O Protagonista

O Protagonista

O Protagonista

Há exatamente uma semana, Roberto Leal foi o Último a Sair, Fábio tornou-se  no primeiro Peso Pesado português e Kapinha foi eleito o vencedor das Tribos da TVI. A verdade é que, e independentemente do final dos concursos que marcaram os últimos meses, presumo que O Protagonista desta semana se repita no tempo, tendo em conta o valores verificados nesta semana. O conjunto dos canais temáticos tem surpreendido nos últimos meses, o que pode ser justificado pelas férias dos mais jovens, e até pelo calor, que leva os portugueses a não estarem em casa.

No entanto, as justificações não se devem ficar por aqui. O que se tem verificado nos últimos tempos espelha uma realidade: uma fuga dos telespetadores da televisão generalista para a televisão por cabo. Os resultados estão à vista de todos, com uma derrota constante da RTP1, RTP2, SIC e TVI, na semana que passou. Assim, o que fazer? Qual a estratégia a adotar pela direção de programas das estações televisivas? Continuará o público a ser o mesmo, ou as exigências serão diferentes? Aponto para a segundo hipótese, tendo em conta que a inovação nas grelhas de programação é realmente escassa. À exceção de um ou outro programa, um ou outro concurso, nota-se alguma falta de imaginação nas cabeças dos diretores de programas.

Por exemplo, estreia esta noite mais um programa de canções e de talentos vocais. Conduzido por Rita Pereira, o que esperará um telespetador de Canta Comigo que outros concursos ainda não tenham mostrado? Pouco, ou nada. Da mesma forma, enumero Chamar a Música e A Voz de Portugal: o primeiro já foi transmitido há alguns anos, o segundo vai jogar com o talent-show Ídolos. Questiono: não estarão os portugueses a ter um déja vú quando se sentam em frente aos ecrãs nacionais?


A própria atitude da estação de Queluz de Baixo em apostar na reposição de Ilha dos Amores, já demonstra algum receio em relação à ameaça da televisão por cabo, tendo em conta os fracos resultados de um programa que exigiu a contratação de peso de uma das melhores apresentadoras portuguesas. Fátima Lopes pode ter o talento necessário para um talk-show, mas são os portugueses que têm a palavra final (o comando). Nesse sentido, aproveito para relembrar os cérebros que coordenam este tipo de programas, que à exceção de algumas emissões e ideias, precisam de uma grande reformulação. As histórias de A Tarde É Sua são pouco apelativas, acabando por vezes em cair no ridículo; Boa Tarde continua com um ritmo parado; Portugal no Coração desapareceu por momentos, reaparecendo em Setembro com uma tentativa de ganhar nas audiências.

Chega! Criem novos conteúdos, tenham novas ideias, inovem. As histórias tristes que diariamente nos são “vendidas” não conseguem surpreender, não conseguem prender a atenção da mesma fatia de telespetadores do passado. Neste sentido, a oferta dos canais temáticos acaba por colmatar a falha dos generalistas, com programas à medida de cada seguidor de televisão.

Cada canal temático representa uma identidade, e cabe a cada português escolher com qual ou quais deles se revê melhor. A oferta é enorme, e tem confrontado a liderança da TVI no último mês. Assim, se os mais novos preferem o canal Panda ou o Disney Channel, os mais velhos preferem a SIC Notícias, o Hollywood, a FOX, o AXN ou a SIC Mulher. Por fim, não esquecer a Sport TV, que oferece um inimigo às generalistas: o desporto, nomeadamente o futebol.

Em suma, e a meu ver, O Protagonista de hoje acaba por ser uma evolução daquilo que se tem verificado nos últimos tempos. Por outras palavras, o ciclo da televisão por cabo está agora a agudizar-se, e temo mesmo que possam existir alguns feridos: as generalistas.

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