Globo

«Marília Gabriela Entrevista» a dupla Charles Möeller e Claudio Botelho

Claudio Botelho Marilia Gabriela Charles Moeller

Os produtores de musicais teatrais Charles Möeller e Claudio Botelho são os convidados de Marília Gabriela. Para abrir a conversa, a apresentadora quis saber como a dupla se conheceu. «Em 90, fui para o Rio de Janeiro fazer a novela “Mico Preto”, eu era o filho do Miguel Falabella. Enquanto isso, o Miguel ensaiava um espetáculo com o Ítalo Rossi, e com um rapaz que tocava violão e cantava umas músicas. Fui ao ensaio, e depois saímos para jantar com Ítalo e Claudio», contou Charles. Ele lembrou ainda que os quatro passaram a noite inteira falando sobre o musical. «Começou aí», disse.

A paixão de Charles por musicais vem desde a infância, época em que assistia filmes com o pai. «Lembro-me de ficar fascinado com a estética, e pelo tipo de interpretação mentirosa que o musical tem». Charles ainda comentou que acha interessante quando a arte assume a mentira: «Me fascina quando a gente assume que está sendo enganado. Acho que o musical, de todas as manifestações artísticas, é a mais mentirosa, porque eu não começaria essa entrevista com você cantando».

De seguida, Marília perguntou se a dupla concordava que a escola de musicais do Brasil passa, necessariamente, pela americana, por eles serem os pais da matéria. Charles discordou: «Acho que já nos adaptamos. Depois de tantos musicais, já bebemos muito na fonte deles. Mas, já adquirimos um jeito muito próprio de fazer as nossas coisas».

«Você ficou frustrado por não ser ator hoje em dia?», perguntou Gabi a Charles. «Não, porque a minha profissão como diretor me deu tantas coisas… Como ator era um estado eterno de ansiedade». Já Claudio, que é mineiro, contou como surgiu a vontade de virar artista: «Gostava de música, e a minha ligação era totalmente com a música. O teatro apareceu no Rio de Janeiro, ao ver o Sergio Brito pela primeira vez. A aquilo mudou a minha vida. Ele se tornou meu amigo, professor».

Claudio, que tocava violão e piano, contou como o teatro superou este seu lado musical: «Acho que quando o teatro chega perto da gente, ele toma um espaço muito grande, que passou até por cima da música». O convidado também comentou que, inicialmente, fazia qualquer coisa que aparecesse: «Principalmente a parte de música nas peças. Na do Sergio tinha um lugar para alguém tocar piano. Já na do Ary Fontoura, o primeiro a me dar um emprego de verdade, escrevi canções para a comédia. E era ali que eu ficava perto do teatro».

Sobre o sucesso da dupla? Charles confessou que está no atrito: «Tentamos nos provar muito um com o outro. Seria muito difícil estarmos no 32° espetáculo. Ainda me sinto no dever de me superar para mostrar para ele que eu posso melhorar, e acho que vice versa”. Claudio concordou e disse que as brigas são artísticas: «Porque eu acho que o ator deveria entrar pela direita, e ele, pela esquerda. E isso gera um atrito mesmo!». Charles encerrou brincando: «Aprendemos a brigar bem. Todo mundo pergunta qual é o segredo dessa longevidade, e eu acho que somos é bom de briga».

«Marília Gabriela Entrevista» vai hoje para o ar, às 22:10, na TV Globo Portugal.

/* ]]> */