SIC

ERC avalia concurso da SIC

A Reguladora para a Comunicação vai avançar com um processo de análise ao “Momento da Verdade”. Explorar a vida privada pelo seu lado mais negro é o que mais impressiona quem olha criticamente para o formato.

As queixas tardaram a chegar. A primeira deu entrada na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) na última sexta-feira, sendo que o programa da SIC, produzido pela CBV, de Piet Hein Bakker, vai na terceira edição. Esta semana, registou-se a segunda. A par das reclamações, a ERC decidiu instruir os serviços para avaliarem o programa.

Azeredo Lopes, presidente da reguladora, em artigo de opinião, no JN, mostrava o desagrado com o aviltamento da parte mais fraca de quem se sujeita a este concurso e deixava o repto aos que o promovem para se sujeitarem ao teste. Teresa Guilherme e Rita Ferro Rodrigues, apresentadoras associadas ao formato, optaram por não comentar a provocação. A produtora responde (ver caixa).

Que se está diante de espectáculo com cada vez mais público, prova-o a Marktest. Anteontem, foi o quarto programa do top diário, com 1. 200 milhão de pessoas. Na estreia registou 800 mil.

Por já dele ter ouvido falar, Rui Ramos analisou o programa ao detalhe como psicólogo clínico que é. A seu ver, a ERC já se devia ter pronunciado. “Estamos diante de claro abuso de poder por parte de uma estação”. O programa “explora o pior das nossas mentes, pois todos nós temos pensamentos e negativos”, justifica. “Uma coisa é o que nos passa pela cabeça e outra o comportamento social. Este formato vai puxar o que há de mais cruel no ser humano, o lixo que está lá dentro”. A moral que evita que digamos tudo o que pensamos para não ferir os outros é preterida em detrimento do dinheiro, considera.

Felisbela Lopes também defende que a ERC tem de intervir, além de achar que se devia fazer um debate alargado, abordando as marcas que estes formatos deixam. Lembra a tentativa de suicídio do Zé Maria, do “Big Brother”, sendo que este foi tratado como herói e não como “pobre coitado”, como sucede com estes concorrentes. O que mais impressiona a professora de Comunicação Social no formato da SIC é o enxovalhar dos familiares. “Tem de haver limites quando se trata da privacidade de alguém que nem é visado directamente”. A professora lança questões à produtora: da eventual encenação ao funcionamento do polígrafo que nunca viu na emissão. Nem o efeito catártico, consequente à confissão, defendido pela apresentadora, a convence. “Não ajuda a reconstruir famílias, mas a provocar rupturas”. Atira: “Só se quiserem fazer o ‘Perdoa-me’ a seguir”.

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