Holofotes

Batalhas

Se por um lado, a batalha por uma televisão melhor tem-se mostrado bastante apagada há já alguns anos, a mesma não está estagnada e é bastante interessante ver-se a reacção do público a um produto totalmente inovador e totalmente diferente daquilo a que estamos habituados a ver.

E é certo que, só tenho a agradecer o facto de ter apanhado varicela numa altura tão rara (aos 19 anos, coitado de mim!) porque me permitiu, através do site da RTP, acompanhar o seu novo programa dos domingos à noite: Último a Sair.

Como todos nós bem conhecemos, os formatos como Big Brother, Survivor ou mesmo American Idol (só por ser reality) causam muita sensação, especialmente, na América sendo o terceiro o que arrecada valores mais altos de audiência seguido de Survivor e, em terceiro lugar, Big Brother que é exibido no Verão. Quando um espectador está a ver qualquer um destes programas não o pode assistir ingenuamente, ou seja, tem de ter em conta que aquelas situações são passíveis de serem reais (não sei se algumas serão fomentadas pela própria produção, daí não afirmar com certeza que são reais) e que há estereótipos de situações e de características e de tudo o mais que se pode inventar dentro daquela ideia principal.

E, ao contrário dos realities, o Último a Sair pega exactamente nesses estereótipos e constrói um programa que não é mais do que uma sátira ao formato dos programas que referi acima. Pelo que tenho visto, o programa da autoria de Bruno Nogueira, está muito bem construído na medida em que trata, com máximo realismo, todos aqueles pormenores que nos escapam quando o programa real está a ser exibido: todas as intrigas, todas aquelas conversas sem qualquer sentido e até situações do dia-a-dia como fazer uma refeição ou mesmo lavar a loiça.

E se por um lado, este programa da RTP se encontra em combate directo com Peso Pesado da SIC e Perdidos na Tribo da TVI (programa que ainda nem me dei ao trabalho de ver), creio que a luta me parece um pouco injusta só pelo facto de termos dois programas de altíssima qualidade a disputarem um primeiro lugar que, infelizmente, escapa a largos intervalos ao programa da RTP1.

Também Peso Pesado é uma batalha propriamente dita. Pessoas com excesso de peso lutam por o perder, lutam por uma vida mais saudável, lutam por dias melhores que aqueles que viveram no seu passado.

Numa perspectiva mais geral, a SIC conseguiu vencer uma batalha (mas não a guerra) que há muito se vinha debatendo. Com a chegada do Peso Pesado (e através de uma fantástica equipa de produção) conseguiu tirar aquele odor bafiento que vinha quando se pronunciava o seu nome tal como a RTP1 o conseguiu fazer com o programa do Bruno Nogueira.

Continuamos a batalhar por uma maior qualidade, por algo que cative o espectador em vez dos regulares programas que já pouco interessam. A RTP1 e a SIC conseguiram dar esse passo, um passo numa boa direcção capaz de direccionar outros públicos para as suas ofertas.

A minha mãe, no outro dia, comentou comigo sobre o Último a Sair dizendo, “Gastam eles dinheiro a fazer isto.” ao que eu respondi, “Gastam-no eles o bem.” porque no fundo sei que, embora a RTP1 se segure bastante ao Humor e às personalidades relacionadas com este (lembro-me de Herman ou mesmo Nicolau Breyner que já andaram pelos talk-shows na Estação Pública), o canal consegue ter boas apostas e é uma boa maneira de cativar um outro público aos domingos à noite que maioritariamente seria adulto aquando da exibição de Conta-me como Foi. É uma tentativa tal como a SIC tem estado a fazer.

É de louvar tais medidas, é de louvar a força e a emoção que cada episódio de Peso Pesado nos mostra, é de louvar a qualidade de ambos os programas. É assim a televisão!

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