O Protagonista

O Protagonista

O Protagonista

Na semana passada, Diana Casanova elegia a Volta a Portugal como O Protagonista da semana. Passados sete dias, as voltas continuam na televisão portuguesa, nomeadamente na ficção. Nesta área, as histórias são ricas em sentimentos humanos, que vão desde o amor, à traição, à amizade, à solidariedade, entre tantos outros. No entanto, tenho de eleger um, para comentar a saída de Rui Vilhena para a TV Globo: indiferença.

É ele, O Protagonista desta semana, com todo o aparato que foi e está a ser feito, depois de uma ligação de vários anos com a estação de Queluz de Baixo.

Foi em 2005 que estreou um dos maiores sucessos da história da ficção nacional no canal da Media Capital. De seu nome Ninguem Como Tu, tornou-se num sucesso logo após a sua estreia, ao ter alcançado 16,5% de audiência média e 42,3% de share. Até ao fim desta produção, que ocorreu a 20 de dezembro do referido ano, os portugueses não queriam esquecer o nome do autor que deu vida à novela da TVI: Rui Vilhena. A célebre questão “Quem matou o António?”, foi colocada centenas de vezes, e até o trajeto do vídeo com a cassete do último episódio foi acompanhado em direto, no talk-show Você na TV!

Tendo a autora do crime sido Sofia Aparício, é necessário salientar que o mistério foi trabalhado de uma forma interessante, tendo vários atores gravado um final diferente para Ninguém Como Tu. Desconhecendo quem seria o assassino, os profissionais ficaram tão surpreendidos quanto os telespetadores quando Guida foi presa.

Terminada essa produção, muitos foram os portugueses que ficaram ansiosos com as estreias de novelas que fossem da autoria de Rui Vilhena. Tempo de Viver, outro sucesso, Olhos nos Olhos ou Sedução, tiveram em comum uma escrita e um enredo mais elaborado, que colocasse os telespetadores a pensar. No entanto, e no caso das últimas novelas referidas, a verdade é que nem tudo correu sobre rodas, levando-as a ser alteradas para o horário das 23h00.

Passados mais de cinco anos, Rui Vilhena muda-se agora para a terra que o viu nascer, o Brasil. Com um contrato de dois anos com a TV Globo, o argumentista tem neste nele o objetivo de deixar de “jogar num lugar seguro”, como a TVI. “A vida é uma aprendizagem permanente. É bom sair da nossa área de conforto, no meu caso a TVI, e ter um novo desafio que me obrigue a repensar o que faço e a abraçar áreas ainda não exploradas”, explicou à Correio TV.

Tal como escreveu Tiago Henriques, no Falar Televisão de segunda-feira, o quase ex-profissional da estação de Queluz de Baixo passou de bestial a dispensável. Se, em 2005 se perspetivava uma ficção nacional de sucesso com Rui Vilhena nos “quadros” da TVI, atualmente essa ideia já não faz qualquer sentido. Os tempos mudaram, a concorrência é outra, a ficção evoluiu.

Resta agora esperar pelos frutos deste novo contrato de Rui Vilhena e se, curiosamente, não vem a ter repercussões na SIC. Afinal, a estação de Carnaxide mantém um contrato com a TV Globo para o “intercâmbio” de conteúdos e, há bem pouco tempo, de atores. Será que os portugueses ainda vão ter a oportunidade de seguir uma produção brasileira da autoria de Rui Vilhena, no canal de Pinto Balsemão?

Apesar de as portas terem ficado abertas para o regresso de Rui Vilhena à TVI, é necessário refletir sobre esta perda para a estação. Numa época em que se aposta em telefilmes, um dos quais estaria (ou está?) pensado ser da autoria do referido argumentista, nota-se alguma “crise” na ficção de Queluz de Baixo. Mais do que uma questão de orçamento, refiro-me a uma falta de organização, que sinto que neste momento estar a afetar todas as generalistas.

Não, a culpa não é apenas da televisão por cabo, mas igualmente do querer atingir elevados índices de audiência com conteúdos paupérrimos em qualidade.

Que venham as novidades dos novos projetos de Rui Vilhena e, já agora, o mês de setembro, para dar cor à televisão portuguesa!

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