personalidades públicas conhecidas dos espectadores. Depois do cansaço do Big Brother, Moniz explorou o filão com a Quinta das Celebridades (que deu a conhecer ao mundo mediático a excentricidade de José Castelo Branco), Primeira Companhia e Circo das Celebridades. Nestes concursos, os portugueses ficaram ainda a conhecer melhor figuras como Cinha Jardim, Lili Caneças, Cláudio Ramos, Nuno Homem de Sá, Romana, Julie Sargeant, Francisco Mendes, Gonçalo da Câmara Pereira e Io Apolloni, entre muitos outros. Na Quinta, Primeira Companhia e Circo já não bastava juntar um conjunto de concorrentes e esperar que algo acontecesse. Havia um tema central e várias tarefas. E se no início era Teresa Guilherme a mestre de cerimónias, depois foi substituída por Júlia Pinheiro.

A juntar ao reality show e à telenovela, Moniz tornou o jornal televisivo das 20.00 mais popular, colocando a sua mulher, Manuela Moura Guedes, como pivô principal. Com esta fórmula, assente na informação de proximidade, muitas vezes acusada de sensacionalista, Moniz agarrava os portugueses à quarta tecla do comando no horário nobre três anos depois da sua chegada a Queluz de Baixo. Até hoje. O sucesso total chegou em 2005. Nesse ano, a TVI tornou-se pela primeira vez líder de audiências no cômputo geral, tendo ultrapassado a SIC, que ganhava à concorrência há dez anos consecutivos. Em 2004, a TVI ganha os jogos da Primeira Liga até à época passada, o que a ajudou a manter as audiências no primeiro lugar.

Hoje, a grande âncora o sucesso do horário nobre é feita com a exibição de três telenovelas portuguesas a seguir ao Jornal Nacional, que é antecedido pela série juvenil de sucesso Morangos com Açúcar, que está no ar há seis anos. Durante o resto do dia, a TVI tem bons resultados com Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira de manhã (o sucesso chegou finalmente depois de vários anos e outras tantas tentativas frustradas…) e Júlia Pinheiro à tarde, num registo próximo do utilizado por Oprah nos EUA.

Preparando-se para ganhar, de forma folgada, o quarto ano consecutivo, José Eduardo Moniz, que nasceu na ilha de São Miguel há 56 anos, tem no sucesso dos números a sua força, o que nunca o impediu de comprar todas as guerras que entendeu. Com a concorrência, mas também internamente. Para a história ficam as tensões com Miguel Paes do Amaral no caso Marcelo Rebelo de Sousa (Novembro de 2004) e com a administração dos espanhóis da Prisa sobre Manuela Moura Guedes.

Depois de ter conseguido tudo na TVI, falta fazer uma pergunta: E agora, Moniz?

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