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SIC regressa à estrada para encontrar o seu caminho

A partir de Julho, a estação de Carnaxide vai sair de casa e percorrer o País durante as manhãs e as tardes. A ligação entre o canal de Pinto Balsemão e a produtora Comunicasom vai ser revista também para depois do Verão.

A SIC vai tentar reencontrar-se com o País a partir do Verão. No fundo, é uma espécie de regresso às origens, aos tempos em que o canal de Pinto Balsemão estava mais próxima dos cidadãos e não fechada sobre si própria em Carnaxide e na Av. Pedro Álvares Cabral, em Lisboa (Comunicasom).

O DN sabe que é este o plano da dupla Luís Marques e Nuno Santos (director-geral e director de programas, respectivamente), que funcionou com sucesso na RTP em 2007. As fracas audiências para as ambições da SIC, a que se junta a crise económica que já se instalou nos media, obrigam a novas lógicas de programação e gestão financeira. Neste sentido, há que encontrar um novo caminho e será o chamado day time (as manhãs e as tardes) que vai sofrer maiores alterações já a partir de Julho. O contrato entre a SIC e a Comunicasom de Manolo Belo, que produz Fátima e Contacto, termina em Junho e algo novo será delineado entre as duas entidades. Certa, sabe o DN, é a vontade de Carnaxide em continuar a parceria com Manolo Belo, mas, tudo indica, em moldes diferentes.

A concretização no terreno ainda está a ser pensada, nomeadamente quem vai conduzir o programa ou programas durante a manhã e tarde durante o Verão. É que há duas hipóteses: um programa único durante o dia com interrupção à hora do almoço ou dois programas distintos (um antes do Jornal da Uma e outro a seguir), apurou o DN. Seja uma ou outra a fórmula aplicada, a SIC vai andar pelo País. A aproximação às populações é a estratégia que vai ser seguida, um pouco na lógica do que já acontece com Nós Por Cá, que tem tido audiências modestas, mas é um formato inserido neste plano traçado por Carnaxide. O Verão vai ser um teste à capacidade da SIC se reencontrar com o público e uma fase de transição para a nova temporada televisiva, que começa em meados de Setembro. Nessa altura, inicia uma nova etapa, com uma grelha renovada, mas sempre com um objectivo em vista: ser um canal em que o público se revê. E, com isso, claro, melhorar substancialmente as suas audiências, saindo definitivamente da crise, que já tem vários anos.

Recorde-se que a queda começou com a ascensão da TVI com Big Brother, ainda no tempo da direcção de Emídio Rangel, na SIC, sendo que o pior período em Carnaxide ocorreu com Francisco Penim, em 2007, o mesmo ano em que Nuno Santos conseguiu o segundo lugar para a RTP1, deixando a SIC em terceiro. Em 2008, a estação de Pinto Balsemão, já comandada por Nuno Santos volta ao segundo posto, mas longe de afectar a líder TVI.

Sendo certo que as manhãs e as tardes vão ser renovadas, falta agora saber que estratégia vai ser delineada para o horário nobre a partir de Setembro. Programas como Os Malucos do Riso, ‘Tá a Gravar e Não há Crise! fazem parte da estratégia de aproximação ao público? As audiências destes formatos parecem indicar que sim. E que lugar terão as telenovelas brasileiras neste contexto? Aqui o divórcio com o público é maior. Para já, a aposta é numa nova telenovela portuguesa: Eterno Amor.

Tiago Guilherme, DN


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