Holofotes

Jazz


O título não tem propriamente a ver com televisão, é certo, mas se há algo que faz vibrar todas as moléculas que constituem o nosso corpo é a música. Acredito que esta, quando bem inserida e quando bem manejada, consegue ser muito mais que as imagens que vemos, todos os dias, nos variados programas da nossa televisão.

Onde noto essa brilhante simbiose entre música e imagem é na série da minha vida, Cold Case. De entre muitas opiniões sobre o porquê de a série ser espectacular e requerer imensa pesquisa, há um factor que nunca tive em conta e que descobri há pouco tempo.

Como o leitor deve saber, Cold Case trata casos de diferentes anos e durante o episódio a música vai acompanhando a investigação e os sucessivos flashbacks com os quais ficamos a conhecer as personagens. Ora, há dias, estava a “consumir” um dos episódios dessa minha série e o caso, salvo erro, datava da década de 60 e, lá mais para o final do mesmo, começou a dar uma música jazz daquela época e não poderei dizer que não me lvantei e comecei a mexer o pé. Tal, levou-me a falar com um colega que partilha (não tão ao extremo) dos mesmos gostos e que aconselhou a ouvir Benny Goodman. Foi (e está a ser) a minha perdição.

Reparou, caro leitor? Reparou que a música tem, igualmente, um impacto gigantesco quando falamos de produtos televisivos de horário nobre? E o meu foi só um exemplo dos muitos que surgem, todos os dias, e dos quais não temos conhecimento.

Muitos de vós poderão pensar que a imagem e as personagens são tudo numa série ou numa novela. As expressões faciais, os sucessivos twists na história ou até mesmo os adereços. Mas, reflectindo sobre esta temática, acho que isto não chega. E o leitor poderá concordar comigo.

Imagine-se uma personagem principal de uma novela. Imagine que já passou por tanta coisa na sua vida e está, frente a frente, com o seu par a resolverem uma traição. Acha que aqui uma música pesada ou que cause mais suspense não intensificava mais a situação?

É neste jogo simbiótico que muitas histórias e muitas personagens ficam marcadas nas nossas memórias e por mais insignificantes que fossem, a música, por ser ou conhecida ou ficar no ouvido devido à sua musicalidade, ficou registada e não será esquecida assim com tanta facilidade. Quem não se lembra da novela “Chocolate com Pimenta” e da Jezebel com o seu “Como eu sofro…!” e das músiquinhas que a acompanhavam e que davam um caracter cómico à situação?

A vida não será uma sinfonia de Beethoven e muito menos uma música da Madonna mas acredito que, muito daquilo que vemos, podemos transpôr para a nossa realidade. Colorir a vida com música soa-me um desafio que todos os dias se renova.

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