SIC

“Roda da sorte” regressa 15 anos depois

Lembram-se do concurso “Roda da sorte”? De óculos escuros e armado com uma caçadeira, Herman José disparou contra os electrodomésticos, antes de destruir completamente o cenário, naquele que foi um dos momentos mais irreverentes da televisão portuguesa. Foi assim o seu último programa.


Não houve quem não falasse no sucedido. Hoje, pode dar-se uma espreitadela ao que se passou através do YouTube. Cerca de 2O mil curiosos já o fizeram. Na época – o concurso foi para o ar entre 1990 e 1993, na RTP1 -, destoou o protagonismo dado por Herman José à assistente Rute Rita e aos próprios figurantes, transformados em elementos activos do programa. Também ali se popularizou Cândido Mota como “voz off” e contra-ponto do humorista. Enfim, o concurso que era muito mais do que um concurso está de regresso. Na SIC e pela mão do director Nuno Santos, será uma das apostas para Setembro. Ainda de férias, Herman José respondeu ontem prontamente, via e-mail, a algumas questões sobre o “remake” deste clássico.

Como surgiu a ideia de voltar a fazer o programa “Roda da sorte”?

É um projecto que, segundo sei, estava a incubar na cabeça do Nuno Santos (director de Programas da SIC) pelo menos há dois anos. Ainda ele estava na RTP. Eu próprio fui apanhado de surpresa com o pragmatismo da decisão!

Qual foi a primeira recordação que lhe veio à cabeça quando se falou na possibilidade do regresso do concurso exibido nos anos 90?

Três palavras: ALEGRIA NO TRABALHO !

Quais eram os grandes trunfos do programa naquela época?

Foi a primeira vez que alguém quebrou a seriedade institucional com que era suposto apresentar um concurso. Lembro-me de o próprio Merv Griffin(criador do formato) ter ficado espantado com o visionamento de um ‘best of’ que levámos a Orlando, por ocasião dos 25 anos da Disney. Dezoito anos depois, passou a ser quase obrigatório apresentar com leveza e humor. O apresentador francês até se dá ao luxo de levar o seu cão para as gravações ! Modéstia à parte – fomos precursores na arte de bem desconstruir!

Hoje, os tempos são outros, os espectadores são mais exigentes e o Herman José também estará diferente. Concorda? O que fundamentalmente mudou? No seu caso, o que assinala?

Tenho mais informação, mais certezas, mais traquejo, mas sobretudo ganhei um carinho e um respeito pelo público anónimo que na altura não tinha.

A Rute Rita acabou por se evidenciar no programa da RTP1. Vai querer agora ter uma palavra a dizer em relação à assistente? Como quer que ela seja?

Deleguei a escolha da beldade de serviço no Nuno, que tem um olho clínico para esses assuntos. Basta ver a belezinha que escolheu para mãe do seu filho. O sorriso da Rute Rita ficará, no entanto, sempre como imagem de marca daquela época, bem como a voz e a inteligência do Cândido Mota! (Esta edição, à semelhança das congéneres em todo o Mundo, não terá “voz off”…)

Que riscos implica um “remake” televisivo? Preocupa-o que a adesão seja incomparável ao que foi a do clássico?

Os “remakes” só fazem sentido quando são feitos a uma grande distância do original, e sobretudo se trouxerem mais-valias. Os valores de produção da versão actual não são comparáveis à primeira versão, que era de um minimalismo quase caricato.

Com o concurso “Chamar a música”, ouviu dizer-se que o Herman voltou a estar em forma. Que diria aos donos desses comentários?

Nada na Natureza é contínuo, nem o êxito. Em Portugal, as carreiras estão também sujeitas às vicissitudes de um Estado disfuncional, no qual não foi ainda consumada a ablação dos tiques de meio século de Estado Novo. Imagino mesmo que os meus colegas da Coreia do Norte sofram do mesmo mal.

Os tempos do programa de humor de “Hora H” são para esquecer?

De forma alguma. O “Hora H” foi o mais trabalhado e inteligente dos meus programas de humor. Não duvido de que um dia lhe será feita justiça!

Já agora, como vê os novos projectos de humor da televisão nacional?

Gosto muito dos “Contemporâneos” (RTP1). Considero um honesto, moderno e esforçado projecto de humor. Anseio o regresso dos meus ‘afilhados’ “Gato Fedorento”. A sua irreverência e liberdade critica fazem muita falta! Aguardo também com muita emoção a reedição em DVD de “O tal canal”, o que acontecerá ainda este ano.

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