SIC

Rodrigo Guedes de Carvalho lança duras críticas à TVI e RTP

Desde o primeiro minuto que a televisão pública tem dedicado muito espaço de antena a questionar a veracidade das audiências do novo medidor. Recentemente, e ainda antes de se completar um mês, a estação de Queluz de Baixo decidiu não considerar mais os resultados apresentados pela GfK.

Qual será, afinal, a opinião de um profissional da SIC sobre toda esta polémica? É em grande entrevista à edição desta semana da revista TV Guia que Rodrigo Guedes de Carvalho lança duras críticas à forma como tudo tem sido abordado pela concorrência.

“Eu nunca faria, nem como diretor nem como pivô, as peças e as reportagens que a RTP e a TVI fizeram. Porque sem qualquer argumentação, que não seja ‘este sistema dá para desconfiar’, dizem que ele está viciado”, começa por dizer o subdirector de informação da SIC, comentando em seguida a atitude de José Rodrigues dos Santos no Telejornal: “O José Rodrigues dos Santos gosta muito de frases bombásticas. Ele deve ter conhecimentos técnicos extraordinários na área da electrónica para dizer isso (que o sistema foi comprado na feira da ladra). Eu não me atreveria a comentar com essa certeza um sistema que não conheço tecnicamente”

Questionado sobre qual a situação que mais confusão lhe causa, se a da RTP ou a da TVI, Rodrigo Guedes de Carvalho é perentório: “Repare: o Jornal das 8 está outra vez com audiências simpáticas e a TVI já está novamente calada. Se fazemos um bom resultado, o sistema é fiável, se fazemos um mau resultado, o sistema foi comprado numa feira da ladra. Era curioso ver a RTP um dia com 36% e ganhar. Acha que ia haver protestos? Isso é enervante e descredibiliza o mercado achei lamentável a forma como fizeram peças sobre as audiências dentro de um serviço noticioso. A raiz do serviço noticioso, seja uma entidade pública ou privada, é a de informar as pessoas de forma objectiva. E aquilo foi usado como um editorial panfletário”, afirmou, acrescentando em seguida que “é a lógica da batata. Houve ali um certo desnorte do José Rodrigues dos Santos, talvez da direção de Informação, mas ele, como pivô, corporizou aquilo com aquela sua teatralidade muito assertiva que me pareceu completamente excessiva porque foi dar parte fraca, mostrou nervosismo e quis trazer ao espectador uma luta que não lhe pertence. Repare: aquelas peças são feitas para a SIC e para a TVI. São recados entre nós”.

E as acusações não se ficam por aqui. Confrontado se esta revolta se prende com o facto de a RTP ser uma televisão pública, o jornalista admite que sim “eventualente mas a questão de ser estação pública é o melhor guarda-chuva que a RTP inventou nos últimos anos. Não trabalham para as audiências quando perdem, não é? Mas quando ganham ficam todos contentes. É um discurso político facilmente desmontável. Se a RTP ganha, diz: ‘A RTP prova assim que tem a preferência dos portugueses e que cumpre o serviço público’. Se a RTP perde, diz: ‘Nós não estamos na luta das audiências.’ São as duas respostas-tipo. Ou estão ou não estão. Têm de definir as coisas, de uma vez por todas. Achei a forma como aquilo foi cavalgado completamente espúrio. Tive pessoas de um nível intelectual médio-alto a perguntarem-me o que era aquilo da GfK e da Marktest, que não estavam a perceber nada. Montaram uma campanha sem provas”. E vai mais longe: “Dizer que o sistema foi comprado numa feira da ladra, como o José Rodrigues dos Santos, não me parece uma prova concreta. Dizer que se achava estranho que o presidente da CAEM fosse o Luís Marques, como o Jorge Gabriel, roça a ofensa e prova desconhecimento porque a presidência é rotativa. É o maior descrédito que se pode lançar. Isso é dizer que o sistema é corrupto ou corrompível. É a implusão de toda a Indústria. A medição de audiências não está isenta de suspeitas, mas também posso ter a suspeita de que na Marktest, de vez em quando, pagavam a um gajo para martelar as audiências. Foi nesse jogo que eu vi entrar pessoas da RTP e da TVI.”

Prestes a finalizar, um comentário ao que disse José Alberto Carvalho, quando o canal de Queluz de Baixo revelou que alertara aGfK para certas irregularidades nos primeiros dias: “Mas a TVI aceitou”, acusa Rodrigo Guedes de Carvalho: “O sistema da GfK entrou em vigor com a aceitação unânime do mercado, não podia ser de outra forma. Mas depois, com os resultados, puseram em causa o sistema. Isto parece uma brincadeira de crianças: ‘Ah, estou a perder? Então não jogo. Pego na bola e vou para outra casa.’ Isso não faz sentido! Nós nunca contestámos nada. A semana passada, ganhei sete jornais de seguida, fiz alguma peça a dizer que sou o maior? Não”, afirmou.

A terminar, o pivô do Jornal da Noite, admitiu, contudo, que “Nunca escondi que sou muito céptico em relação ao sistema das audiências. Mas é o sistema em geral. Faz-me confusão que mil indivíduos ou mil lares sejam representativos de milhões de pessoas e que isso condicione toda uma indústria, todos os postos de trabalho e todas as apostas e imagens que as pessoas fazem. Sempre me fez confusão, aqui ou no estrangeiro. Disto isto, tem de haver um sistema, pelo qual as empresas, os anunciantes e o público se regem. Se ele é bom ou mau, se é mais fiável, não tenho conhecimentos técnicos para o dizer”.

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