Holofotes

Publicidade [Parte 3]

Num panorama geral, a televisão que outrora estava morta, sem cor, sem interesse, com a viragem da década os canais como que acordaram para uma nova vida. Se por um lado temos uma RTP1 que aposta, cada vez mais, em séries nacionais, se por outro temos uma SIC que, depois de uma era negra, parece estar a entrar num Renascimento e se, por outro, temos uma TVI que está muito preocupada com a informação que transmite, todas estas situações revelam um salto de maturidade de todos os canais.

Ora, a indústria das novelas clichés, das novelas que falam sempre da mesma coisa, das novelas comuns sem interesse está por um fio… Aquelas que são mais inteligentes, que procuram um outro olhar do espectador, situações mais intensas estão a tomar conta da noite e temos, por exemplo, Sedução da TVI. Só por ter o nome do Rui Vilhena merece um destaque especial. Também na SIC, como uma amiga minha dizia ontem, “esta personagem está muito bem construída (…) esta novela da SIC está à altura de muitas da TVI”, o mundo de escuridão que viveu durante os anos finais da década anterior parecem estar a desaparecer e está, finalmente, a combater fogo com fogo. Pode ser novela e o leitor pode dizer-me “mas como é que pondo mais novelas no ar, vai ajudar?” mas, se reparar bem, o facto de combater a TVI com a sua própria arma vai fazer com que esta mude de estratégia e sendo, como ela o afirma, o canal líder, algumas rotinas da televisão podem mudar e ainda há esperança que esta monocultura se dissipe com o tempo.

Ainda na TVI, parece que a nova década trouxe consigo novos mundos… O canal para além de ter mudado, finalmente, de imagem (lá está, mais publicidade) está a apostar fortemente na mudança de toda uma má reputação em termos de informação. Com a entrada de Judite de Sousa em cena, há a possibilidade de toda aquela mancha sensacionalista que sempre caracterizou a TVI, desaparecer bem como abrir novas portas ao horário nobre do canal. Pela primeira vez, estou curioso quanto à forma como a TVI vai racionalizar os seus recursos, quanto à estratégia que o canal vai utilizar para se redimir de uma imagem há muito manchada.

E, terminando esta bateria de crónicas, concluo com o Festival da Canção. O público é todo da opinião de que, o Festival, tem vindo a perder muita força junto das massas e, consequentemente, muito do espírito que sempre lhe esteve adjacente desde a sua criação. O de este ano não foi excepção e a vitória dos Homens da Luta pode ser considerado um pau de dois bicos. Por um lado, a vitória não é nada justa porque o grupo em si não está adequado àquilo que o Festival foi para além de que a sua música não era das melhores que por lá passeava. Contudo e por outro lado, os Homens da Luta são as personagens – tipo de um romance. Eles representam um povo em luta com uma canção que fica no ouvido. Eles representam um país que se encontra em luta consigo mesmo, em luta para atravessar uma Era negra. E talvez por isso tenha sido a melhor opção a nível de grupo no Festival da Canção deste ano.

Talvez, por estas razões, não consiga escolher um lado da vitória dos Homens da Luta. Talvez, por estas razões, seja difícil dizer “eu concordo” ou “eu não concordo”. Mas uma coisa é certa, se eles ganharam por alguma razão foi, se eles ganharam é porque a sua intervenção vale alguma coisa, se eles ganharam e se são capazes de levar a música até à Alemanha a sua performance pode fazer mexer um país que se encontra há muito estagnado, um país belo que se esconde e que se perde nos horrores da ignorância e da passividade.

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