O Protagonista

O Protagonista

O Protagonista

Na semana passada Angélico Vieira era a figura central desta rubrica, devido ao fato de ter sofrido um acidente que o colocou em estado grave. Neste domingo, e passados sete dias, a verdade é que é precisamente o cantor que continua a ser “O Protagonista”, pelos piores motivos. Angélico Vieira faleceu na última terça-feira, e deixou milhares de fãs desolados. Pais, filhos, avós, tios, tias, todos ficaram alarmados com uma vítima que era tão querida para tantos portugueses. Apesar de a maioria não conhecer o cantor, ator e bailarino, o carinho que este criou nos diferentes projetos em que participou tornou-o único.

É verdade que nem sempre percebemos a atenção que é dada a um “famoso” quando este está numa fase negativa da sua vida. Por outras palavras, também nós já tivemos de ultrapassar grandes obstáculos ou então vimos algum ente querido passar por um mau momento, não vendo assim qualquer destaque por parte dos media. Infelizmente, é este o mundo em que vivemos, a sociedade que habitamos. As regras, os valores, as normas, são muitas vezes alterados consoante aquilo que os meios de comunicação estipulam, transmitem. Estando eu a seguir a licenciatura de Ciências da Comunicação, é perfeitamente normal referir esta realidade, pois corresponde a uma premissa que praticamente todos os dias me é referida.

Angélico Vieira foi uma pessoa entre tantas, com o seu talento, com os seus dotes na representação, na voz, na dança, e destacou-se em diferentes mundos, em diferentes países. A sua simpatia contagiava os que o rodeavam, e a sua força guiava os que o idolatravam. Nunca tive ídolos, pois considero que eles não existem. Somos nós que os construímos, e também somos nós que nos poderemos tornar como tal. Tenho pena de todos aqueles que sofreram e que estão a sofrer com este óbito, mas principalmente os pais e amigos. Esses sim foram os principais lesados por esta fuga para o outro “mundo”. Não interessam as caras, nem os nomes.

Compreendo que os fãs e seguidores fiquem devastados com uma morte, mas essa dor jamais será igual à de perder um filho, por exemplo. Daí considerar totalmente desnecessária a atenção que os media deram aos apoiantes de Angélico Vieira, à forma como os entrevistaram e tentaram perceber o que sentiam e o que os faziam idolatrar este ser. Obviamente que, para uma pessoa de treze anos, é um momento triste, de amargura, de desilusão, contudo não será eterno. Nunca perdi uma pessoa que me fosse de facto próxima, independentemente de ser ou não do meu sangue, mas tenho noção de que ver um “conhecido” partir não me proporcionará um sentimento que me irá acompanhar por toda a minha vida.

Assim, e neste “Protagonista”, destaco igualmente esta imagem que os meios de comunicação passam de que todos ficaram chocados com uma morte tão precoce, e de que a vida não será a mesma sem Angélico Vieira. Sem lhe tirar todo o mérito que alcançou, a verdade é esta. Muitos foram os que também ficaram desiludidos por tal atenção por parte dos media. Se destacaram este óbito, qual o motivo pelo qual não noticiaram o estado de saúde dos companheiros que seguiam no carro do cantor? Esses já não interessam, já não são pessoas?

Angélico Vieira teve o seu lugar entre nós, alcançou o sucesso nos seus 28 anos de vida, e o seu trabalho ficará gravado entre os portugueses. No entanto, existem mais pessoas, anónimas, que também mereciam um pouco de atenção.

É a lei da vida, ou melhor, dos meios de comunicação.

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